(pt) Grécia, “É preciso muito trabalho”

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Domingo, 20 de Setembro de 2015 - 13:07:25 CEST


O comentário a seguir foi escrito por uma pessoa que participou de um debate aberto no 
Atenas Indymedia sobre as próximas eleições. O comentário foi publicado na página da web. 
No mesmo debate outro comentário que publicamos no nosso post foi “censurado” e 
transferido para a seção de comentários ocultos. O editor do comentário começa o texto em 
resposta a outro comentário que indicou que é necessário muito trabalho pelos anarquistas. 
---- E não faz falta não só muito trabalho, mas também muito tempo de trabalho. De 
trabalho individual e coletivo, de trabalho sistemático, persistente e difícil. Com 
consequência, continuidade e compromisso. Em geral, devido à idade média baixa no “espaço” 
(anarquista), no ambiente de processos coletivos prevalece uma noção distorcida do tempo. 
Se sente que, por causa da juventude, a maioria desses e dessas jovens tem uma noção 
completamente pessoal de como flui o tempo político em todas as conjunturas. Às vezes o 
concebem altamente condensado (por exemplo, em dezembro de 2008) e às vezes 
(principalmente) distendido…

Não acho que muitos estão dispostos a sair de campo, apesar das vaias que estão recebendo 
e receberão das quadrilhazinhas de aformalistas. Nas festas, concertos e outros eventos 
“auto-organizados” aparecem milhares de pessoas. Infelizmente, o nível médio de formação 
em nível de uma visão de mundo e consciência política e de classe no “espaço” chega pouco 
depois da dupla acab-antifa… E este é o maior problema: se queremos formar de maneira 
antihierárquica um movimento libertário consciente e eficiente, composto de coletividades 
políticas organizadas, com raízes sociais e ações destinadas a sujeitos políticos, temos 
que dedicar muito trabalho e muito tempo individual e coletivo para ver alguns mínimos 
resultados encorajadores 2-3 anos depois.

Em geral, nos processos do “espaço” (anarquista) prevalecem essas besteiras antidialéticas 
bem conhecidas, como a linguagem poético-sentimental e os intermináveis processos 
aformalistas. Portanto, uma grande parte dos participantes nos processos do “espaço” 
(assembleias e ações) não constroem consciências fortes (de classe e políticas), mas 
prevalece uma sopa fria de integração emocional. E quando termina a juventude e os 
sentimentos de raiva estão esgotados, 80-90% deles vão para casa para ouvir sua musiquinha 
e depois de 1-2 “ensaios” são alinhados frente às urnas para votar em qualquer detrito 
político da socialdemocracia neoliberal ou do bolchevismo quebrado faz várias décadas.

Lembro-me que desde 1984-1985 passaram milhares de turistas e turistas pelo “espaço”, a 
grande maioria deles estão agora em casa e fazem comentários engraçados no Facebook e 
outros meios de comunicação “sociais”. Poucos e poucas que permaneceram envolvidos e lutam 
após seus 30-35 anos pela anarquia. Deixando de lado o fato de que uma grande parte deles 
pertence à pequena burguesia e que eles não pertencem (e nunca pertenceram) as classes 
sociais inferiores e oprimidas. Assim, tão somente seus interesses de classe, combinados 
com os baixos níveis de suas consciências políticas, levou-os racionalmente onde estão 
hoje, e estes são os fatores que lhes fizeram reproduzir a dominação burguesa. A mesma 
“gangrena” continua até hoje.

E para voltar ao assunto do debate, vem o “ansioso” que tem pressa e quer tudo “aqui e 
agora” (usando os lemas do populista Papandreou, primeiro-ministro nos anos 80 e 90) e 
pergunta (forma supostamente bem intencionada…) o que vamos fazer agora que Lafazanis 
fundou o partido do dracma socialdemocrata. O que você gostaria de fazer? Votar no cadáver 
político batizado de “Unidade Popular”? Nem mortos… Tirar os “insurrectos” de nossos 
chapéus mágicos e encher as ruas? A morte e o derrotismo prevalecem desde que o Syriza 
conseguiu capitalizar politicamente nas urnas a ação social radical de 2010-2012 nas ruas.

Devemos construir um movimento pela via rápida (fast track)? Com quem aliar-nos para 
obtê-lo em tempo determinado? Com os que apoiaram nas eleições passadas o Syriza, 
sustentando que o movimento está ganhando melhores posições de reivindicação com o 
“primeiro governo de esquerda”, ou na companhia daqueles que dominaram o chamado processo 
de democracia direta no referendo governamental, só para votar e apoiar o “não”? Ou talvez 
devêssemos ir lado a lado com o neo-bolcheviques “libertários” gritando slogans gritados 
pelos comunistas na guerra civil? Você já viu qualquer análise séria e uma autocrítica 
sobre as avaliações e ações de política erradas de todos os mencionados acima? Há qualquer 
esforço, ainda que mínimo, na construção de uma política coletiva de avaliação das opções 
políticas e seus resultados? O que vejo, ouço e leio até hoje são apenas arrogâncias e 
textos sem sentido…

Aqui qualquer aventureiro amargurado coloca uma “A” circulado na frente de cada invenção 
ideológica sua, e as coletividades políticas do movimento libertário no território do 
Estado grego, sem esclarecer de maneira coletiva e federal o entorno de sua existência, ou 
seja, em que conjuntura econômica, política e social estão vivendo e lutando, e sem lidar 
com os eixos fundamentais da visão do mundo e da formação do movimento (o termo 
alternativo que está na moda são “propostas”) inconsciente e pacientemente aguardam o 
“erro” nas táticas da Soberania, após a qual as classes inferiores oprimidas sairão às 
ruas para expressar raiva. E então sairemos também para as ruas como ratos para 
enxertá-los com a combatividade insurrecionaria e aformalista, para que os persuadamos e 
se realize o imaginário ataque ao Parlamento, para que com isso se destrua o “existente”.

O Cristianismo, nas primeiras décadas da sua história como uma religião, estava muito mais 
próximo da realidade (da época)…

E como eu escrevi muitas coisas, eu vou fazer um resumo:

1. Os que participam no mercado agropecuário das eleições, lançando seu voto às urnas, 
estão por excelência fora do movimento anarquista. Ponto. Eles podem chamar-se de 
“autônomos”, “auto-organizados”, “individualidades rebeldes” e tudo o que lhes passa na 
cabeça, menos anarquistas. Sabemos dos discursos de Durruti sobre as eleições em 1936. Que 
não se repitam, tratando de identificar, de uma maneira antidialética e antihistórica, o 
passado histórico da Espanha antes da revolução com o presente na Grécia.

2. A propagar a massiva abstenção, a nível nacional, no âmbito do movimento e sobre tudo 
no âmbito político. Se possível, um pôster comum, decidido por todos e “construído” sobre 
as decisões de um evento de dois dias entre as coletividades anarquistas. Um cartaz 
vermelho e preto colado em dezenas de milhares de paredes em toda a Grécia, antes e depois 
das eleições, mesmo que o rasguem e mesmo que o colem sobre os resíduos eleitorais.

3. Ações coletivas de caráter social, distribuindo textos em cada cidade, em cada vila e 
em geral onde existam coletivos libertários para fazê-los. Ações de intervenção social que 
venha a desenraizar a “lógica” da delegação. Já, depois da experiência coletiva e social 
da gestão política do terceiro memorando pela torpe socialdemocracia neoliberal, há muitos 
argumentos para fazer nosso discurso convincente. Para destacar a tríplice 
resistência-autogestão-solidariedade como o único rival realista da escolha da opção de 
delegação “facilmente digerível” das urnas.

Organização e luta pelo comunismo e a anarquia

O texto em grego:

https://athens.indymedia.org/post/1548088/

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/hace-falta-muchisimo-trabajo/

Tradução > Liberto


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