(pt) Espanha, Chamado de ação contra as manobras da OTAN "Trident Juncture 2015"

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Sábado, 12 de Setembro de 2015 - 22:19:41 CEST


SE QUEREMOS A PAZ, QUE NÃO NOS PREPARAREM A GUERRA. PELA JUSTIÇA SOCIAL E A PAZ MUNDIAL. 
NÃO A OTAN e suas supermanobras militares "Trident Juncture 2015´´ em nosso território. 
---- Durante o mês de outubro até 6 de novembro de 2015 terão lugar as manobras "Trident 
Juncture" da OTAN, principalmente na Itália, Portugal e no Estado espanhol. Com a 
participação de mais de 36.000 soldados de 30 Estados, as manobras serão "o exercício mais 
importante da OTAN durante 2015´´ e "a maior dispersão de tropas da Aliança Atlântica após 
a "Guerra Fria" e na última década, de acordo com o próprio Ministério da Defesa Espanhol. 
Mais da metade da força militar, 20.000 soldados, estão dispersos em oito pontos no Estado 
espanhol: Centros Nacionais de Treinamento de San Gregorio (Zaragoza), e Chinchila 
(Albacete), no Campo de Manobras e Tiro Álvarez de Sotomayor (Almeria) e no Campo De 
Treinamento Anfíbios de Sierra de Retin (Cádis), assim como nas bases aéreas de Albacete 
San Son Joan (Palma de Mallorca), Torrejón e Zaragoza. Além disso, participarão das 
"supermanobras" os marines americanos de Morón de la Frontera.

As manobras terão duas fases distintas: uma do posto de comando e "guerra simulada" 
(Command Post Exercise, CPX, de 3 a 16 de outubro), que serão desenvolvidas dentro do 
quartel dos Estados participantes, e outra fase real (Live Exercise, LIVEX, de 21 de 
outubro a 6 de novembro de 2015), em que serão ensaiadas diferentes operações navais, 
aéreas, ofensivas terrestres, desembarques anfíbios, paraquedismo, ações em ambientes 
urbanos, intervenções em ambiente NRBQ [nuclear, radiológico, bacteriológico e químico] e 
atuação de forças de operações especiais, entre outras. No Estado espanhol a maioria das 
forças armadas se implantou em San Gregorio (Zaragoza), embora a Andaluzia também tenha um 
papel importante durante as manobras. No momento, já estão construindo um grande 
acampamento na Base Aérea de Zaragoza com capacidade para 1.600 soldados.

Com tais manobras a OTAN colocará em prática as lições aprendidas na guerra de ocupação do 
Afeganistão, praticará como intervir militarmente na África do Norte com um enorme 
potencial, de caráter invasivo. Ensaiará ainda como obter o controle dos recursos naturais 
- água, minerais e hidrocarbonetos - num contexto de profunda escassez de energia e 
degradação ambiental. A OTAN está interessada na África pelo potencial conflitivo 
ocasionado pela mudança climática e porque tem uma abundante riqueza de recursos naturais: 
minerais (platina, cromo, manganês e cobalto, entre outros) e hidrocarbonetos, que 
representam uma grande parte das reservas mundiais.

No jogo do poder sobre África o Estado espanhol tem um papel importante, como manter a 
segurança do transporte dos recursos naturais (Mar Vermelho e Chipre da África), além de 
seus próprios interesses militares e econômicos. Por esta razão a grande maioria das 
missões militares do Estado espanhol ocorre no continente, ou no Oriente Médio. A Espanha 
é responsável por controlar a "fronteira sul" da União Europeia, conter a migração de 
pessoas que fogem da pobreza ou guerra, garantindo que os efeitos das políticas de 
exploração do continente não repercutam na Fortaleza Europa. O Estado espanhol representa 
a ponta de lança da OTAN na África.

Mas também as manobras da OTAN são projetadas para enviar uma mensagem de força e pressão 
para a Rússia em seus territórios limítrofes através da guerra parcial ou indireta. A este 
respeito, a participação da Ucrânia - que não é formalmente um país membro da Aliança - é 
significativa. A "Trident Juncture" não só serve para mostrar para a Rússia a capacidade 
(e vontade) militar da OTAN, como também para treinar a cooperação com as Forças Armadas 
da Ucrânia. No entanto, a principal mensagem não é para a Rússia e muito menos para o 
Estado Islâmico, Al Qaeda e outros, cuja existência e ações armadas são usadas como a 
justificação e a propaganda de guerra. É mais provável que a mensagem principal seja para 
a China, um país que tem fortes interesses econômicos e geoestratégicos na África. A China 
está investindo em muitos países africanos, construindo infraestrutura para garantir 
recursos naturais - especialmente minerais - do Continente. Parar a expansão chinesa na 
África, principal concorrente dos Estados-membros da Aliança Atlântica, é um dos motivos 
ocultos para estas "supermanobras". Tudo isso integra a competição imperialista entre as 
potências militares e sua dependência dos interesses comerciais das corporações 
transnacionais.

CHAMAMENTO À AÇÃO

As manobras da "Trident Juncture" protegem exclusivamente a uma minoria privilegiada, 
aumentando a despesa militar global em detrimento das necessidades de investimento 
essenciais em ações sociais e humanitárias, como combater as consequências trágicas da 
crise capitalista, a degradação do meio-ambiente, promover o comércio justo, a 
solidariedade econômica ou cooperação para o desenvolvimento global do planeta. Só em 2014 
os gastos militares do mundo foram de US $ 1,8 trilhões, enquanto que em 2016 o Estado 
espanhol vai consumir 24.489,96 milhões na preparação da guerra e do controle social. 
Atualmente os 5 países com maiores gastos militares na Europa Ocidental são França, 
Alemanha, Itália, Reino Unido e o reino de Espanha.

Suas "supermanobras" aumentam a insegurança do planeta e, particularmente, a nossa, por 
situar-nos como o palco principal de suas operações de guerra. Trazem-nos a guerra "em 
casa", nos convertem em colaboradores diretos da violência da OTAN e, portanto, em 
objetivo de guerra para os seus oponentes, incentivando o terrorismo, o racismo, divisão 
social e medo...

Para os exércitos, essas manobras representam uma carga sangrenta para o progresso global, 
são um meio de destruição irracional, dominação econômica, ideológica e de "conquista do 
poder", que temos de nos libertar para o bem da humanidade e a Terra. Por esta razão e por 
causa de sua alta relevância, fazemos uma chamada à solidariedade global e cooperação das 
sociedades na luta da não-violência ativa e para a verdadeira democracia real, justiça 
social, ambiental e sustentável, redistribuição sustentável da riqueza e dos recursos do 
planeta. Chamamos à desobediência civil e ação direta não-violenta contra as manobras 
"Trident Juncture 2015" da OTAN.

Vários coletivos preparam atos de protesto e resistência civil durante a realização das 
"supermanobras" e pedimos o seu apoio e cooperação. Também convidamos para a 
descentralização e a autogestão do protesto (organiza a sua própria ação desobediente e 
coordena-a com as demais). Desde o movimento pacifista e antimilitarista na Andaluzia 
existem iniciativas para organizar a desobediência civil em Barbate, de 30 de outubro a 2 
de novembro (em frente ao Campo de Treinamento Anfíbio de Sierra de Retin) com apoio da 
Rede Europeia Antimilitarista e da Alternativa Antimilitarista.MOC. Em Zaragoza estão se 
organizando protestos em 3-6 de novembro (o Campo de San Gregorio novamente vai estrelar a 
barbárie militarista). É urgente demonstrar nossa rejeição à guerra e a nova ameaça da 
OTAN. As pessoas têm o poder e a responsabilidade de parar a ganância e a violência, 
melhorar o nosso mundo frágil e pequeno.

Zaragoza, Planeta Terra, 1 de setembro de 2015.

Contato: mambrú@nodo50.org

Mais informações no site "Insumissia" (antimilitaristas.org), seção "Maniobras OTAN 
"Trident Juncture" 2015´´. Atalho para a seção: http://j.mp/AntimilOTAN

Tradução > Liberto

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