(pt) Brazil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Causa do Povo #73 - As ilusões da esquerda Grega apontam a necessidade da Revolução!

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Terça-Feira, 27 de Outubro de 2015 - 12:58:02 CET


As expectativas com a "nova esquerda" grega (o Syrira) cairam por terra. O partido, que se 
aliou à direita, aceitou as imposições da União Europeia desrespeitando o referendo em que 
o povo disse "não" aos acordos de ajuste fiscal. A abstenção eleitoral no país chegou à 
50% e revela a insatisfação com todos os governos e a urgência de um caminho 
revolucionário. ---- Luciana Genro entrega bandeira a Alexis Tsipras e declara "apoio 
integral" do Psol ao Syriza, partido que encabeça o ajuste fiscal na Grécia hoje. ---- Em 
janeiro de 2015, o partido Syriza (Esquerda Radical) foi eleito nas eleições legislativas 
Gregas com 36% dos votos, garantindo o nome de Alexis Tsipras como primeiro-ministro do 
país. Este fato, juntamente com a vitória do Podemos na Espanha (nas prefeituras), foi 
tomado por muitos partidos políticos como uma expectativa de mudanças nos rumos da 
política na Grécia - nada mais falso.

A vitória do Syriza se consolidou como um governo de coalização com o partido de 
centro-direta ANEL (Gregos Independentes), e se converteu em importante peça para a 
continuidade das políticas de ajuste fiscal e estabilidade da exploração da União Europeia 
sobre os trabalhadores gregos.

Instável situação na Grécia

O Governo Tsipras (Syriza) eleito neste ano, contrariou o referendo popular de julho que 
disse "Não" ("Oxi", em grego), com 61% de votos, a novos acordos de austeridade com os 
credores da Grécia. Ao contrário do que havia prometido, menos de uma semana depois 
Tsipras realizou um dos piores acordos já feitos com a Troika. Alegando não ser possível 
romper com a Zona do Euro, anunciou mais privatizações, demissões, cortes no orçamento 
público e nas aposentadorias. PASOK e Nova Democracia aprovaram o novo acordo.

Em agosto passado, Tsipras renunciou ao cargo de primeiro-ministro devido seu desgaste com 
as últimas medidas (divisões internas no Syriza, etc), sendo reeleito no dia 20 de 
setembro. Apesar disso, a nova eleição ocorreu com quase 50% de abstenções, revelando a 
total descrença dos trabalhadores gregos nas mudanças eleitorais.

Importante observar que, no Brasil, partidos como o PSOL apoiaram candidatura do Syriza e 
apostam na via eleitoreira; por outro lado o PSTU, que glorifica as lutas internacionais 
"radicais", em casa condenou junto a mídia e os governistas os "black blocs" e formas de 
autodefesa popular, tão presentes na Grécia.

Esquerda e direita mantem problemas estruturais na Grécia

A política do Syriza representa um aprofundamento do projeto político do PASOK (partido 
socialdemocrata), sob um discurso mais "radical".

O PASOK que voltou ao poder em 2009 com 160 cadeiras no parlamento aplicou fielmente a 
política da Troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e União 
Europeia), com privatizações, demissões em massa, pagamento de juros altíssimos ao setor 
financeiro, cortes nas áreas sociais. Foi combatido pelos trabalhadores e a juventude com 
diversas greves gerais, manifestações de rua e ocupações, com marcante papel dos 
anarquistas nestas lutas.

A Grécia vive desde então a sucessão entre partidos de direita e esquerda no poder, sem 
nenhuma diferença estrutural. Em 2012 o partido Nova Democracia (direita liberal) foi 
eleito com maioria no parlamento, em coalizão com o PASOK e DIMAR. Tal governo, como era 
esperado, deu continuidade às políticas de austeridade.

Estes paralelos demonstram, assim como no Brasil, que as reedições dos governos 
socialdemocratas ou criações de partidos da nova esquerda eleitoral estão fracassando 
frente ao avanço da crise e trazendo derrotas aos trabalhadores.

Posição dos anarquistas

É necessário aprender com a resistência do povo Grego, ainda que a situação pareça se 
encaminhar para um beco sem saída. É fundamental que os anarquistas gregos e 
revolucionários desenvolvam um trabalho de massas nos setores estratégicos da classe 
trabalhadora, construindo uma organização autônoma que seja a alternativa organizativa e 
programática aos partidos reformistas e da extrema-direita, se preparando para a tomada 
dos bairros, das fabricas e dos campos, embrião do auto-governo dos trabalhadores.

A crise na Grécia vem precipitando uma imposição da realidade: só a revolução libertará a 
Grécia da Troika e das políticas de super-exploração. Diante da crise econômica mundial e 
das guerras imperialistas que trazem carestia, desemprego e violência, construir o Poder 
Popular e a Revolução Social são tarefas de ordem do dia!

Todo apoio aos trabalhadores e anarquistas gregos! Não a Troika, não ao Syriza: 
enganadores do povo!

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 - Set/Out/Nov de 2015

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/10/14/as-ilusoes-da-esquerda-grega-apontam-a-necessidade-da-revolucao/


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