(pt) Brazil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Causa do Povo #73 - A luta dos Guarani Kaiowá contra o Estado e o Capital

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Domingo, 25 de Outubro de 2015 - 12:54:41 CET


Latifundiários de Mato Grosso do Sul foram responsáveis por mais um assassinato de 
indígena, o lider Simião Vilhalva. O Ministério da Justiça e a FUNAI se mostram omissos. 
Mas o Estado se faz presente com a repressão, e a política dos governos vem expandindo a 
exploração e violência do capitalismo no campo. A única alternativa de resistir tem sido a 
ação direta dos povos indígenas. ---- A luta dos Guarani Kaiowá contra o Estado e o 
Capital ---- Aty Guasu - Grande Assembleia Guarani-Kaiowá, Dourados/MS, jul/2013. O 
assassinato contra indígenas é recorrente, assim como sua resistência. ---- Mais um 
indígena assassinado pelo Agronegócio ---- No dia 29 de agosto, a comunidade Guarani 
Kaiowá da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi atacada por um grupo de proprietários 
rurais da cidade de Antônio João (MS), fronteira com o Paraguai. Os latifundiários 
deixaram dezenas de indígenas feridos, incluindo um bebê, e mataram com um tiro na cabeça 
a liderança Simião Vilhalva.

Ação aconteceu após a reunião dos capitalistas rurais no Sindicato Rural da cidade, 
liderado por Roseli Maria Ruiz. Um comboio de 40 caminhonetes partiu do sindicato patronal 
depois da reunião que contou com presença dos deputados federais Luiz Henrique Mandetta 
(DEM/MS), Tereza Cristina (PSB/MS) e do senador Waldemir Moka (PMDB/MS).

A Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi homologada em 2005 depois de décadas de luta com 
muito sangue. No entanto a homologação foi suspensa pela justiça burguesa e o Supremo 
Tribunal Federal há 10 anos não toma uma decisão definitiva no Mandado de Segurança 
impetrado pelos fazendeiros.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) o

"Ministério da Justiça, principal responsável da paralisação das demarcações, mais uma vez 
omitiu-se das suas responsabilidades de zelar pelos direitos indígenas antes inclusive da 
Fundação Nacional do Índio - Funai, pois a ele é subordinada. As tropas da Força Nacional 
que estavam na região para supostamente prevenir crimes contra a comunidade só chegaram na 
fazendo duas horas depois do crime. Agora é desencadeada a Operação Dourados por 
determinação da presidente Dilma Rousseff (PT), a pedido do governador do estado, Reinaldo 
Azambuja (PSDB), com objetivo de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Já se encontram na 
região 1200 homens do exército e mais 3800 de prontidão do Comando Militar do Oeste".

O governo em conluio com o latifúndio

A situação só tem piorado nos últimos anos. Agora o governo do PT determinou a derrubada 
da Instrução Normativa (IN) 83/2015 editada pelo Instituto Nacional de Colonização e 
Reforma Agrária (Incra) que, entre outras medidas, estabelece regras para a desapropriação 
de terras com trabalhadores mantidos em condições análogas às de escravos, para que sejam 
transformadas em assentamentos rurais. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), 
em conluio com a bancada ruralista, determinou à Advocacia-Geral da União (AGU) que 
conteste a IN, publicada no início deste mês no Diário Oficial da União.

O governo do PT, assim como os anteriores, é aliado do agronegócio, do capital financeiro 
e internacional. Esse governo não fará a reforma agrária, demarcação de terras e outras 
demandas. Em agosto a Polícia Federal atacou uma manifestação pacifica dos sem terra, 
lideradas pela MST, em Ji-Paraná, Rondônia. O saldo foi 4 sem terras presos, só liberados 
depois de pagamento de fiança.

O genocídio contra os Guarani Kaiowá e os povos indígenas continua, enquanto o capitalismo 
se desenvolve no campo com ajuda de sindicatos, federações de trabalhadores do campo e 
movimentos sociais que apóiam o governo. Movimentos de luta pela terra, como o MST, estão 
paralisados. Sindicatos, Centrais sindicais estão na sua grande maioria vendidas ao 
interesse do capital. São muitas vezes piores que os patrões. Estão apoiando os governos e 
seus interesses.

Povos indígenas preparam a sua resistência

Os povos indígenas que tem sofrido com o desenvolvimento do capitalismo no campo tem 
resistido de todas as maneiras possíveis. As famílias indígenas em Ñande Ru Marangatu 
afirmaram:

"Nós Guaranis e Kaiowá desta localidade vamos resistir até o fim, porque temos direito à 
posse dessa terra tradicional que nos pertence. Esperamos que a Justiça resolva essa 
situação o mais breve possível".

O Conselho do Povo Terena manifestou sua solidariedade aos Guarani Kaiowá e disseram:

"Se o governo federal não punir os executantes e mandantes desse homicídio, nós Terena, 
vamos dar uma resposta à altura para os ruralistas e iniciar imediatamente a 
autodemarcação de todo nosso território!".

O Conselho do Povo Terena e diversos povos tem cada vez mais indicado o caminho para 
conquista de terra e liberdade: a ação direta! A construção da autodefesa popular para a 
luta pela vida contra o Estado e o Capital, inimigos dos trabalhadores do campo e da 
cidade! Pela construção de um movimento autônomo e combativo de camponeses, indígenas e de 
trabalhadores rurais!

Marçal de Souza Tupã'i, Presente! Simião Vilhalva, Presente Não Esquecemos, Nem Perdoamos!

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 - Set/Out/Nov de 2015

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/10/14/a-luta-dos-guarani-kaiowa-contra-o-estado-e-o-capital/


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