(pt) Brazil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Causa do Povo #73 - A 5ª Marcha das Margaridas e os destinos do sindicalismo rural

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Sábado, 24 de Outubro de 2015 - 13:59:50 CEST


A Marcha das Margaridas pretende dar visibilidade à luta das mulheres do campo e hoje 
mobiliza milhares. Mas este "mérito" possui fortes contradições: a política governista da 
Marcha encobre as medidas anti-povo do petismo no campo, incluindo mortes de camponeses e 
indígenas. Além disso, a Marcha é financiada pela burguesia. Todo potencial da luta das 
mulheres acaba sendo "domado". ---- Encerramento da 5ª Marcha: presença ilustre de Dilma 
no Estádio Nacional, Brasília. A Presidente não foi sequer criticada por "barrar" reforma 
agrária. ---- Nos dias 11 e 12 de agosto, ocorreu em Brasília a 5ª Marcha das Margaridas, 
organizada pela CONTAG (Confederação Nacional das/os Trabalhadoras/es da Agricultura - 
dirigida pelo PCdoB e PT). Estima-se participação de mais de 30 mil mulheres de todo o 
Brasil. Apesar desta mobilização e do marketing de atores "globais", de deputados e 
sindicalistas, ficou claro que a política governista da CONTAG acaba por desviar a luta 
das mulheres do campo para a conciliação com seus inimigos de classe: governo e latifúndio.

Um sindicalismo financiado pelo Estado e pela burguesia

A abertura e encerramento da Marcha das Margaridas foi marcada pela saudação de entidades 
e parlamentares governistas (CUT, PT, PCdoB), deputados do PSB, PMDB e outros partidos 
burgueses. Também houve falas oficiais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do 
Governo do Distrito Federal. O momento central foi o discurso do ex-presidente Lula na a 
bertura, e o da presidente Dilma no encerramento.

Porém, pouco ou nada se ouviu sobre a luta pela terra, o corte de verbas do MDA, a 
concentração fundiária, os assassinatos no campo ou da luta pelos direitos das mulheres 
camponesas. O palanque era para os políticos venderem suas ilusões, reforçando o mito do 
"golpe" e, logo depois, usar este medo para defender o governo Dilma e a "democracia".

Além de deputados e artistas, a burguesia financeira e industrial apoiou a Marcha e a 
patrocinou: Banco do Brasil, BNDS, Caixa Econômica, SESI, Governo Federal. Além disso, 
contou com apoio da ONU, Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (UE) e outros 
organismos internacionais da burguesia. A Marcha demonstrou assim a integração da CONTAG 
no sistema estatal-capitalista.

Ninguém se atreve a falar a verdade sobre a luta de classes no campo

Pelas características da Marcha e posturas da CONTAG em outros momentos (apoio ao Novo 
Código Florestal, conciliação de classes no setor sucroalcooleiro, etc.) não era de se 
esperar sua honestidade frente a situação atual dos trabalhadores e povos do campo.

Está em curso no Brasil, especialmente na década de governos do PT, um novo projeto 
desenvolvimentista. Esse projeto é parte do capitalismo mundial e busca atender interesses 
de frações burguesas. Entra aí os grandes projetos de mineração, infraestrutura, 
megaeventos, usinas hidrelétricas, modernização e integração das forças repressivas. Além 
disso, um ponto central tem sido a "modernização do latifúndio", ou seja, o agronegócio.

Tudo isso fez parte dos quatro mandatos do PT. Tudo isso tem significado o massacre, a 
perda de terra e território, a perda da autonomia, o aumento da exploração e submissão dos 
camponeses ao poder do agronegócio, enfim, tem significado a desesperança e o sofrimento 
dos povos do campo.

Para piorar, pouco ou nada tem sido falado dos efeitos do ajuste fiscal sobre os povos do 
campo. Podemos citar algumas medidas: impedir a expropriação da propriedades com trabalho 
escravo (em nome do "direito à propriedade"!), retirada de direitos dos pescadores (MP 
665), desconsiderar o tempo de transporte como tempo de trabalho (MP 668), relativizar a 
exposição ao sol e o trabalho pesado para retirar benefícios dos assalariados rurais e 
aumentar as taxas de superexploração, corte de quase 50% das verbas do Ministério do 
Desenvolvimento Agrário, dentre outras. Enquanto isso, o governo repassará R$ 187,7 
bilhões via Plano Safra 2015/2016 ao agronegócio. Outros ataques tem sido conduzidos pelas 
mãos sujas de sangue da ministra Kátia Abreu!

A Marcha foi a defesa velada desse projeto, encobrindo suas verdades, jogando corpos para 
debaixo do tapete, minimizando o sofrimento de indígenas, acampadas/os, mulheres, 
assalariadas rurais escravizadas. Para as burocracias do sindicalismo rural existe 
interesse em manter a governabilidade de Dilma, em manter essa mentira. Mas para cada 
mulher e homem do campo, defender esse projeto é suicídio! Lutar contra o governo, contra 
os exploradores é uma questão de sobrevivência!

O feminismo burguês: uma política da burocracia sindical-partidária

Um aspecto ideológico que tem ganhado importância na política governista é a defesa de um 
feminismo burguês. A intenção é neutralizar as críticas ao governo Dilma ao tentar 
transformar a vitória de uma mulher para a Presidência da República em uma vitória de 
"todas as mulheres". O caráter burguês dessa "concepção feminista" é justamente não 
questionar as estruturas de poder e exploração do capital e do Estado brasileiro. Seja com 
a eleição de Dilma, com a eleição de deputadas, ou com mais empresária e policiais 
mulheres, o caráter explorador e opressor da sociedade capitalista não se modifica, apenas 
aumenta-se a ilusão de que essa democracia burguesa é "representativa".

*Texto publicado no Causa do Povo nº73 - Set/Out/Nov de 2015

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/10/14/a-5a-marcha-das-margaridas-e-os-destinos-do-sindicalismo-rural/


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