(pt) Brasil, Belo Horizonte Minas Gerais, Informativo do COMPA: A-Berrante! Ano I - Nº 1 - 12 de outubro de 2015: A crise numa perspectiva anarquista

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Domingo, 18 de Outubro de 2015 - 08:14:45 CEST


CRISE PRA QUEM? E AFINAL, QUAL CRISE? ---- Alta nos impostos, nos preços, nos juros, no 
sacolão, no supermercado, nas tarifas... Mais uma vez, somos nós trabalhadores que estamos 
pagando pela crise, enquanto os bacanas de sempre continuam com seus privilégios 
intocados. Curioso os bancos quebrarem recordes de lucro, não? Aí fica a pergunta: crise 
pra quem? ---- É sempre assim: a crise vem, o governo se preocupa em blindar os grandes 
grupos financeiros e os seus aliados, garantindo-lhes o lucro e a fortuna, enquanto deixa 
para nós os cortes, os ajustes, o papel de economizar e de se virar. Em momentos de crise, 
a corda sempre arrebenta para o nosso lado. ---- Mas a crise é ainda maior. Para além 
dessa crise econômica, estamos vivendo uma verdadeira crise de direitos no país governado 
pelo suposto "Partido dos Trabalhadores". O governo e o legislativo estão determinados a 
prosseguir com as "medidas de ajuste" e os cortes de direitos (o conhecido "ajuste fiscal").

Apesar de parecerem que estejam um contra o outro, o congresso e o governo estão em 
perfeita sintonia quando o assunto é a defesa dos interesses dos seus aliados e daqueles 
que os financiaram para estarem em Brasília.

SITUAÇÃO, OPOSIÇÃO, PT, PMDB, PSDB... QUAL A DIFERENÇA?

Do lado do executivo, o PT mentiu nas eleições descaradamente. Falou que não iria mexer 
nos direitos, e mexeu. Falou que iria ter uma postura de esquerda, diferente do PSDB, e 
está tendo exatamente a mesma postura do PSDB, neoliberal e de direita. O governo, como de 
praxe, está usando a crise para implementar um pacote de medidas de austeridade que deve 
ser combatido. Cortes, em investimentos, programas sociais e direitos trabalhistas, mais 
impostos, congelamento de salários...

Já do lado do legislativo, o congresso segue tão afiado quanto. A oposição está fazendo
de forma irresponsável a política do "quanto pior, melhor" pra atingir o governo Dilma, 
mas que atinge mais ainda o povo trabalhador. Esse é o perfil nefasto da oposição (PSDB, 
DEM, setores do PMDB e o resto da corja).

Além disso, tanto a Câmara quanto o Senado estão com forças-tarefa na elaboração e 
aprovação de medidas que miram para um imenso retrocesso no campo dos direitos humanos e 
que ferem toda a história de conquistas do povo brasileiro.

Dessa forma, os ataques promovidos entre congresso x governo não querem dizer que estejam 
defendendo interesses diferentes no governo. Nenhum está por nós. Cada um, da sua maneira,
prossegue com políticas impopulares em defesa dos seus. É tudo uma questão de pressão por 
maior hegemonia; e dessas disputas de poder, hegemonia e influências, o que nos resta são 
as consequências drásticas em nossas vidas. Delas sempre saímos perdendo.

A ALTERNATIVA NÃO VEM DE CIMA!

O Estado e a mídia só nos apresentam como alternativas as CPIs, investigações, negociatas 
entre os poderes, acordões políticos, acordos entre burocracia sindical e o estado, juízes 
etc. Tentam nos fazer acreditar que as soluções só existem e são possíveis vindas daqueles 
que na verdade são o problema.

Mas não. Fazem de tudo para que acreditamos que não há nada que possamos fazer, que o 
nosso papel é esperar e confiar que um dia a justiça chegará pela via dos poderosos. Mas 
não acreditamos que nenhuma solução para as nossas vidas virá do governo, de um 
presidente, de deputados, senadores, de juízes ou de qualquer outra representação do 
governo. Não acreditamos que as eleições sejam alternativa, assim como não acreditamos que 
os juízes desse sistema desigual possam fazer a verdadeira justiça social. Todo governo é 
a representação da desigualdade e, dessa forma, ele nunca vai trabalhar para acabar com ela.

A ALTERNATIVA VEM DAS RUAS E DA ORGANIZAÇÃO POPULAR!

Para que os nossos direitos não sejam cortados e para barrarmos os ataques do governo, a 
única saída é a nossa luta organizada. Chamamos de Poder Popular a força que temos quando 
estamos unidos, organizados e determinados a fazer e conquistar as nossas causas. E 
pensamos que é só com o Poder Popular que somos capazes de confrontar o poder das elites, 
dos políticos, da mídia: dos de cima.

Se não é a nossa união, feita nos nossos locais de moradia, estudo, trabalho, não teremos 
chances. É isso que chamamos de organização de base. Precisamos nos reunir entre a gente, 
discutir os problemas sociais e lutarmos por avanços. Nós por nós.

Os nossos direitos e o fim da desigualdade não interessam para os de cima: só interessam 
para nós. Para os de cima, o que interessa é a garantia dessa "ordem" como está. Por isso, 
se não for por nossas mãos, não será pelas mãos de ninguém. Se não resistirmos, unidos e 
dispostos, seremos sempre explorados e oprimidos.

Desse modo, nesse momento de crise, é pra ontem a tarefa de nos organizarmos e lutarmos. 
Mas precisamos que ela seja por via da ação-direta, que é a independência da nossa luta 
quanto aos partidos, as eleições, os candidatos e as velhas novas "alternativas" que ainda 
acreditam que a mudança vem do governo.

É preciso luta! Afinal de contas, não queremos ficar sempre lutando contra a maré, entra 
crise, sai crise, entra governo, sai governo... queremos ir até a raiz: queremos o fim da 
desigualdade e a justiça social. E é por isso que somos anarquistas.

Nenhum direito a menos! Criar Poder Popular!
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SE LIGA!

Cultura e militância comunitária. Foi realizado no dia 12 de setembro o primeiro CineOcupa 
na ocupação Vila Esperança, no Calafate, com o filme Uma História de Amor e Fúria . A 
proposta é que o cinema comunitário seja permanente na ocupação.

Solidariedade e luta . Realizados dois mutirões coletivos na Ocupação Guarani-Kaiowá, em 
Contagem, para a construção da casa de uma companheira de luta.

#KeissonSuspendeoDespejo! Em torno de 1.000 famílias de Timóteo-MG estão com risco de 
perderem suas casas por conta de uma ação de despejo movida pelo prefeito Keisson (PT). 
Somamos à rede de solidariedade e pedimos a todxs compartilharem foto com a tag 
#KeissonSuspendeoDespejo!

Fascistas não passarão!

Foram divulgados materiais de supostas reuniões com intuito de atacar feministas e 
militantes na UFMG. Os materiais divulgados têm cunho fascista que deixam a comunidade 
universitária alerta quanto a essas mobilizações inaceitáveis.


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