(pt) Grécia, Corfú, Sobre a greve geral de 12 de novembro (en, gr)

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Sexta-Feira, 20 de Novembro de 2015 - 15:32:48 CET


O seguinte texto foi publicado na página web da coletividade anarquista de Corfú 
Cumulonimbus por causa da greve geral de 12 de novembro. O texto em grego está intitulado 
"Chamado à marcha da greve". ---- Pela greve geral de 12 de novembro. Pela volta à rua. 
---- A primeira convocatória de uma greve geral depois da aprovação do terceiro memorando 
e as recentes eleições é um fato. Outro fato é que esta convocatória se parece mais com 
uma representação teatral mal montada pelos executivos dos sindicatos obreiros, com o fim 
de criar impressões a curto prazo, e não para opor-se determinadamente ao memorando e ao 
novo governo. Depois de despertar violentamente do sonho da "esperança" e da aterrizagem 
nas "formas realistas da saída da crise", todas as resistências sociais têm que ter uma 
data de validade e um caráter simbólico. Para isso existe a coalizão governamental entre a 
esquerda e a extrema-Direita: Para escutar (atender) as petições dos súditos, para 
absorvê-las com seus sensores particularmente sensíveis ao patriotismo e ao "realismo", e 
em última instância para adaptá-las a uns marcos institucionais, "realistas" e 
patrióticos. Não importa que o resultado do referendo se tenha revertido, que as "duras 
negociações" e a "abolição dos memorandos" tenham conduzido à assinatura de um novo 
memorando, ainda pior que os anteriores, e que a propriedade pública continue sendo 
vendida sem cessar. O que importa é que a plena normalização do sistema financeiro vá por 
bom caminho.

Mais além das declarações altissonantes, inclusive mais além da realidade do retrocesso 
das lutas sociais massivas e da proliferação da inércia social e da tática da delegação, 
(esta convocatória) põe em relevo mais claramente que nunca a opção política dos patrões 
locais e estrangeiros por aprofundar o saque e a exploração das classes sociais 
escravizadas. O estado de emergência está presente, vai continuar, e por muitos gestores 
que mudem, seguirá impondo-se para oprimir nossas vidas. Nesta conjuntura, simplesmente se 
deslocou para a esquerda. A invocação constante do "arco democrático" com discursos 
emocionantes pela unidade nacional, é o único material "adesivo" que ficou aos opressores, 
para convencer-nos de que supostamente temos interesses comuns com os que nos dominam e 
nos oprimem (ou com os que respaldam aos que nos dominam e nos exploram).

Trata-se exatamente do mesmo "material", servido, claro, com a dose adequada de humanismo 
burguês, que trata às pessoas que casualmente nasceram em lugares onde os antagonismos 
intracapitalistas os arrasam - metafórica e literalmente -, as vezes como "intrusos 
(invasores) clandestinos" que se vêem obrigados a congestionar-se nos campos de 
concentração modernos, e as vezes como "miseráveis desgraçados" que se colocam um após o 
outro nas filas filantrópicas das comidas que lhes oferecem. Trata-se do mesmo "material" 
utilizado pelos nazis do Aurora Dourada (já "reabilitados" e com representação parlamentar 
na ilha) para afiar suas facas.

Nos tempos da incorporação dos movimentos (no Sistema), nos tempos em que as greves gerais 
são convocadas meses inteiros depois da votação de memorandos, o lema "todos à rua" perdeu 
seu significado e já completou seu ciclo. Os últimos cinco anos demostraram que por muita 
gente que saia à rua, por muitas pessoas que estejam em greve por 24 horas, se não sabem o 
que é que estão reclamando e desejando e por quê lutam, todas as lutas, todas as metas, 
todos os sonhos, ou serão reprimidos pelos gases lacrimogênios dos policiais ou se 
converterão em acordos inofensivos e ineficazes no mesmo marco que gera a exploração, a 
injustiça, e as diferenças sociais. No mesmo marco que está baseado nestes mesmos valores. 
É um marco hostil que não melhora, não pode ser gestionado de uma maneira "mais favorável, 
mais humana". Tem que derrocar-se.

Tem que ser derrocado por pessoas que se juntam não sob a bandeira da unidade nacional, 
senão a através de sua determinação social e de classe. Por pessoas que experimentam a 
guerra de classe social em sua cotidianidade, que não consentem a opressão, a submissão e 
a indiferença, que optam por organizar-se de uma maneira igualitária, não só longe da 
lógica da hierarquia, da colaboração das classes e da incorporação às instituições, senão 
contra ela. Por pessoas que se cruzam nas comunidades de solidariedade, nas lutas sem 
intermediários, nas ocupações, nas negativas coletivas a pagar, nas assembleias populares, 
nos sindicatos de base, nos projetos liberadores, onde se constroem relações de igualdade, 
solidariedade e liberdade horizontais, onde as necessidades de uma pessoa são necessidades 
de todos, onde se organizam nossas ações contra o Estado, o Capital e qualquer forma de 
Poder. Na revolução social vitoriosa, onde se materializarão nossos desejos por uma 
sociedade comunista de liberdade, na anarquia.

Chamado à marcha da greve geral de 12 de novembro.

Quinta-feira, 12 de novembro, às 18h, diante da Casa do Obreiro de Corfú.

O texto em grego:

https://cumulonimbus.squat.gr/2015/11/05/%CE%BA%CE%AC%CE%BB%CE%B5%CF%83%CE%BC%CE%B1-%CF%83%CE%B5-%CE%B1%CF%80%CE%B5%CF%81%CE%B3%CE%B9%CE%B1%CE%BA%CE%AE-%CF%80%CE%BF%CF%81%CE%B5%CE%AF%CE%B1/#more-899

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/sobre-la-huelga-general-del-12-de-noviembre/#more-10493

Tradução > Sol de Abril


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