(pt) Colômbia, Crônica do Primeiro de Maio anarcossindicalista em Bogotá (ca)

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Quinta-Feira, 28 de Maio de 2015 - 10:29:08 CEST


Na sexta-feira, 1º de maio de 2015, dia da classe trabalhadora, saímos a marchar desde o 
Parque la Independencia em Bogotá, de onde saíram outras coletividades. A marcha iniciou 
desde as 10 da manhã até a Plaza de Bolívar. Nossas bandeiras anarcossindicalistas 
agitavam e gritos libertários recordavam pessoas lutadoras que não estavam ali, mas que 
também percorreram essas ruas. A marcha iniciou com tranquilidade. Os cânticos contra o 
Estado e a exploração estavam na ordem do dia. "Morte ao Estado e viva a anarquia" 
cantávamos com orgulho ao dar cada passo. ---- A nosso redor estavam sindicatos de 
docentes, as cabeças raspadas, inclusive um senhor que vendia manga na rua, que também 
saiu esse dia, mas não a protestar nem a manifestar-se senão para conseguir o dinheiro 
diário com o qual se alimenta.

Margeando as ruas se encontravam antimotins e forças disponíveis da polícia esperando o 
momento para atacar e defender sua pátria: aquela que lhes ensinaram a amar, mas que gera 
desprezo e raiva ao ver nas ruas a seres morrendo de fome; ao ver os bosques e a selva 
destruída pelo negócio e a economia. Essa pátria que divide e que só existe quando joga 
sua Seleção Colômbia. E quisemos recordar-lhes o que eram gritando-lhes "Polícia, idiota, 
a ti também te exploram". A onda de gente caminhava, gritavam seus próprios lemas, mas 
tínhamos em comum a necessidade de reivindicação da classe trabalhadora.

Ao atravessar a sétima com 19 o coração batia mais forte, com raiva e dor, uma raiva 
acumulada ao recordar, faz 10 anos, quando um jovem anarquista de apenas 16 anos foi 
assassinado pelo ESMAD a golpes. Ali se encontrava o pai de Nicolás Neira recordando que o 
crime todavia segue impune, que não houve reparação e que os assassinos seguem vivendo em 
tranquilidade. Mas apesar disso, nos impulsiona a seguir em luta e não baixar a guarda. 
Lemas escutávamos e repetíamos: "Nico vive, a luta segue".

A poucos passos estava pendurada nossa faixa, essa que dias antes fizemos com todo o amor 
e tristeza para alguém que não estava e nos faltava a nosso lado. Sergio Urrego. Quanto 
sentimos tua falta, companheiro! Mas contamos com a companhia de sua mãe Alba Reyes, que 
marchou com grande orgulho com a ULE e agitou a bandeira vermelha e negra que faz um ano 
levava seu filho. Quanto nos doeu marchar sem ele, sem escutar sua voz gritando "Morte ao 
Estado e viva a anarquia". Todavia retumba sua voz e suas frases de liberdade em nossos 
ouvidos.

A marcha seguiu com alguns distúrbios até a plaza de Bolívar. Enquanto algumas pessoas, 
com um ódio mais que justificado contra o Estado e o capitalismo, decidiram atuar de forma 
violenta lançando artefatos à força pública e destruindo o que encontravam no caminho.

A Unión Libertaria Estudiantil (ULE) levantava as bandeiras, enquanto se via um contraste 
em formas de luta, em duas formas de interpretar o mundo e nosso descontentamento. O que 
decidiam atacar fisicamente e nossa organização, que aposta pelo anarcossindicalismo, o 
assembleísmo, o mostrar a cara do anarquismo ao povo, o das reivindicações, o estudo e a 
ação direta através de mítins, piquetes e exigências. Duas formas diferentes que não se 
pode julgar, tachar, nem impor para ser coerentes com o anarquismo.

É alentador ver a nosso lado jovens de 16 anos que se animam a marchar e trabalhar porque 
veem no anarcossindicalismo uma forma para transformar suas vidas e nossas vidas.

Viva Sergio Urrego! Viva Nicolás Neira! Viva o anarcossindicalismo! Viva a ULE!

Fonte e mais fotos:

http://ulestudiantil.org/Informese/primerodemayo2015.html

Tradução > Sol de Abril

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