(pt) Movimento de Organização de Base (MOB) - Moção de repúdio à criminalização dos que lutam

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Domingo, 10 de Maio de 2015 - 13:31:12 CEST


Protestar não é crime, criminoso é o Estado! ---- LUTAR NÃO É CRIME! ---- Depois do maior 
episódio de repressão aos servidores estaduais do Paraná, o governador Beto Richa tenta 
atribuir a culpa do massacre do dia 29 de abril - que deixou ao menos 200 feridos em 
Curitiba - ao "radicalismo" de manifestantes que supostamente estariam infiltrados no 
protesto. ---- A primeira estratégia de Richa foi culpar os próprios agredidos pelo início 
da agressão. Já no dia 29, o governador declarou em nota oficial que o brutal massacre foi 
uma "ação de defesa" da PM, que teria reagido à agressão de "black blocs". A nota do 
governo estadual fala em "pessoas mascaradas e armadas com pedras, bombas de artifício, 
paus e barras de ferro". A mentira caiu por água abaixo já no dia seguinte, quando a 
Defensoria Pública do Estado do Paraná e a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciaram 
afirmando que nenhum dos detidos na manifestação portava artefatos perigosos. Segundo as 
duas instituições, todos os 14 presos durante o confronto eram professores, servidores ou 
estudantes.

Após essa tentativa frustrada, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Fernando 
Francischini, lançou mão de outra estratégia para criminalizar o movimento. Convocou uma 
entrevista coletiva no dia 4 de maio e declarou que a Inteligência da Polícia Militar 
investiga a participação de supostos "grupos radicais" no protesto. O coletivo Quebrando 
Muros, uma das organizações de trabalhadores que tem contribuído organicamente na greve da 
educação estadual, é um dos grupos acusados na reportagens divulgadas no dia 4 de maio.

Mais do que expressar nosso apoio a todos os coletivos e agrupamentos que participaram da 
ato do dia 29 de abril e que agora estão sendo ameaçados, o MOB manifesta seu repúdio à 
estratégia do governo estadual que busca criminalizar a luta dos próprios trabalhadores e 
estudantes que resistiram até o fim contra o ataque à previdência.

Além de criminalizar as legítimas manifestações contra o projeto, essa estratégia também 
busca esconder o protagonismo dos trabalhadores da educação, da saúde, das universidades, 
da saúde agentes penitenciários e estudantes na luta para impedir a aprovação do projeto 
de lei que permite que o governo coloque as mãos no dinheiro das aposentadorias dos 
servidores. Não foram grupos 'radicais' que protagonizaram a luta direta contra os ataques 
do governo, como Francischini afirmou em coletiva de imprensa, foram os próprios 
trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, afetados diretamente por tais ataques.

O massacre do dia 29 de abril não foi culpa dos manifestantes. Tão pouco foi resultado do 
"excesso" ou da falta de preparo dos policiais. Eles cumpriam ordens do governador Beto 
Richa, que articulou o poder executivo, a Polícia Militar, a maioria dos deputados da 
Assembleia Legislativa e o Judiciário para que o projeto fosse aprovado a qualquer custo. 
Já no dia 24 de abril, o Tribunal de Justiça do Paraná publicou um interdito proibitório, 
impedindo que os professores ocupassem o prédio da Alep. Esse é mais um exemplo triste de 
que os governos capitalistas não exitam em usar todo o seu poder político, econômico, 
jurídico e militar para reprimir e atacar os trabalhadores.


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