(pt) anarkismo.net: A materialidade de mais uma traição de classe pelo Planalto by BrunoL

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Quinta-Feira, 7 de Maio de 2015 - 11:33:18 CEST


Vejam o exemplo material da traição de classe deste governo que fez campanha dizendo que 
não mexeria em nenhum direito dos trabalhadores. O ministro do de Indústria e Comércio de 
Dilma é Armando Monteiro ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 
senador pelo PTB de Pernambuco. Dilma passou o final de semana anterior ao 1º de Maio 
preparando um pacote de privatizações indiretas da ordem de 150 bilhões para concessões de 
portos, aeroportos, rodovias, hidrovias e ferrovias. E mesmo com tantas vantagens o 
Planalto é incapaz de impor uma condição de negociar com a CNI a manutenção da CLT, 
considerando que o empresariado acumula ganhos por uma década através do financiamento via 
BNDES e bancos estatais. A propaganda da CNI que está sendo distribuída via redes sociais, 
assim como a ofensiva de mídia da Fiesp e demais federações empresariais são a prova cabal 
da imposição de agenda com aceitação de Dilma e cia.
?
Dilma Rousseff e Armando Monteiro, seu ministro da Indústria e Comércio, o senador pelo 
PTB pernambucano e ex-presidente da CNI. A materialização do peleguismo quando a 
ex-esquerda segue desesperada atrás da miragem de um empresariado nacional

O pacote de "bondades" (frase construída pelo impagável Eike Batista e então elogiada pela 
Veja como "choque de capitalismo") resulta em mais privatização indireta, e no caso, sem 
reação alguma por parte das centrais sindicais governistas. Enquanto isso, na Câmara a 
direita faz a festa no desmonte da CLT. Getúlio ao menos colocava uma parte do 
empresariado contra a parede. O lulismo e sua herdeira política se especializam em adular 
sem negociar nada em troca. Como afirmei acima, já que o ministro da Indústria e Comércio 
é o ex-presidente da CNI seria razoável pedir o recuo do empresariado na aprovação final 
do PL 4330 em troca de mais esse pacote de bondades. Mas a mentalidade pelega oferece 
quase tudo para fazer pouco ou nada e, neste momento, para tão somente "começar o governo" 
de centro-direita que fora reeleito com apelo eleitoral à esquerda. O lulismo caminha para 
um triste fim de ciclo de modelo e hegemonia na esquerda.

Dilma não fez o comunicado de 1º de Maio e com isso demarcara uma posição - a de aliviar o 
perfil e ser menos incisiva na pauta da luta de classes. Entendo que este aviso de não se 
comunicar em rede nacional é um sinal evidente que a Dilma não vetará o PL 4330 o que 
implica em dizer que os 10 por cento de legitimidade sobrante irão pelo ralo da história 
podendo se configurar na maior traição da classe trabalhadora do Brasil desde que João 
Goulart se recusou a ordenar a resistência do III Exército e a mobilização popular contra 
o golpe de 64. Não adianta de nada qualquer panaceia possibilista se como classes 
assalariadas perdermos nossa rede de amparo e mínima proteção diante da acumulação 
flexível sob regime pós fordista.

Ainda é possível brecar o PL do retrocesso e precarização, mas está cada vez mais difícil. 
Se Dilma não vetar e caso o PT ainda tiver o mínimo de dignidade deveria expulsar a 
presidente do partido e imediatamente sair do governo. Entendo que os sinais são de que 
ela não veta e o PT racha mais um pouco embora não abandone o governo, caminhando assim de 
forma melancólica para seu fim de ciclo na hegemonia da "esquerda" e também do modelo do 
pacto de classes do lulismo.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais

Site: www.estrategiaeanalise.com.br
Email: strategicanalysis  riseup.net
Facebook: blimarocha  gmail.com


http://www.anarkismo.net/article/28147


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