(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra CABN - Reescrevendo a história das mulheres em Rojava - Parte 2 Por Rojda Serhat-Sevin Servan-Cahide Harputlu - JINHA - Tradução Eliete Floripo

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Quinta-Feira, 12 de Março de 2015 - 10:24:41 CET


ROJAVA - este ano em Rojava, as mulheres estão se preparando para o 8 de Março com tanta 
excitação como dor. Apesar da intensificação dos ataques contra as mulheres, elas fizeram 
um histórico ano para as mulheres através de seu trabalho de defesa de Shengal e Kobane e 
da construção de Rojava. Nossa série continua hoje com a história da ativista de uma base 
da organização que precedeu a revolução; reflexões das mulheres sobre o seu trabalho no 
governo; e uma entrevista com a comandante do YPJ Meryem Kobane. ---- As raízes da 
revolução Rojava: décadas de organização para a libertação de curda Henife Husen, 
co-presidente do movimento político democrático, guarda-chuva do Movimento para uma 
Sociedade Democrática (PEV-DEM), diz que a resistência e luta das mulheres tinham uma 
história muito antes de Rojava.

Com a supervisão de Apo (Abdullah Öcalan), a busca da liberdade no Curdistão, chegou a 
Rojava também. As mulheres de Rojava aceitaram isto desde o início; elas abriram suas 
casas, deixaram seus filhos para esta luta.

"Para a revolução chegar até aqui, houve muito apoio moral e material," incluindo o 
combate na linha de frente da Frente Nacional de Libertação do Curdistão (ERNK) e apoio de 
Apo, disse Henife".

Abdullah Öcalan passou um tempo em Rojava na década de 1990. "A estadia do líder do 
Curdistão em Rojava tinha três projetos principais," disse. O mais importante deles foi o 
projeto de libertação das mulheres. Em Rojava, muitas mulheres participaram de suas reuniões.

Henife disse que as reuniões resultaram em uma série de mudanças na sociedade. Enquanto as 
primeiras mulheres juntaram-se a guerrilha uma a uma, as revoltas populares no Curdistão 
do Norte na década de 1990 resultaram em uma explosão de voluntários para a guerrilha. "O 
primeiro mártir por ser uma mulher, teve um enorme eco. Cada mártir prepararam o terreno 
para mais pessoas no voluntariado".

A filosofia de Öcalan propagou, as mulheres começaram a organizar todas as suas atividades 
econômicas, incluindo o trabalho doméstico. "As mulheres começaram a fazer o que ninguém 
mais poderia fazer," disse Henife. Mas depois que Abdullah Öcalan foi feito prisioneiro 
pelo Estado turco, disse Henife, a repressão começou a tornar-se intensa em Rojava. O 
estado facilitou uma gama de políticas sujas que se assemelhavam muito a aquelas 
implementadas pelo Estado turco contra o povo do norte do Curdistão.

"Começaram políticas de fome. Desemprego ampliado. Nestes dez anos causou imensa 
devastação, especialmente contra as mulheres,"disse Henife. "Havia uma aliança entre os 
dois Estados," ambos facilitaram o crime e a corrupção.

Em um curto período de tempo, prostituição, drogas e espionagem tornaram-se generalizadas 
em Rojava. "Homens mais velhos que vinham do Norte (Turquia) para comprar mulheres jovens 
para 'casamento'. "Depois disso, mudou o entendimento local do Islã, disse Henife. As 
mulheres também participaram deste novo Islã. Sociedades religiosas apareceram em todos os 
lugares.

A atividade Pro-curdo foi proibida, e diz Henife que dezenas de seus amigos foram presos e 
torturadas. Alguns foram mortos por seus torturadores. Narziye Keçe foi preso em 2004 e 
desapareceu sob custódia do estado.

As pessoas começaram a temer a atividade política. Henife diz que as organizações 
islâmicas cresceram para preencher a lacuna, quando as pessoas ficaram com medo de 
organizar a luta de libertação curda e as detenções do estado. Para as mulheres resultou 
em mais repressão no nível das famílias, onde mulheres ativas foram ameaçadas a serem 
jogadas para fora de casa ou com o divórcio se permanecem ativas na luta.

Mas, diz Henife, nunca deixaram de se organizar, formando a organização Tevgera Jinan 
(Movimento de Mulheres) em 2005. Organizadoras formaram parlamentos locais e comitês em 
cada cidade, mesmo quando a participação foi baixa, inclusive por meio de Tevgera Azad 
(Movimento Livre). Este nível de organização continuou até a revolução de 2011.

Com o período de 2010-2011 veio uma explosão de atividade e organização. O primeiro 
Congresso de TEV-DEM, teve a decisão de abertura das casas de mulheres em cada cidade, a 
decisão da organização das mulheres Yekitiya Estrela, foi de organizar-se em discussões de 
base -- parlamentos de discussões e decisões importantes tiveram lugar um após o outro. 
Comitês foram organizados para cuidar da educação, imprensa, relações públicas e 
econômicas, e, mais recentemente, as Academias Femininas, criadas em 2012.

As mulheres foram a chave para tudo isso, tendo papel importante e organizando-se durante 
o período da revolução. As mulheres eram parte dos Conselhos revolucionários e órgãos de 
decisão.

O sistema de co-presidente, no qual cada posição tem dois representantes (um homem e uma 
mulher), foi implementado nos parlamentos locais e comunas. Um cota de 40% para as 
mulheres também foi implementado.

"Nestes desenvolvimentos de maior participação popular, as mulheres tinham um papel de 
liderança na sociedade", disse Henife. Yekitiya Estrela tornou-se um espaço para as 
mulheres. No início da revolução, as mulheres estavam participando do PYD, onde o sistema 
de co-presidente estava em asayis.

Yekitiya Estrela começou a dar suporte para o YPG. Depois as mulheres se organizaram como 
o YDH em segredo, e então, formaram o YPJ. Kobane tornou-se um exemplo para as mulheres de 
Rojava e do mundo, com sua mais famosa mártir sendo Arîn Mîrxan, que sacrificou-se para a 
cidade. "O que libertou Kobane foi o espírito do camarada Arîn" e aqueles como ela, disse 
Henife.

No governo de Rojava, as mulheres resolvem seus próprios problemas
Ministra de mulheres Hiva Irabu diz que o Ministério foi uma das primeiras instituições 
fundadas após a declaração de autonomia no Cantão de Cizîre. Somente mulheres no 
Ministério -- o primeiro no mundo.

"Quando começamos a trabalhar, analisamos e pesquisamos experiências em muitos países, mas 
não conseguimos encontrar um Ministério formado especificamente para resolver os problemas 
das mulheres," disse Hiva. "Começamos os projetos nas áreas de interesse para as mulheres: 
economia, política, educação, desenvolvimento, violência contra as mulheres, a cultura, a 
lei." Muitos projetos realizam-se em colaboração com grupos do movimento de mulheres.

"Fizemos um relatório sobre as mulheres que sofreram violência e que vieram para as casas 
de mulheres," disse Hiva. "Como resultado, começamos os projetos de solidariedade e 
abrigos de mulheres. Mulheres em perigo de morte vivem aqui. Também temos projetos para 
ajudar a resolver os problemas econômicos das mulheres que vivem em abrigos."
O Ministério reuniu um conjunto de estatísticas não disponíveis anteriormente sobre as 
mulheres por meio de pesquisa em Cantão de Cizîre . Além da população total de mulheres, 
as estatísticas também registraram o número de mulheres que sofreram violência, a 
poligamia, o casamento infantil; que estão em dificuldades econômicas; que se divorciaram; 
e que são deficientes. Segundo a pesquisa, houve 2.250 casos de violência contra a mulher 
em 2004.

Agora, o Ministério tem ajudado no desenvolvimento de uma lei que tome medidas contra uma 
variedade de formas de violência contra as mulheres, do casamento infantil, poligamia, 
deserdação de mulheres e a troca noiva e a violência doméstica.Essas práticas variam entre 
os diferentes grupos em Rojava, como a poligamia (por exemplo) generalizada entre os 
cidadãos árabes, presentes entre curdos e ausente entre assírios e sírios.
Foco principal em 2015 do Ministério é a atividade econômica. O Ministério planeja treinar 
mulheres com habilidades que eles já têm, então elas poderão se sustentar sem depender de 
parentes do sexo masculino. Outro projeto cria centros para crianças deficientes e juventude.

Revda Hesen, co- prefeita da cidade de Qamislo, no Cantão de Cizîre, têm visto as mulheres 
tomar seus lugares em uma variedade de projetos desde o início da revolução em Rojava há 
três anos -- incluindo os membros da equipe de 30 mulheres no governo municipal. Mulheres 
dirigem uma série de projetos municipais só para mulheres. Zin Xelil, da força de Asayis 
(manutenção da paz) do governo da cidade, diz que as mulheres desempenham um papel 
importante na defesa da cidade. Ela diz que a autodefesa da revolução liderada por 
mulheres Rojava é crítica.

Luta do YPJ para a autodefesa das mulheres em todas as áreas da vida

Meryem Kobane, uma comandante da YPJ, tem sido parte da resistência Kobane desde o início.
"Não há nada na natureza sem mecanismos para a sua própria autodefesa", diz Meryem do 
projeto de autodefesa das mulheres. Ela diz que a dominação das mulheres não é natural. 
Militarismo e exploração começaram com o sistema tribal e a ideia de que as mulheres não 
podem tomar parte na defesa da comunidade, mas só podem servir os homens, mas o Estado 
formalizou essa mentalidade, de acordo com Meryem.

"Ao longo da história, como as mulheres são descritas? "Sua natureza opõe-se à guerra". 
Sim, é claro que isto é verdade, mas para as guerras de dominação. Mas autodefesa é 
diferente." Ela observou que a legítima defesa é uma propriedade fundamental e natural. A 
guerra é uma arte, Meryem diz, e as mulheres em particular, abordam dessa forma.
"Dizem as mulheres, "vocês não tem força de vontade, vocês não são fortes, vocês não podem 
ser uma liderança, vocês não podem proteger suas próprias vidas", disse Meryem. "As 
mulheres tomaram parte em muitas revoluções na história, mas seu papel sempre foi suprimido".

Ela observou que houve algumas dificuldades para as mulheres no início da defesa de 
Kobane, apesar da longa história de luta das mulheres em Rojava e no Curdistão em geral.
"Um número de camaradas da resistência Kobane, incluindo os mártires Sozdar e Roza, 
queriam as posições YPJ para ser separado dos homens -- porque nossos pais e irmãos nos 
disseram 'não pode fazer isso', disse Maryem. Mas as mulheres lutaram contra os homens que 
lhes disseram que não tinham nada na frente. Agora, seu papel é famoso. Mulheres mártires 
como Viyan e Peyman, deram suas vidas para Kobane. Mulheres do YPJ tem estado na vanguarda 
da guerra em locais como Serêkaniye e Efrîn.

"O Daesh fez uma maratona de Mosul para cá, mas eles foram parados em Kobane", disse 
Meryem. Dizendo que elas sentiram a necessidade de mostrar que as mulheres geradas na 
filosofia de Abdullah Öcalan nunca iriam desistir, disse ela ", enquanto houvesse um curdo 
ainda vivo, Kobane não iria cair."

As mulheres não estão apenas resistindo na guerra, de acordo com Meryem, mas na vida 
cotidiana. "Em qualquer lugar na sociedade que há um grupo que quer resistir a sua própria 
exploração, deve haver um mecanismo de autodefesa -- em cada rua, cada casa, cada local de 
trabalho.

"Por exemplo, as mulheres que trabalham em fábricas tem que se organizar. Elas precisam se 
reunir regularmente e se houver um ataque a uma mulher, elas precisam se unir." Meryem 
disse que a solidariedade feminina contra a exploração econômica e todas as outras formas 
de exploração precisa ser um reflexo de base.

"As mulheres são empurradas para a prostituição, como se elas não tivessem outra opção. As 
mulheres estão sendo apedrejadas quando elas próprias são vítimas de estupro. Estamos 
dizendo que há outra forma de viver. E a solução não é só as armas.

"A luta começa com o conhecimento de si mesmo," disse Meryem, salientando a importância da 
educação na luta do YPJ. "Nós avisamos os camaradas para que viessem até nós para aprender 
tudo o que eles queriam, incluindo como usar armas. Sua mente precisa estar aberta a 
tudo", disse. Desde o início, o estudo da filosofia de Abdullah Öcalan tem sido crucial 
para os esforços das mulheres para se organizar.

Meryem diz que, estupro, apedrejamento, rapto, femicídio e outros crimes contra mulheres 
aumentam na ausência da autodefesa. Em Dera Zor, 700 mulheres e crianças foram decapitadas 
diante dos olhos do mundo. Crimes contra a humanidade, como a campanha de Anfal de Saddam 
Hussein e do ataque Daesh em Shengal foram evitadas em Rojava somente graças à luta dos 
mártires. Ela observou os nomes das mulheres muitos mártires que se sacrificaram nas 
fileiras da frente: Revan, Gulan, Ozgur, Roza e outras milhares que deram suas vidas para 
viver livremente suas identidades.

A história está cheia de mulheres que lutaram, de acordo com Meryem, de Rosa Luxemburgo a 
Leyla Qasim e as três militantes curdas mortas em Paris. Meryem saudou as mulheres que 
continuam sua luta nas ruas no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Ela cumprimentou 
particularmente as mulheres que vão se reunir em Nusaybin, no norte do Curdistão na Marcha 
Mundial das Mulheres.

"As mulheres têm que se unir" disse. Ela diz que espera um dia para ver uma Assembléia 
Internacional de Mulheres.

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TEXTO EM: 
http://kurdishquestion.com/index.php/kurdistan/west-kurdistan/rewriting-women-s-history-in-rojava-part-2.html

http://www.cabn.libertar.org/reescrevendo-a-historia-das-mulheres-em-rojava-parte-2/


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