(pt) União Popular Anarquista (UNIPA) Causa do Povo #71 - “Frente de esquerda pelas reformas populares”: o novo engodo dos oportunistas

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Quinta-Feira, 5 de Março de 2015 - 11:18:42 CET


MTST, MST, CUT, PSOL e outros formam Frente. Qual o destino desta aliança com os 
governistas? ---- Após as eleições de 2014, alguns movimentos sociais, partidos e centrais 
sindicais estão se articulando por uma “frente de esquerda” contra o “golpismo de direita” 
e por “reformas populares”. Esta frente foi convocada pelo MTST (Movimento de 
Trabalhadores Sem Teto) na figura de Guilherme Boulos, em dezembro do ano passado, e conta 
desde o princípio com um grande arco de alianças com as burocracias sindicais e 
partidárias. Entre os signatários da “Frente”, estão: Movimento dos Trabalhadores Sem Teto 
(MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos 
Trabalhadores (CUT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), União Nacional dos Estudantes 
(UNE), Intersindical e Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Em uma segunda reunião em São Paulo, no dia 19 de janeiro, foi estabelecido um manifesto 
da “Frente Pelas Reformas Populares” com quatro eixos: “1 – Luta pelas Reformas Populares; 
2 – Enfrentamento das pautas da direita na sociedade, no Congresso, no Judiciário e nos 
Governos; 3 – Contra os ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e investimentos 
sociais; 4 – Contra a repressão às lutas sociais e o genocídio da juventude negra e pobre 
e periférica”. Porém, nessa reunião não se avançou em pontos concretos da luta popular, 
apenas nesses princípios genéricos. Tendo em vista que o espaço só deliberava por 
consenso, os governistas tinham poder de veto sobre propostas que iam contra os interesses 
dos governos, bastavam aos governistas discordar.

Qual o objetivo de uma tal “Frente de Esquerda”?

Não podemos exigir, tal como faz PSTU e outros grupos, que a Frente seja algo que nunca se 
propôs; desde o início o objetivo da Frente não é a articulação de um campo 
anti-governista e reivindicativo e sim a unidade com a burocracia governista. Dizem os 
organizadores que a Frente “será independente do governo, sem ser oposição”, mas é óbvio 
que essa neutralidade é impossível, e vindo da CUT essa afirmação chega ao cúmulo do 
cinismo. Devemos ter claro que essa linha política (que afirma que a oposição ao governo 
fortalece a direita) é mais uma das formas de mascarar o caráter neoliberal e 
desenvolvimentista da Era PT. É a negação da (auto)crítica do papel do governismo no 
último período.

Desde o ano de 2013 que a UNIPA afirma que um dos principais fatores positivos das 
Jornadas de Junho foi a contradição “direção X base” no movimento de massas. As massas 
populares não se referenciam mais nas burocracias sindicais e partidárias e se lançam para 
as lutas atropelando as direções pelegas, indicando que existe uma crise de organização da 
classe. Essa contradição tentou ser remediada na época das jornadas com um “dia de luta” 
farsante e covarde no mês de julho. Hoje, as burocracias tentam uma nova empreitada com 
essa “Frente pelas Reformas Populares”. Ela surge com um objetivo claramente renovador da 
estratégia reformista eleitoral, de prolongar a vida de um “novo campo social” de 
sustentação do reformismo que se lançará novamente nas disputas do Estado.

Aliás, não é à toa que essa Frente se organize logo após as eleições de 2014. Ela se forma 
como resposta às eleições e não como uma reposta a dinâmica da luta de classes. Ela visa 
atender os interesses eleitorais-institucionais da “esquerda” (especialmente para 2018), e 
não as demandas concretas dos trabalhadores e juventude que ocupou as ruas em junho de 
2013 e protagonizou as greves e rebeliões proletárias nos últimos anos.

Uma análise da luta de classes indica que o governismo nunca foi tão reacionário quanto 
nos últimos anos e o será nos próximos. Portanto, vivemos uma crise do governismo muito 
mais profunda. Nesse contexto não apenas a CUT, UNE e MST querem se apresentar como 
“independentes” do governo Dilma, mas o próprio PT e os petistas também esbravejam tal farsa.

A reforma política e as necessidades da classe trabalhadora

Um dos principais pontos que propõem os governistas é a luta pela Reforma Política. A 
“constituinte por uma reforma política” foi proposta por Dilma em junho de 2013 para 
desviar o foco das demandas populares vindo das ruas. Hoje ela cumpre o papel de 
“democratização da política” como solução “prévia”, como “ponto de partida” das demais 
questões. Ou seja, alegam que depois de democratizar a política, e a sociedade estiver 
incorporada ao Estado, as demandas econômicas e sociais (de operários, camponeses, povos 
indígenas, sem-teto, estudantes, etc.) poderão ser conquistadas. Novamente apresentam que 
a mudança virá pelo voto, por um plebiscito, por uma constituinte, por uma nova eleição.

Enquanto esse factoide é armado pelos governistas, a burguesia que domina o Estado não 
apenas vai aprovando medidas e ministérios reacionários, cortes de verbas pros setores 
sociais, arrocho salarial, aumento de tarifas de ônibus, luz, água; como também vai 
tratando de tutelar e adaptar aos seus interesses de classe a dita “reforma política”. 
Enquanto os oportunistas anunciam uma fantástica fantasia da democratização da política, a 
massa trabalhadora vive uma verdadeira ditadura em seus locais de trabalho, moradia e estudo.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/02/25/frente-de-esquerda-pelas-reformas-populares-o-novo-engodo-dos-oportunistas/#more-1741


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