(pt) Brazil, Coletivo Quebrando Muros - Bem Vind s Calour s 2015!

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Terça-Feira, 3 de Março de 2015 - 14:33:22 CET


Estar na universidade pública é um privilégio (segundo o Senso da Educação do INEP-MEC¹, 
só 27,5% da já restrita população universitária está nas públicas) e, parafraseando o tio 
Ben, com grandes privilégios, vêm grandes responsabilidades. É por isso que a Universidade 
pública não é só ensino na sala de aula, mas ela tem o dever de produzir conhecimento e 
tecnologia que possam ser revertidos para o povo. A Universidade pública é mantida por 
meio de recursos financeiros arrecadados, em sua maior parte, por trabalhadores de baixa 
renda, devido à desigual carga tributária brasileira, mas a maior parte deles não tem 
acesso à universidade ou ao conhecimento produzido nela.  Isso quer dizer que, apesar da 
Universidade ser pública, ela não é de todos.

E olha que, manter-se nela também não é fácil. Muito cursos exigem um comprometimento 
integral do estudante, mas ele não recebe o suporte mínimo para isso. É por isso que nós 
estudantes nos organizamos para modificar essa realidade, em busca, além da 
universalização do ensino superior público, de condições de permanecer na faculdade. Mas 
infelizmente, nada disso vem da bondade da reitoria ou do governo, cuja pauta prioritária 
nem de longe é a educação. Isso vale tanto para o governo federal, decretou um corte de 
verba de R$ 7 bilhões para o Ministério da Educação no começo do ano², como para o governo 
estadual que, em suas medidas de austeridade, reduziu recursos a ponto de colocar em 
situação crítica a existência de quatro das sete universidades estaduais³. Aprendemos que 
é só com a ação direta dos estudantes que conseguimos arrancar o que deveria ser de 
direito. Na UFPR por exemplo, pautas como as bolsas, moradia estudantil, utilização do 
nome social para pessoas trans, auxílio-creche, Restaurante Universitário funcionando em 
todas as refeições, ampliação dos acervos das bibliotecas, e até mesmo a internet sem fio 
gratuita, foram conquistadas. Tudo isso só foi possível com as greves, ocupações da 
reitoria e atos do movimento estudantil. Ainda há muito o que avançar, como nas 
Universidades Estaduais, que ainda lutam para conseguir muitas dessas pautas!

Também é preciso lutar contra toda forma de opressão na Universidade, contra o machismo, 
racismo, LGTBfobia e capacitismo. Essas injustiças só deixarão de existir com a 
mobilização de quem é diretamente afetado por elas, ou seja, seremos nós, mulheres, 
pessoas negras, lésbicas, transexuais, bissexuais e gays e pessoas com deficiência que 
podemos dar a direção dessas lutas, e seremos todxs nós estudantes que determinaremos 
quais são nossas pautas e como iremos alcançá-las.

As pautas são muitas, e tem muita gente se mobilizando para lutar.  Nós do Coletivo 
Quebrando Muros, convidamos vocês, calouras e calouros, para além de participar das aulas 
e festas, a se engajarem nos vários espaços políticos da universidade, como os centros 
acadêmicos, assembleias, rodas de discussões e protestos, e descobrir que a política é 
algo indissociável de nossa vida, e não deve ser restrita aos grandes homens e poderosos.

¹ 
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/09/matriculas-no-ensino-superior-sobem-38-e-atingem-73-milhoes-de-alunos.html

² 
http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2015/01/09/noticiasjornaleconomia,3374089/ministerio-da-educacao-perde-r-7-bilhoes-com-a-definicao-dos-cortes.shtml

³ 
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/sem-acordo-professores-mantem-greve-ek2qy9ujhqwkvwlooan7imrm6;jsessionid=395DDEC7C6A6504F05027F5327FA5310

https://quebrandomuros.wordpress.com/


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