(pt) Brazil, Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares - SOBRE NOSSA CONCEPÇÃO DE PODER POPULAR

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Domingo, 14 de Junho de 2015 - 10:53:35 CEST


"Podemos definir o Poder Popular como a síntese de um processo de dualidade política a se 
estabelecer na luta de classes, de maneira a inserir o povo nos processos decisórios e 
organizativos da sociedade, o elevando enquanto sujeito político por fora dos meios da 
institucionalidade burguesa. ---- [...] a construção do Poder Popular exige o trabalho de 
construção de unidade do conjunto das classes trabalhadoras. Unidade que não significa 
homogeneidade, mas sim uma diversidade que permite afinidade de interesses a partir da 
solidariedade (e não da subordinação a uma fração de classe pelo conjunto das demais), da 
ação direta (e não de uma elite política, escondida sob o nome de vanguarda e que acredita 
ser a "consciência" dos trabalhadores) e de práticas horizontais, federativas e 
autogestionárias. O Poder Popular não é propriamente o comunismo libertário, mas põe em 
cheque a institucionalidade burguesa e seu funcionamento, da mesma forma em que fornece os 
elementos e organismos básicos para a reconstrução social."
(CAZP - "Alagoas e a construção do Poder Popular")

SOBRE NOSSA CONCEPÇÃO DE SUJEITO REVOLUCIONÁRIO:

Para construir povo forte e poder popular é preciso construir os sujeitos da mudança, pois 
estes não são dados a priori. [...] a estrutura econômica-política é um ponto de partida, 
mas não define mecanicamente os agentes sociais transformadores.

A construção de uma identidade de classe tem na relação material, com o trabalho e o 
processo produtivo, elementos fundamentais e determinantes. Porém, não somente, pois nem o 
operariado, nem nenhuma classe, grupo social ou indivíduo perde seu vínculo com o espaço 
histórico-social em que se insere, espaço que ultrapassa as relações de produção. A classe 
tem na experiência e lutas históricas parte constituinte de sua tradição política e 
cultural, e isso será também determinante no processo de luta com intenções 
revolucionárias. Mesmo o operário existente em Alagoas não terá necessariamente o mesmo 
tipo de conduta média em relação ao de outra região. É aqui onde a universalidade também 
passa a ser construída pela particularidade. É aqui onde o "sotaque" e o meio 
histórico-social circunscrito exerce sua parcela de condicionamento ou influência.

O sujeito coletivo da mudança, o conjunto das classes populares, não pode ser considerado 
como algo já dado, mas que é forjado em meio às lutas e, por isso, o seu empoderamento na 
participação dos processos sociais e históricos tem seu peso significativo. É esse 
empoderamento que é o mais decisivo e a sua ampliação para os mais vastos setores 
populares é que vai ser o determinante nos caminhos a preencherem o conteúdo da 
transformação social, a saber, libertário.

Construir um povo forte em Alagoas é também afirmar uma identidade popular e um novo modo 
de perceber e se sentir pertencente a uma história e uma cultura, não aquela criada pelas 
elites, do alagoano condenado à resignação e ao sofrimento. Mas outra: uma identidade e 
uma história que deve fazer os lutadores de hoje herdeiros dos lutadores de ontem. Do 
quilombo palmarino e dos demais quilombos afirmando sua liberdade e capacidade política, 
da luta dos povos originários, indígenas caetés, afirmando sua soberania, dos cabanos 
afirmando sua ousadia. Destes para os campos, para as periferias, para a organização do 
trabalho, da sociedade na perspectiva de construção do Poder Popular.
(CAZP - "Alagoas e a construção do Poder Popular")


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