(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro FARJ (CAB) Libera #164 - Os 200 anos de Bakunin Frente sindical da CAB

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Segunda-Feira, 27 de Julho de 2015 - 18:06:52 CEST


Em 2014, relembramos os 200 anos do nascimento do revolucionário e anarquista russo 
Mikhail Bakunin. Militante exemplar, sua vida se confundiu com a luta dos trabalhadores de 
sua época, principalmente dentro da Associação Internacional dos Trabalhadores  (AIT). 
Junto com outros companheiros, também foi responsável pela constituição do anarquismo como 
força socialmente engajada na luta pela liberdade e igualdade. Em 1868, Bakunin ajudou a 
fundar a Aliança da Democracia Socialista, organização clandestina e a primeira 
especificamente anarquista da história, que atuou dentro da AIT. ---- Sendo a AIT o espaço 
que aglutinou e impulsionou as lutas dos trabalhadores nesse período, é importante pontuar 
que foram os acúmulos das correntes anti-autoritárias da Internacional que tiveram maior 
influência no movimento operário de nosso continente latino americano. Após o Congresso de 
Haya, da Primeira Internacional, as concepções estatista e federalista se separam em meio 
a fortes polêmicas e seguem caminhos distintos. E é a corrente
libertária do socialismo (federalista e anarquista) que vai impulsionar a conti-
nuidade da AIT. Em 1872, em Saint-Imier na Suíça, Bakunin e os federalistas
fundavam a Internacional conhecida mais tarde como anti-autoritária.

Dentro desse processo de radicalização das lutas, é necessário ter como
retomada de objetivo o Sindicalismo Revolucionário. Concepção de luta sin-
dical defendida por Mikhail Bakunin, que, recentemente foi apontado como
um "suspeito em potencial" de estimular as lutas e ter envolvimento com
elas, na capital carioca.

As seções e federações vinculadas à Internacional que foram se formando em
toda a América Latina contavam com orientações gerais bastante precisas e
com autonomia para o seu desenvolvimento, dando continuidade às propos-
tas federalistas e de sindicalismo revolucionário de Bakunin. Ele entendia o
sindicalismo como um meio e não um fim em si. E o papel dos anarquistas
deveria ser colocar combustível nos processos de mobilização da classe e
organizar as lutas junto com os/as trabalhadores/as. Fazendo a propaganda
da causa onde quer que se encontrassem os operários. Foi de fato na ação e
a partir das táticas consagradas pela experiência, que os contornos de uma
doutrina sindical mais radical foi tomando forma, tornando-se a expressão
histórica deste período.

A genealogia da Greve Geral

A ideia de greve geral foi lançada pelo Congresso da Internacional realizado
em Bruxelas, em setembro de 1868. Na ocasião, era uma ferramenta com
o objetivo de lutar contra a guerra naquele período. Mas foi em 1869 que
Bakunin, de forma pioneira, analisou todas as possíveis consequências e po-
tencialidades da Greve Geral:

"Quando as greves ampliam-se, comunicam-se pouco a pouco, é que elas estão
bem perto de se tornar uma greve geral; e uma greve geral, com as ideias de
liberação que reinam hoje no proletariado, só pode resultar em um grande ca-
taclismo que provocaria uma mudança radical na sociedade. Ainda não estamos
nesse ponto, sem dúvida, mas tudo nos leva a isso."

Bakunin traz assim importantes contribuições a esta concepção da greve
como ferramenta de mobilização de força dos/as trabalhadores/as, e que
"já indicam uma certa força coletiva, um certo entendimento entre os ope-
rários". Como prática da luta reivindicativa e de formação na prática, a greve
geral deve também encarnar a solidariedade entre os setores da classe opri-
mida, pois "as necessidades da luta levam os trabalhadores a apoiarem-se, de
um país a outro, de uma profissão a outra".

* Este texto é parte do Informativo Sindical da CAB, publicado em

https://anarquismorj.files.wordpress.com/2015/07/libera_164_web.pdf


More information about the A-infos-pt mailing list