(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro FARJ (CAB) Libera #164 - QUEM NÃO DEVE NÃO TEME

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Quinta-Feira, 23 de Julho de 2015 - 12:10:09 CEST


Um jovem negro corre na rua de seu bairro durante a noite. Ele veste um chinelo, uma 
bermuda e está sem camiseta. Então, uma viatura que o viu correndo acelera repentinamente, 
dá um "cavalo-de-pau" e para, interrompendo a trajetória do menino. O polícia (negro) com 
um fuzil M4A1sai do carro rapidamente com sua mira no meio da testa do jovem que corria e 
agora encontra-se parado, congelado e tremendo sem saber o que fazer... ---- O que fazer? 
O que fazer? O que fazer?... diz o coração do jovem que soca-o no peito. ---- - Para, 
para, para! - Grita o policial com o fuzil. O outro policial, que dirigia a viatura, 
também sai para dar cobertura ao companheiro. Todos na rua, em seus prédios e no posto de 
gasolina olham a cena com medo do menino.

- Por que você tá correndo?! - grita o policial.

A garganta do menino está completamente seca e ele não sabe o que responder.

- Tá com pau na boca, caralho? Responde.

- Eu... - engoliu seco essa palavra - Eu tô indo comprar remédio pra minha
tia.

- Encosta com as mãos pra cima na parede. Sei que você tá aprontando
algo, pivete!

O menino então faz o que o soldado mandou. O policial revista-o, enquanto
o outro, que antes dava cobertura, agora aponta o fuzil para o jovem esperando
qualquer movimento brusco do mesmo para num puxar de gatilho
aniquilá-lo. Pow! E era só dizer que fora auto de resistência.

O garoto tentava nem respirar para não se mexer, porém suas pernas tremiam
desesperadamente. A mão do soldado passou por seu corpo e parou
no bolso traseiro onde havia 10 reais. O policial pergunta:

- Quem te deu esse dinheiro? Você roubou? É pra comprar bagulho?

-Minha tia que me deu. Vim comprar remédio pra ela que tá com dor.

O policial faz uma pausa como se estivesse analisando as palavras do

menino e retorna:
- Onde tu mora?
- Subindo o beco d'Aparecida.
- Perto da boca?
- Não, não, senhor. Moro antes.
- Tá mentindo não, né? Sabe que se tiver mentindo a gente pega e quebra,
né? - Falou o policial agora estendendo o dinheiro para que o menino
pegasse.

- Sei sim, senhor. Tô mentindo não.
O menino pegou o dinheiro. O policial deu dois tapas de leve e apontou
para o rosto do menino:

-Tô de olho em tu... - O policial virou de costas e caminhou em direção ao
carro. Os dois saíram cantando pneu na mesma velocidade que chegaram,
viraram a esquina e sumiram.

O menino quieto continuou seu caminho para a farmácia. Agora não corria.
Não tinha mais vontade de correr, tinha apenas medo.

https://anarquismorj.files.wordpress.com/2015/07/libera_164_web.pdf


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