(pt) Federação Anarquista do Rio de Janeiro FARJ (CAB) Libera #164 - Semana da Consciência Negra no CPII

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Domingo, 19 de Julho de 2015 - 12:41:44 CEST


Na semana do dia da consciência negra foi realizado no Colégio Pedro II, unidade Realengo 
3 intervenções trazendo para dentro do colégio a violência vivida por muitos jovens negros 
no Brasil. Foram três intervenções em em três dias seguidos: ---- 1º dia: simulação de uma 
abordagem feita por justiceiros (milícia/polícia) a jovens negros; ---- 2º dia: os alunos 
que participaram da intervenção ficaram espalhados pelo colégio retratando diversas 
situações (da colonização até os dias de hoje) de violência ao negra/o (casos de prender 
pelo pescoço com corrente de bicicleta, enforcamento de negras/os, acorrentamento etc.) 
---- 3º dia: Recitação do poema "Gritaram-me Negra" de Victoria Santa Cruz.

"Gritaram-me negra"
Tinha sete anos apenas,
openas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!
"Por acaso sou negra?" - me
disse
SIM!
"Que coisa é ser negra?"
Negra!
E eu não sabia a triste verdade
que aquilo escondia.
Negra!
E me senti negra,
Negra!
Como eles diziam
Negra!
E retrocedi
Negra!
Como eles queriam
Negra!
E odiei meus cabelos e meus

lábios grossos
e mirei apenada minha carne
tostada
E retrocedi
Negra!
E retrocedi . . .
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
E passava o tempo,
e sempre amargurada
Continuava levando nas
minhas costas
minha pesada carga
E como pesava!...
Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre
ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Até que um dia que retrocedia,
retrocedia e que ia cair
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!
E daí?
E daí?
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
De hoje em diante não quero
alisar meu cabelo
Não quero
E vou rir daqueles,
que por evitar - segundo eles -
que por evitar-nos algum dissabor
Chamam aos negros de gente
de cor
E de que cor!
NEGRA
E como soa lindo!
NEGRO
E que ritmo tem!
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro
Afinal
Afinal compreendi
AFINAL
Já não retrocedo
AFINAL
E avanço segura
AFINAL
Avanço e espero
AFINAL
E bendigo aos céus porque quis
Deus
que negro azeviche fosse minha
cor
E já compreendi
AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
Negra sou!

https://anarquismorj.files.wordpress.com/2015/07/libera_164_web.pdf


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