(pt) Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares - BOLETIM CAZP #JUL 2015 - DIREITO A CIDADE E "MUNICIPALISMO LIBERTÁRIO"

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Quarta-Feira, 15 de Julho de 2015 - 15:19:16 CEST


A cidade que passou ao longo de sua existência a aglutinar o conjunto da população que 
antes ocupava em maior número o campo, e que buscava uma forma de organização societária 
de maneira a atender o bem coletivo, foi aos poucos sendo atravessada por uma relação de 
poder específica, denominada de domínio, que surgiu com a divisão em classes sociais e que 
implicava que a organização da vida atendia os interesses de uma minoria em detrimento da 
maioria. Isso permitiu o desenvolvimento do Estado, sendo um instrumento que sempre serviu 
aos interesses das classes dominantes, disfarçando sua política essencialmente opressora 
das mais variadas formas. ---- A construção da vida em sociedade implica em diferentes 
posições e ideias que serão disputadas por diferentes grupos e indivíduos - as relações de 
poder. A divergência e a disputa de ideias não é um problema a ser combatido, mas uma 
realidade do ser humano. Ocorre que em uma sociedade dividida em classes sociais, permeada 
por relações de domínio (tipo específico de relação de poder), os interesses das classes 
dominantes prevalecem contra o bem-estar coletivo, ainda que seja em nome deste.

Desde que as relações de domínio passaram a determinar a relação social e a forma de 
estruturar a cidade em que vivemos como uma das consequências também houve resistência das 
camadas que sofrem opressão. Mesmo considerando grupos melhor posicionados dentro da 
escala de acesso à produção material e cultural da humanidade, a maioria não constrói as 
políticas de gestão da cidade de maneira satisfatória. Quem tem influência decisiva nesse 
processo é a camada minoritária da sociedade, que confirma seu projeto de dominação com as 
políticas executadas pelo Estado, gestor das cidades.

Essa resistência, mesmo que não tenha saído do marco da dominação, garantiu alguns 
direitos dentro da organização da cidade. As necessidades mais imediatas pautaram a luta 
dos grupos dominados na disputa pela cidade. Se há exclusão da maioria de certos espaços 
da classe dominante, existem bloqueios de estradas que reivindicam as mais variadas coisas 
(saneamento básico, lazer, educação etc.), que podem travar toda a cidade.
Essas lutas imediatas constituem a possibilidade de construção de uma força social capaz 
de reivindicar a cidade para o conjunto de quem mora nela. Cada disputa de espaço na 
cidade pelos grupos dominados é um caminho trilhado na luta contra o Estado e por uma 
cidade para os trabalhadores.

No entanto, um desafio que se coloca é fazer o trabalhador - que está imerso no seu dia a 
dia, tragado pela rotina trabalho-casa-trabalho - pensar criticamente, para que se 
interrompa esse boom de projetos de exclusão social, que só geram lucros para o empresário.

Quando paramos e procuramos alternativas para ir de encontro aos problemas que todos 
sofremos no cotidiano, e se fizermos isso de maneira solidária aos outros setores que 
sofrem dos reverses provocados pela cidade capitalista, podemos ter uma chance de impedir 
o sucesso da classe dominante. Por mais difícil que seja, temos uma chance. Parar e 
aceitar é a certeza da derrota. Nós preferimos tentar. Cada derrota no projeto excludente, 
cada avanço em termos de mobilidade urbana, cada derrota da especulação imobiliária são 
vitória daqueles que concebem uma nova forma de se construir a cidade.
Não podemos esquecer que nossos espaços de convivência foram forjados numa sociedade 
profundamente desigual. Para termos êxito definitivo somente se aliarmos a luta do bairro 
com a luta por uma nova sociedade. Não esperemos uma nova sociedade para lutar pela 
melhoria de nosso bairro e de nossa cidade, mas não esquecemos que ela só ganha sentido se 
encararmos como degraus necessários para construção de outro patamar histórico.

https://cazp.wordpress.com/2015/07/08/boletim-cazp-jul-2015/


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