(pt) Brazil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Causa do Povo nº 72: América Latina: Desenvolvimento Capitalista e Conflitos no Campo

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Domingo, 5 de Julho de 2015 - 12:48:54 CEST


crescimento econômico da última década está vinculado a exportação agro-mineral e 
energética. Hoje, planos como o Puebla-Panamá e IIRSA visam criar corredores de exportação 
de minério, energia e produtos agrícolas por toda América Latina. A conjuntura 
internacional é marcada pela disputa dos EUA e países asiáticos, sobretudo a China, novo 
eixo de acumulação de capital. A China vem investindo na América Latina e anunciou o 
financiamento da Ferrovia Bioceânica que ligará a costa brasileira ao pacífico. Os 
projetos de exploração agro-mineral avançam, mas a resistência dos povos indígenas, 
afrodescendentes e camponeses se amplia por toda região. ---- A última década foi marcada 
por altas taxas de crescimento econômico. Essas taxas estavam vinculadas a exploração 
agro-mineral e energética destinada ao exterior. Projetos como Plano Puebla-Panamá e IIRSA 
(Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana) estão diretamente 
vinculados a esse plano. Esses planos têm como objetivo a criação de corredores de 
exportação de minério, energia e produtos agrícolas por toda América Latina. Em meio a 
estes planos os Estados da América Latina se encontram no meio da disputa entre China e 
Estados Unidos.

O governo Obama (Partido Democrata) tem como eixo de atuação a reafirmação do poder 
militar e econômico na região do Pacífico. Os EUA procuram exercer um controle geopolítico 
e econômico em toda região, incluindo o Oceano Indico. O deslocamento do eixo de 
acumulação de capital para Ásia tem levado a essa movimentação. Enquanto por outro lado 
tenta criar uma grande área de livre comércio no atlântico norte com a Europa.

Por outro lado, a República Popular da China procura fortalecer sua posição internacional 
e suas alianças geopolíticas e econômicas, tanto na Ásia como na América Latina, tendo em 
vista o fornecimento de matéria-prima para China e o estabelecimento do comércio sul-sul 
com os governos de origem socialista e trabalhista. Só em 2014 a América Latina captou 27% 
de todo investimento na exploração mineira mundial.

Assim, os Estados Unidos tem procurado manter sua influência na região, com negociações e 
desestabilizações de governos, ao mesmo tempo que negocia tratados de livre comércio. A 
China por sua vez vem investindo na região e anunciou o financiamento da ferrovia que 
ligará a costa brasileira ao pacífico (Ferrovia Bioceânica ou Transcontinental). Além de 
apoiar o projeto de criação do Canal da Nicarcaguá que beneficiaria sua posição e os 
investimentos russos e brasileiros no porto de Mariel em Cuba, que será operado pela 
empresa Singapur PSA International.

O Impacto e Resistência das Populações Indígenas, Camponesas e Afrodescentes.

Os projetos de mineração avançam por toda América Latina e a resistência dos povos 
indígenas, afrodescendentes e camponeses se ampliam por toda região. Vejamos alguns exemplos:

A própria construção do Canal da Nicarágua impactará todo ecossistema local e populações 
camponesas que dependem do Rio San Juan.

Peru

  No sul do Peru os camponeses lutam contra o projeto de exploração e processamento de 
cobre a céu aberto de Tia Maria, na província de Islay na região de Arequipa, distrito 
Cocacharra. O projeto pertence a empresa mexicana-estadounidense Southern Copper 
Corporation (SCC). O projeto teria duração de 21 anos para extrair 10 mil toneladas de 
cobre diárias utilizando as águas subterrâneas do Vale do rio Tambo. Os protestos se 
iniciaram em 2009 e 41 camponeses já foram mortos pelas forças policiais do governo de 
Ollanta Humala.

Colômbia

  Na Colômbia temos os conflitos de Santurbán, Colosa, La Toma, RíoRanchería, entre 
outros. Os camponeses e as comunidades afrodescendentes e indígenas tem se organizado 
contra o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA que pode aumentar a pressão 
extrativistas sobre seus territórios. Já foi organizado uma "Cimeira Agrária, Camponesa, 
Étnica e Popular" que reuniu 200 delegados de 28 departamentos pertencentes a 13 
organizações sociais que realizaram greves gerais e obrigaram o governo a negociação. É 
importante lembrar que na Colômbia, os combustíveis minerais são responsáveis por 66% de 
sua pauta de exportações; e no Peru, os minérios e combustíveis minerais constituem 63%.

Equador

No Equador quase 20% do território equatoriano foi tomado por projetos de grandes 
mineradoras chinesas, canadenses e europeias. As populações indígenas e camponesas 
passaram a travar uma luta "pela água e contra o extrativismo". As mega-mineradoras têm se 
espalhado pela América Latina causando danos ecológicos e sociais. Segundo a CONAIE 
(Equador) para produzir 1 grama de ouro usam-se 8 mil litros de água e removem-se 250 
toneladas de rocha. Uma mina pode consumir em uma hora a mesma quantidade de água que uma 
família camponesa gasta em 22 anos.

No Brasil projetos energéticos, como as hidrelétricas da Amazônia (Belo Monte, Santo 
Antonio, Jirau), de transporte, como a ferrovia que a China financiará e minerodutos como 
o projeto Rio-Minas tem impactado as populações locais, ribeirinhos, camponesas, 
quilombolas e indígenas. Encontram-se em discussão no Congresso a PEC 215 que se aprovada 
afetará os direitos territoriais de povos indígenas e comunidades tradicionais.

A Ferrovia Transcontinental (que irá passar pelo centro-oeste, Amazônia e Andes peruanos) 
foi anunciada oficialmente pelo governo Dilma (PT-PMDB) no último dia 09 de junho, como 
parte de um mega-projeto de privatizações da infraestrutura (segunda etapa do PIL, 
Programa de Investimento e Logística) que terá como valor total de "concessões" 194,4 
bilhões. A construção da Ferrovia é fruto da aliança entre China, Peru e Brasil e irá 
beneficiar especialmente o mercado entre América do Sul e Ásia. O segundo maior mercado da 
soja brasileira é a China. Tudo indica mais um projeto que aprofundará a corrida do 
agronegócio brasileiro, consequentemente o conflitos agrários e ambientais.

No Uruguai o Governo da Frente Ampla, de Mujica, defendeu o projeto de Mineração de 
Aratirí, da empresa transnacional ZaminFerrous que propunha uma mina a céu aberto e 
transporte em Mineroduto. Os povos locais e os agricultores locais conseguiram evitar o 
projeto. Diversos povos em todo continente tem resistido ao avanço dos megaprojetos 
capitalistas.

Todos estes projetos têm como objetivo o desenvolvimento capitalista que significa a 
destruição de outros modos de vida e do ecossistema local em prol da acumulação de capital 
que se concentra nos países centrais. Os governos e empresas se aliam internacionalmente e 
avançam sobre os povos para lucrar. Assim, a resistência dos povos deve também ser 
internacionalista.

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/06/26/america-latina-desenvolvimento-capitalista-e-conflitos-no-campo/


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