(pt) Movimento de Organização de Base - Nota do MOB-RJ referente a luta contra o aumento das passagens Janeiro de 2015

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Quarta-Feira, 28 de Janeiro de 2015 - 10:29:07 CET


O Movimento de Organização de Base (MOB) do Rio de Janeiro, vem por meio desta manifestar 
nossa solidariedade ao Movimento Passe Livre do Rio de Janeiro e todas/os que venham se 
somar nessa luta justa. O MPL nacionalmente vem organizando e pautando uma questão muito 
importante no cotidiano de trabalhadoras e trabalhadores, que é a luta contra o aumento 
das tarifas. Seu método, longe de depender de espaços institucionais e governos é ao 
contrário, impor pela organização e força das ruas a redução até a tarifa zero. Junto a 
outros movimentos, coletivos e organizações políticas que participaram dos encontros 
contra o aumento e seus atos, reconhecemos a importância desta mobilização e dessa pauta 
que influencia bastante o acesso da juventude e das/os trabalhadoras/es ao lazer, estudo e 
trabalho. Por isso o MOB está presente em encontros e atos puxados pelo MPL, por entender 
que o transporte para o trabalho, o estudo, o lazer e a organização dos trabalhadores e 
trabalhadoras é um direito básico e fundamental, que vai ser conquistado nas ruas.

O fortalecimento da luta das ruas e as assembleias como um mecanismo de luta contra o 
abuso de patrões e políticos é um caminho legítimo e correto na construção do poder 
popular. Reconhecemos deste modo, que o MPL e outras organizações ao criarem tais espaços, 
que possuem objetivo prático de fortalecer a luta das ruas contribuem para enfraquecer 
espaços burocratizados e movimentos atrelados ao governo. Ao fortalecer a ideia e a 
prática de que se conquistam as reformas na LUTA e nas RUAS o governismo, que gosta de 
espaços institucionais e burocráticos é golpeado. Mas sabemos que essa luta contra a 
burguesia e a burocratização é longa e não é ganha com um único golpe.

Reiteramos que a derrota de práticas burocratizadas vem não de um método autoritário e 
impositivo, mas sim do fortalecimento de espaços de democracia direta e protagonismo 
popular. Vencer o governismo e a burguesia sim, mas vencer pelo método correto. E para 
nós, o método correto é dar protagonismo aos movimentos populares autônomos e não 
deixá-los a reboque de organizações políticas que desejam tornar esses movimentos, cópias 
fiéis de seu próprio programa.

Quando os espaços coletivos que tocam as lutas “racham”, vence a burguesia, vence o 
governo, vencem os políticos, felizes por saber que a luta popular e os atos estão 
divididos. Venceremos os métodos burocráticos quando os movimentos autônomos conseguirem 
pautar a agenda e conteúdo das lutas por uma maioria que não seja construída 
artificialmente nem autoritariamente. Não achamos produtivo reproduzir o método 
autoritário com a qual o próprio governismo se nutriu em anos de atuação no movimento 
estudantil e sindical. Esse método autoritário de fazer política afasta o povo e não 
constrói germes de poder popular. Não se derrota a ação de uma vanguarda com práticas de 
vanguarda. Por exemplo, nos surpreendeu bastante que no último ato (23/01) realizado no 
Rio de Janeiro, setores políticos ignorassem o trajeto definido democraticamente no último 
encontro contra o aumento e mudassem por sua própria vontade seu destino. Tal prática, 
supreendentemente não foi realizada pelos partidos políticos que costumam desejar 
vanguardear as lutas, mas sim por setores independentes.

Para construirmos um novo modelo de movimento social e de política precisamos diferenciar 
nosso método dos métodos autoritários. É também necessário não artificializar a luta 
estrutural que deve ser operada nos espaços da classe, esses fundamentais para criar uma 
alternativa concreta e combativa à classe trabalhadora. Sem dar combate nesses espaços, 
criaremos um movimento ilusório e superestimaremos nossas forças. O sectarismo impede a 
análise correta das forças e deseja impor pelo autoritarismo algo que só se constrói com 
muito trabalho de base e que será fruto de uma construção coletiva de um MOVIMENTO DE 
MOVIMENTOS, não de uma única organização.

O MPL vem trazendo de modo generoso e fugindo da tradição autoritária de busca de 
hegemonia, o debate contra o aumento para o conjunto das forças da esquerda. Infelizmente 
há determinadas práticas que estão mais preocupadas em tomar controle das lutas, na velha 
tradição vanguardista e autoritária do que em construir um espaço de unidade com 
fisionomia autônoma e classista. Ao isolar o MPL, certas forças autônomas, que desejam 
combater o governismo e a burocracia, fazem exatamente o contrário do que se propõe. Ao 
enfraquecer e dividir os grupos autônomos, a burocracia  se fortalece. Lembramos que tal 
espaço de debate coletivo não é responsabilidade apenas do MPL, mas de todos os lutadores 
e lutadoras comprometidas com a autonomia da classe trabalhadora. Ao implodir esses 
espaços pelo método autoritário, implodimos o único elemento de pressão ao governo e aos 
capitalistas: o povo organizado indo às ruas.

O MOB-RJ também repudia veementemente a prática difamatória de insinuações que um 
movimento social legítimo e autônomo (MPL) tenha ligações com a polícia e a Rede Globo. 
Nós que possuímos militantes moradores de favela, sabemos que uma insinuação desta pode 
condenar alguém a morte. É inadimissível que tais setores tentem justificar tal assertiva 
com base em divergências políticas numa assembleia. NADA justifica tal insinuação por 
maior que seja a divergência política. Tal prática não é uma prática da classe 
trabalhadora, é injustificável em si e merece todo nosso repúdio.

Repudiamos igualmente, a prática de xingar outras organizações políticas nos atos, por 
maior que seja a divergência ou assediar e ameaçar quem quer que seja. No ato do dia 23, 
nos juntamos em determinado momento ao MPL-Rio para decidir coletivamente o que fazer 
junto ao impasse que se traduzia no final do trajeto do ato. Indivíduos ligados ao bloco 
do setor “combativo”, passaram a gritar com agressividade contra militantes próximos a nós 
e estigmatizá-los, atrapalhando nossa reunião emergencial numa tensão que obviamente 
poderia ter acabado facilmente numa agressão física.

Reiteramos que acreditamos na unidade de ação da classe trabalhadora. Os métodos mais 
corretos serão filhos do tempo, não da autoridade. Ao fortalecermos movimentos sociais 
autônomos construimos germes do poder popular e combatemos os capitalistas e os governos 
de turno. Reforçamos assim nossa posição já expressa e cantada no último Grito dos 
Excluídos (2014): “O movimento social não pode se dividir, a unidade é importante para 
nossa luta seguir!”


Lutar pela base!

Derrotar o aumento, a máfia do transporte e o governo de turno pela força das ruas e com 
um método democrático!

Dar protagonismo dessa luta aos movimentos populares!

https://organizacaodebase.wordpress.com/2015/01/26/nota-do-mob-rj-referente-a-luta-contra-o-aumento-das-passagens/


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