(pt) France, Comunicado da federação anarquista e dois outros textos sobre o atentado contra a redacção do Charlie Hebdo (en, fr) [traduccion automatica]

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Quinta-Feira, 8 de Janeiro de 2015 - 13:02:42 CET


A Federação Anarquista tomou conhecimento com horror do massacre perpetrado nas 
instalações do jornal satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos e um número maior de 
feridos. ---- Partilhamos a emoção, a indignação e a dor das famílias, dos amigos, dos 
colegas, depois deste crime odioso. Entre as vítimas, algumas colaboraram em determinada 
altura no Monde Libertaire, e embora as nossas posições possam ter divergido, eles 
continuarão na memória de numerosos camaradas. ---- Este atentado deve-nos relembrar que o 
obscurantismo religioso enquanto política é assassino. ---- Nós condenamos os assassinos, 
mas estaremos igualmente vigilantes face às reacções da extrema-direita ou ao dispositivo 
policial do Estado. ---- Nós continuaremos a combater a opressão, o autoritarismo e a 
intolerância, que se escondem atrás da religião, da nação ou da ordem securitária.

Federação Anarquista, 7 de Janeiro de 2015

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Nem deus Nem mestre!

Os nossos camaradas do Charlie Hebdo acabam de pagar um pesado tributo pela liberdade de 
expressão. Vários polícias fazem parte igualmente das vítimas.

Nós prestamos homenagem a todos e a todas estas vítimas.

Os anarquistas são, em geral, ateus. Denunciam desde sempre TODAS as religiões como sendo 
o ópio do povo. E TODAS as igrejas, dealers deste ópio.

No entanto os anarquistas respeitam a liberdade de crença desde que ela se exerça no 
quadro duma sociedade laica. O que implica o direito de criticar TODAS as religiões.

Este direito foi hoje posto em causa pelo fanatismo religioso.

Nestas condições, hoje, o nosso dever é de criticar, duma forma ainda mais forte que 
Charlie Hebdo, TODAS as religiões.

E o dever dos nossos camaradas, amigos, concidadãos ou simplesmente vizinhos, crentes, é 
de denunciar de forma alta e clara estes assassinatos fascistas.

Grupo J.B Botul - Federação Anarquista

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Não uivaremos com os lobos!

O atentado cometido esta quarta-feira 7 de Janeiro pela manhã contra o Charlie Hebdo por 
alguns indivíduos, reclamando-se do Islão, não nos deve fazer perder a capacidade de 
raciocínio, apesar da emoção, bem compreensível, que nós partilhamos, de muitos camaradas 
nossos. Se num determinado período o meio libertário, muito em particular a nossa 
organização, esteve próximo destes herdeiros do Hara Kiri, a sua emanação contemporânea já 
nos deixou de fazer rir há muito tempo.

Não escolhemos nem vamos escolher entre integristas e desinibidores dum racismo "de 
esquerda". Nós não escolheremos entre reaccionários religiosos de que conhecemos bem as 
práticas qualquer que seja a sua seita e um jornal veiculando a islamofobia debaixo da 
cobertura da laicidade e da liberdade de expressão. Desde a sua origem a nossa organização 
combate todas as religiões e as suas emanações integristas venham de onde vierem. Não 
cairemos na armadilha grosseira da unidade nacional contra "o inimigo comum".

A nossa solidariedade vai para aqueles que vão sentir o ricochete deste assassinato 
imbecil e criminoso a mais do que um título. Já se ouviu o tiro de partida para a caçada e 
o que retém o poder "socialista" de se lhe entregar totalmente é o medo de não serem eles 
a recolherem os frutos nas próximas eleições. Vemos já florirem os discursos sobre a 
guerra civil, apenas algumas horas depois deste atentado.

Nós não escolheremos também o terreno duma extrema-esquerda que confunde, na sua estupidez 
essencialista e politiqueira, realidades tão diversas como o proletariado, o Islão, o 
racismo, os sem-papéis ou os "jovens da periferia", fantasiando sobre um alegado potencial 
revolucionário dos muçulmanos.

Este atentado dá-se num período de estigmatização dos muçulmanos ou assimilados enquanto 
tal. É preciso relembrar que a islamofobia é um instrumento do poder visando dividir a 
nossa classe e as suas lutas. Ela não se desenvolve como reacção a um alegado "problema 
muçulmano". O movimento anti-Islão alemão "Pegida", que ganha dimensão, é caracterizado 
por esta psicose, mas a população "muçulmana" deste país representa menos de cinco por 
cento da população.

No entanto, é principalmente sobre este sentimento de invasão, "de islamização", que a 
extrema direita se estrutura nestes últimos anos. Não temos nenhuma dúvida de que o 
massacre reaccionário de Charlie Hebdo vai reforçar este fenómeno e dará à FN (Frente 
Nacional, fascista) e aos seus satélites uma maior legitimidade para defenderem a 
existência de um conflito étnico como problema de fundo e a escolha nacional como solução.

Neste período conturbado, os anarquistas devemos guardar a cabeça fria e manter uma linha 
de demarcação clara entre nós e os nossos inimigos: integristas de todas as capelas, 
xenófobos de esquerda como de direita, sexistas de todos os horizontes e pretensos 
comunistas virados para a reconciliação nacional e para o inter-classismo.

Grupo Regard noir - Federação Anarquista

aqui: http://www.federation-anarchiste.org/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/01/08/franca-comunicado-da-federacao-anarquista-e-dois-outros-textos-sobre-o-atentado-contra-a-redaccao-do-charlie-hebdo/


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