(pt) Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL): MANIFESTO MARÉ CONTRA O EXTERMÍNIO (en)

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Terça-Feira, 24 de Fevereiro de 2015 - 18:53:43 CET


Manifesto Maré contra o Extermínio escrito por moradorxs e companheirxs do Complexo da 
Maré ainda no calor do confronto ocorrido ontem, 23 de fevereiro de 2015. Pedimos que cada 
indivíduo ou coletivo que apoie este manifesto o assine e compartilhe para o maior número 
de pessoas possível. ---- Todo apoio e solidariedade aos moradores do Complexo da Maré! 
---- Semana passada na Maré: ---- - Dia 12 de fevereiro: cinco amigos tiveram o carro 
fuzilado pelos militares no Salsa e Merengue quando voltavam de uma festa. Um dos 
ocupantes do veículo além de ter perdido a perna, continua internado em estado grave. ---- 
- Dia 20 de fevereiro: um pedreiro foi assassinado enquanto fazia o seu trabalho na Vila 
do João. ---- - Dia 21 de fevereiro: cinco pessoas foram alvejadas dentro de uma Kombi que 
fazia o trajeto Maré X Bonsucesso ---- - Dia 23 de fevereiro: uma criança de 11 anos foi 
alvejada nas costas por um tiro do Exército Brasileiro. O próprio Exército impediu a 
retirada imediata da criança para o hospital.

Diante de todos esses crimes bárbaros cometidos pelo Estado, um ato pacífico foi 
organizado por moradores no Conjunto de Favelas da Maré na noite do dia 23 de fevereiro de 
2015. A Avenida Brasil foi tomada por mais de 500 pessoas indignadas entre moradores e 
movimentos sociais do Rio de Janeiro. Nem mesmo a presença de policiais e soldados do 
exército armados para o genocídio foi capaz de impedir a travessia dos muros que cercam as 
favelas: passos firmes de uma população que não suporta mais viver sob o gosto amargo da 
militarização do seu cotidiano.

A resposta das forças repressivas foi o uso desproporcional de seu pesado armamento contra 
os punhos cerrados dos moradores da Maré. O grupo de revoltados que descia o Morro do 
Timbau para agregar-se à manifestação que já alcançava a Linha Vermelha foi cercado em 
tiroteio protagonizado pelo Exército e Polícia Militar.
A dispersão foi inevitável e até agora seguimos acompanhando as alarmantes notícias de 
incontáveis feridos e vítimas mortais da brutalidade do Estado.

Aqueles que se manifestavam contra os constantes tiroteios, assassinatos e pessoas feridas 
diariamente na comunidade se transformaram nas novas vítimas de um processo de 
“pacificação” mentiroso, que cala vozes que insistem em ser dissonantes com bombas de gás 
lacrimogênio, spray de pimenta e tiros de bala de chumbo e aço. Nós dos movimentos sociais 
repudiamos tamanho extermínio da população favelada carioca – não só da Maré como em 
diversas comunidades supostamente “pacificadas” da metrópole carioca.

É claro para nós quem são os responsáveis pelas atrocidades dos atos de hoje. A culpa não 
é da favela! A culpa é do Estado!

Assinam este manifesto:
GEP (Grupo de Educação Popular)



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