(pt) Brazil, FARJ - Libera #163 - Massacre de estudantes no México; Sarau no CEAT; 150 anos da AIT; +

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Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2015 - 12:34:00 CET


Nós da FARJ nos solidarizamos com os familiares, amigas/os e companheiras/os dos 46 
estudantes sequestrados, torturados, assassinados e desaparecidos no dia 26 de setembro em 
Iguala, no México. Nesse massacre estão envolvidas a prefeitura e a polícia de Iguala, que 
entregaram os jovens para os traficantes de drogas do cartel Guerreros Unidos. ---- No dia 
8 de outubro houve um ato no consulado organizado por mexicanos que moram no Rio de 
Janeiro expondo a indignação sobre o acontecimento. ---- Sabemos o quanto os estudantes 
são perseguidos dentro e fora da escola quando querem lutar por seus direitos e por isso 
não deixaremos de nos solidarizar, ajudar e apoiá-los para que esse setor esteja cada vez 
mais forte e organizado.

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Sarau no CEAT

A conteceu no dia 18 de outubro o Sarau do CEAT (Centro
Educacional Anísio Teixeira), realizado pelo Grêmio Estudantil
Luís Travassos (LUT). O tema escolhido pela maioria dos estu-
dantes foi a Idade Média, e o evento contou com a presença de
mais de 300 pessoas com apresentações de bandas, palhaçaria,
exposições de fotos e salas temáticas. O evento foi uma demons-
tração de autogestão e esforço coletivo, terminando com chave
de ouro na apresentação do grupo Us Neguin Q N C Kala. A
solidariedade entre estudantes e funcionários também foi im-
portante e nas palavras destes últimos: "fazia muito tempo que
não nos divertíamos tanto em um Sarau". A Cooperativa Jataí
marcou presença com sua banca de livros em mais esta ativida-
de do Grêmio, que conta também com nossa atuação militante.
Todo apoio ao Grêmio LUT!

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150 anos da AIT

Junto a outros grupos e
organizações o Núcleo de
Pesquisa Marques da Costa e
a Cooperativa Jataí organiza-
ram e apoiaram a atividade
que relembrou os 150 da
Associação Internacional dos
Trabalhadores. Nos dias 23 e


24 de setembro, na Universida-
de Federal do Rio de Janeiro,
realizou-se a mesa intitulada
"150 anos da AIT: a tradição
anarquista". Este espaço home-
nageou a importante iniciativa
dos trabalhadores e trabalha-
doras do século XIX que ficou
mais conhecida como a Primei-
ra Internacional. O momento
histórico foi resgatado e co-
memorado a partir da iniciativa
das organizações proponentes,
mais especificamente, o Ins-
tituto de Estudos Libertários
(IEL), o Nucleo Pró-Federação
Libertária de Educação (FLE)
e o Núcleo de Pesquisa Mar-
ques da Costa (NPMC). Contou
ainda com o apoio da Liga
Anarquista e da Cooperativa
Jataí, além da própria universi-
dade através da ECO/UFRJ.

Cabe salientar que a partici-
pação dos que estiveram pre-
sentes, entre palestrantes e
debatedores do público em ge-
ral, foi essencial para tirarmos
deste tipo de atividade as con-
sequências políticas para a so-
ciedade que tanto defendemos
enquanto anarquistas organiza-
dos. Companheiros como Hu-
gues Lenoir (Universidade de
Paris X), José Damiro de Mo-
raes (UNIRIO), Milton Lopes
(NPMC), Frank Mintz (CNT
da Rua Vignoles) animaram os
debates com suas pesquisas
sobre a AIT, a educação e o
movimento operário. Como
mediadores tivemos a parti-
cipação da professora Angela
Martins (UNIRIO) e militan-
tes do NPMC, e a presença
de um esforçado tradutor,
banquinhas de materiais, uma
mesa de comes e bebes e o
registro audiovisual realiza-
do pela Rede de Informação
Anarquista. Pela organização
política, para além do mo-
mento em si, o que podemos
afirmar como êxito da inicia-
tiva é o reforço a máxima da
companheirada pesquisadora
de dentro e de fora do NPMC:
Memória é Luta!

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Libertem Rafael Braga!

Rafael Braga Vieira foi preso no dia 20 de junho de 2013 du-
rante uma grande manifestação ocorrida no Centro do Rio
de Janeiro. Ele afirma que portava duas garrafas lacradas de um
produto de limpeza, porém na delegacia os poli-
ciais apresentaram garrafas abertas, com panos e
pavios, e uma delas contendo álcool. Rafael então
foi preso, julgado e condenado por supostamen-
te estar portando "coquetéis molotov". Os juízes
alegaram, mesmo depois de perícia indicar que as
garrafas de plástico e os líquidos tinham potencial
explosivo mínimo, que ele tinha intenção de prati-
car atos violentos, mas por ser iniciante, construiu
os artefatos de maneira errada.

Rafael foi condenado a 5 anos de prisão com jul-
gamento baseado em provas forjadas pela polícia,
algo que se tornou comum durante as manifesta-
ções desde junho de 2013, o que pode ser com-
provado com diversos vídeos que estão dispo-
níveis na rede. Porém, ainda que Rafael estivesse
com garrafas plásticas de álcool, é um absurdo
pensar que qualquer outra pessoa seria presa por portar esse
tipo de produto

Rafael era um trabalhador informal, catador de latinhas, que se
encontrava em situação de rua durante a semana pois não volta-
va para casa a fim de economizar os trocados que conseguia. Ele
faz parte das mais de 37 milhões de pessoas que são excluídas
do transporte público no Brasil devido ao alto custo das tarifas.

Atualmente, após passar mais de um ano em Bangu, ele cumpre
pena em regime semiaberto na Casa do Albergado em Niterói,
saindo apenas para trabalhar. Sua pena foi reduzida em apenas
4 meses, após uma grande mobilização e pressão feitas duran-
te uma vigília em frente ao Tribunal de Justiça, e a apelação por
parte advogados do Instituto de Defensores dos Direitos Hu-
manos (IDDH), que acompanham o caso. Porém, um sentimento
de frustação ficou nos militantes presentes, diante da injustiça de
uma redução tão pequena, quando na verdade o Rafael deveria
estar em liberdade.

Não podemos ter ilusões com a justiça burgue-
sa. Ela é racista e classista da ponta dos pés aos
fios de cabelo e funciona com base num sistema
de dominação. São sempre os negros e mais po-
bres que são julgados, condenados e presos, isso
quando não são assassinados pela Polícia Militar. A
justiça só pode ser pressionada com a luta popular
organizada, que ocupa as ruas e faz aqueles que
estão no poder serem colocados contra a parede.
Sabemos que as prisões foram feitas, como disse
o anarquista Piotr Kropotkin, para extinguir todas
as qualidades que tornam um ser próprio para a
vida social, e que o primeiro dever da revolução,
"quando as relações do capital e do trabalho te-
nham se alterado radicalmente" será o de "acabar
com esses monumentos de hipocrisia".

O fato é que a condenação de Rafael não foi uma ação isolada.
Os trabalhadores e a juventude negra sempre foram os mais
atingidos pelo genocídio promovido pelo Estado brasileiro. E a
condenação desse jovem desempregado e morador de rua visa
dar um recado para juventude e para o povo. É a "conta da fatu-
ra" de junho de 2013 batendo à porta e sendo paga, da maneira
mais dura, pelos setores populares mais é atingidos pelo capital
e pelo Estado.

Que a solidariedade de classe ultrapasse as diferenças e os pri-
vilégios. Que possamos continuar pressionando pela libertação
de Rafael Braga! Essa derrota também é nossa. Mas a caminhada
e a luta também!

A justiça não é cega nem neutra! Ela é burguesa!

Libertem Rafael Braga!

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II Gritinho dos Excluídos

Atividade com projação do II Gritinho dos excluídos, em Vila Isabel

Com o intuito de se preparar para o 28o Grito dos Excluídos,
que ocorre na Av. Presidente Vargas todo o ano, foi realizado
o II Gritinho dos Excluídos, no dia 06 de setembro de 2014, em
Vila Isabel, com as crianças do Germinar, trabalho esse desenvol-
vido pelo Movimento de Organização de Base (MOB). A proposta
dessa atividade é ser um meio de formação que possibilite às
crianças refletirem sobre as condições sociais que permeiam o
bairro de Vila Isabel. Assim, ocupando o espaço público, a Praça
Barão de Drumond, foram projetados curtas e músicas dos Sem
Terrinha com a colaboração do Coletivo Projetação, mais a roda
de capoeira angola do Grupo Mocambo de Aruanda e um lanche
solidário ao final. Atividades como estas são simbólicas para pau-
tarmos nossas posições sobre os direitos das classes exploradas,
reivindicando o espaço público, na prática da ação direta, como
utilidade popular. Também foi importante o interesse das crianças
em conhecerem outras culturas, inseridas em distintos campos
de luta, para compreensão do significado do poder popular que
defendemos e que é construído por diferentes movimentos so-
ciais.

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140 ANOS DE MAGÓN -- 16 de setembro de 1874 21 de novembro de 1922

Pensemos no tempo que virá:
pensemos nos meios novos
que nos oferecem, e os aproveite-
mos. Mas, para aproveitá-los, de-
vemos recordar que uma revolu-
ção não se produz segundo uma
linha precisa traçada por um fi-
lósofo ou um poeta. A revolução
se produz de qualquer modo e se
desenvolve em um sentido ou em
outro, segundo a força que nela
atua. Se para se fazer a revolu-
ção quiséssemos esperar que ela
comece com um programa preci-
so, anarquista ou comunista, nos
arriscaríamos a esperar em vão.
A massa se tornará anarquista e
comunista durante a revolução,
depois de se começar a revolução,
não antes. Devemos estar em to-
dos os movimentos revolucioná-
rios que possam conduzir a uma
revolução e trabalhar para que os
acontecimentos não tomem outro
rumo senão o que desejamos.

Malatesta

Fazemos nossa, a opinião de
Malatesta. Alem disso, nós
membros do Partido Liberal
Mexicano não nos conforma-
mos em esperar até que se
comece a revolução mexicana,
mas a forçamos, a precipita-
mos para ter a oportunidade
de influenciá-la com a ação e
com a palavra até o comunis-
mo anárquico.

[...] Esta é a força moral e fí-
sica que trabalha no seio do
tubarão revolucionário, como
o fermento que terá como re-
sultado a destruição definitiva
do atual sistema, e a formação
da nova sociedade dos livres e
iguais.

O dever dos verdadeiros re-
volucionários do mundo intei-
ro é ajudar, com todas as suas
forças, o movimento mexicano,
seguindo assim ao pé da letra
as sábias palavras de Malatesta.

Adiante!

O Dever do Revolucionário

Regeneración, 13 de junho de 1914


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