(pt) Organização Resistência Libertária ORL - SOBRE A POLÍTICA ARCAICA DE COMBATE ÀS DROGAS

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Segunda-Feira, 9 de Fevereiro de 2015 - 10:26:09 CET


"A marcha fúnebre prossegue" ---- Facção Central ---- Secretarias, órgãos e instituições 
do Estado apresentam um discurso único na mídia corporativa e repetem constantemente que 
combaterão as drogas em 2015. Os deputados e o atual governador do Estado prometeram um 
plano de segurança ostensivo: mais polícia na rua, mais esquadrão Raio, construção de 
novos presídios, diálogo com as forças repressivas e o aumento de equipamentos para a 
repressão. ---- Tanto a direita quanto a esquerda parlamentar apresentaram seus planos de 
segurança na farsa eleitoral do ano passado. A esquerda eleitoral, com seu reformismo, 
apresentou um fajuto modelo em que o consumo de determinadas drogas seria controlada pelo 
Estado. Distribuição e consumo controlados pelo Estado? E o livre arbítrio para produções 
coletivas e domésticas de autoconsumo? É... fazem parte do programa dos partidos diversas 
formas de controle social. Parece ser uma pauta avançada, mas a intervenção estatal sempre 
visará controlar e vigiar os passos do povo.

Na realidade, este combate às drogas vem associado ao massacre da juventude periférica e 
pobre, em sua maioria negra. A tradução desse discurso no cotidiano é a criação de "zonas 
de extermínio". Essas zonas estão na periferia, áreas sem bibliotecas, sem uma real 
formação para a vida, sem uma articulação entre os serviços sociais básicos e com altos 
índices de desemprego formal. Isso implica uma juventude sem acesso a serviços essenciais, 
sem uma renda satisfatória para manter as necessidades mais básicas.
A única coisa que chega a qualquer horário batendo à porta dessa parcela da população é a 
repressão. A principal violência em nossa sociedade é a do Estado! Essa juventude é 
chamada de vagabunda por muitos "especialistas" da (des)segurança pública, e os referidos 
vagabundos, na concepção dos "especialistas", seriam aquela parcela matável. Essa 
propaganda aparece todos os dias nos programas policiais sensacionalistas, programas que 
são patrocinados por empresas de segurança, bebidas alcoólicas e funerárias. A ligação 
entre mídia e patrocinadores movimenta um verdadeiro mercado do terror.

Vivemos uma guerra não declarada, em que a pena de morte é a punição para quem não se 
adequa ao sistema. Nossa sociedade é concorrencial e excludente, e esses pilares do 
capitalismo são cartas fundamentais para nossa divisão. Assim, "no jogo do sistema é 
favelado versus favelado", como diria nossos companheiros do Apologia do Gueto.
Muitos, quando falam em extermínio da juventude, gostam de apresentar dados sobre 
homicídios e acabam omitindo que o Estado contribui diariamente de outras maneiras para o 
extermínio da juventude pobre e negra. Eles omitem que os precários serviços sociais é que 
o verdadeiro extermínio, em que o posto de saúde fica sempre lotado, o transporte coletivo 
é sucateado e caríssimo, as unidades de "internação" para a juventude em conflito com a 
"lei" são superlotadas e o direito ao Ensino Superior para a maioria da periferia é negado 
pela "porta" do vestibular (SISU).

A solução apresentada pelo governo do Estado em conjunto com as forças repressivas é a 
criação de uma Secretaria de Combate às Drogas, que na prática já se vislumbra que será um 
combate a uma juventude que não teve direito algum durante sua vida. Será um combate a 
quem tem falta de quase tudo no cotidiano. É a visão arcaica e falida de sempre aumentar a 
repressão. Os cerca de 18 mil homens da polícia militar (PM) do Estado terão carta branca 
para ações mais truculentas.

Paralelo a isso, números e mais números são apresentados. Na Educação, o governo Dilma 
acaba de colocar um Ministro da Educação cearense. O mesmo que entrou com ações no STF 
para barrar a Lei do Piso Nacional do Magistério e que reprimiu violentamente as 
professoras e os professores na última greve do Magistério estadual cearense (2011). Eles 
propagandeiam os mais de 90% de alunos matriculados na escola básica. Isso não diz muita 
coisa, isso demonstra a hipocrisia do Estado e só ajuda a esconder a miséria da educação 
nesse estado e nesse país. Qual a função da escola cada vez mais tecnicista na atualidade? 
Qual a lógica das escolas "profissionalizantes"? Perguntas que respondemos simplesmente 
afirmando que a Escola mantém, como sempre manteve, sua função de apenas formar seres 
utilizáveis para o mercado e obedientes ao Estado.
O LADO SUL DA REGIÃO METROPOLITANA (RM)
[...] quem é que vai morrer por aqui não tem dublê, o roteiro é macabro o protagonista é 
você[...] Apologia do Gueto

Crianças e adolescentes aumentam os números das estatísticas sobre violência em nosso 
Estado, mas a violência da desigualdade não é discutida, simplesmente se naturaliza. A 
violência estatal não entra na estatística. As mortes que ocorrem em presídios, nas filas 
de hospitais, no campo e nas fábricas dificilmente são relatadas pelo Estado. Se falarmos 
só em homicídios, segundo o Mapa da Violência de 2012, Maracanaú e Fortaleza disputam o 
primeiro lugar em termos de homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes. Em 
números absolutos, Fortaleza ocupou a sexta posição e Maracanaú a 23ª colocação numa lista 
das 100 cidades com as maiores taxas de homicídio do Brasil. Muitos são os jovens que não 
aparecem nessa estatística, simplesmente somem de um dia para o outro. Ninguém sabe o que 
realmente ocorre dentro das unidades de "internação" para os jovens em conflito com a 
"lei". Há também aqueles que passam por tortura, não suportam as sequelas e cometem suicídio.

No Maracanaú, assim como em outras cidades, a corrupção faz parte das estruturas de poder. 
A corrupção é intrínseca ao sistema capitalista. Ela permeia todas as instituições do 
sistema, inclusive, é claro, a policial. Não é apenas uma questão de "baixos rendimentos" 
que faz com que atos corruptos surjam entre os policiais. O que podemos esperar de quem 
tem a função de reprimir o povo que já é super explorado pelos patrões e governos? O que 
podemos esperar dos que ganham semanalmente uma "gorjeta" fazendo a RONDA nas propriedades 
privadas? Que o digam os postos de combustíveis e os grandes estabelecimentos...

O bairro do Conjunto Timbó, em Maracanaú, foi constituído por famílias vindas das diversas 
áreas periféricas de Fortaleza. Historicamente, a comunidade do Timbó teve e tem seu solo 
manchado por sangue, já passou por diversas ocupações e é um dos locais preferidos para 
"desova" de corpos. A ação policial (militar e civil) sempre foi truculenta e abusiva no 
bairro, principalmente com a juventude, e, em grande medida, as desovas (nas margens do 
Rio Timbó) foram realizadas por esses repressores. No Timbó faltam espaços para o 
desenvolvimento de arte e cultura no bairro. Nosso esgoto é jogado diariamente em um dos 
afluentes do Rio Cocó, as mazelas provocadas pelo sistema de dominação em que sobrevivemos 
estão presentes diariamente em nosso meio.

De meados de dezembro de 2014 até as primeiras semanas de janeiro de 2015, três foram as 
mortes ocorridas no Timbó. Tiros, conflitos, polícia e o chão vermelho de sangue, 
praticamente uma morte por semana. Cotidiano suicida é o que uma sociedade desigual traz. 
Mortes não desvendadas são comuns, mas não devemos achar normal tal situação, achar que é 
menos um e mais nada. As relações de dominação e as estruturas de poder precisam ser 
compreendidas. Precisamos nos organizar e entender que a justiça não é lenta, e sim 
burguesa e tenderá sempre para um lado. Foram três homens, três histórias, três seres 
humanos, vidas! Mulheres sofrem: mães, irmãs e namoradas que passam por situações 
vexatórias nos presídios em dias de visita.

O policiamento faz seus acertos e sabe a hora de jogar fogo nos conflitos. Há uma relação 
estreita com o tráfico e os acordos e a extorsão nas madrugadas são comuns. O mercado das 
armas corre solto. Quem vende as armas para a juventude periférica?

Nas favelas, policiais apreendem drogas e armas para revendê-las aos próprios traficantes 
e, depois de matá-los, as vendem novamente. Nenhum governo (mesmo um de "esquerda"), desde 
a ditadura, tem se preocupado com este processo, ao contrário, tem o levado cada vez mais 
ao extremo. E muitos partidos de esquerda defendem a ideia absurda da possibilidade de uma 
polícia cidadã! Uma polícia que não reprima os pobres é um sonho absurdo dentro do 
capitalismo (FARJ, Da periferia aos centros e de volta a periferia: Chacina da Maré, 2013).

Além do extermínio vindo do lado da repressão, a juventude periférica pobre e negra está 
se destruindo entre si. Grupos rivais a cada dia aumentam seu arsenal. Se a polícia tem 
conflito com um grupo, acaba munindo outro grupo para dar continuidade à guerra na 
periferia. Assim, não é difícil saber de onde vem a pistola Ponto 40.
A nossa arma deve ser apontada para o lado certo e para o verdadeiro inimigo, o sistema. A 
periferia deve se unir e utilizar seu potencial para auto-organizações combativas e 
revolucionárias. Os trilhos da transformação devem ser seguidos e o lado sul da Região 
Metropolitana deve ser linha de frente nesse processo. As PEDRAS no meio do caminho não 
devem ser retiradas por retirar, elas devem servir de munição para os alicerces da igualdade!

"A campanha pede o desarmamento da periferia
Só que os calibre letais protegem a burguesia".
Eduardo, A fantástica fábrica de cadáver

"Será mais nobre suportar a injustiça moderadamente ou pegar armas para se contrapor à 
injustiça? Eu fico com a segunda. Se você pegar em armas, você acaba com ela. Mas se 
esperar os poderosos acabarem com a injustiça, vai esperar muito tempo.[...]Vou me unir 
com qualquer um, de qualquer cor, desde que você queira mudar a miséria desta terra."
Malcom X

http://www.resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=142:2015-02-05-01-02-03&catid=40:ingovernaveis&Itemid=72


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