(pt) Brazil, Anarchist Federation Gaucha FAG - Não se intimidar, não desmobilizar! Toda nossa solidariedade ao companheiro Vicente! (en, it)

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Sábado, 7 de Fevereiro de 2015 - 15:34:57 CET


Janeiro de 2015, às vésperas da retomada das lutas contra o aumento das passagens e em 
defesa de um transporte 100% púbico em Porto Alegre, recebemos a notícia da sentença dada 
ao companheiro Vicente, militante da FAG e lutador social do Bloco de Luta pelo Transporte 
Público de Porto Alegre. Vicente está sendo condenado a um ano e meio de prisão por dano 
ao patrimônio público e crime ambiental, "crimes" que teria cometido em Abril de 2013 
durante uma manifestação do Bloco de Luta em frente a Prefeitura de Porto Alegre. Trata-se 
da primeira condenação em Porto Alegre e para nós uma clara tentativa de intimidar e 
colocar medo no conjunto de lutadores e organizações que estão rearticulando as lutas 
nesse início de 2015. Um expediente político e histórico utilizado pelos setores 
dominantes de nossa cidade e de todo o mundo: o encarceramento dos que se levantam. Não 
nos desmobilizaremos e a nossa solidariedade será militante e nas ruas!!!

E a criminalização continua...

O fato de a condenação nos ter sido comunicada apenas uma semana antes do primeiro 
protesto do ano do Bloco de Lutas pelo Transporte Público é tudo menos uma obra do acaso 
ou de um processo regular do poder judiciário. Inicia-se o ano e ao mesmo tempo se começa 
a mexer nos processos que estavam tramitando desde 2013: adicionando nomes à alguns, novos 
crimes à outros. O processo neste contexto busca ter o mesmo efeito de uma bala de 
borracha ou de uma bomba de efeito moral: uma tentativa de intimidar e freiar as lutas nas 
ruas que ousam questionar os lucros dos empresários e os conchavos já evidente das 
empresas com os poderes públicos.

A situação está longe de ser apenas uma situação local: quem achou que a conjuntura de 
criminalização havia se esgotado em virtude do descenso das mobilizações de rua após a 
Copa do Mundo em 2014, a recente movimentação dos governos e dos aparelhos repressivos 
indicam o contrário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e uma série de outras cidades no Brasil 
que iniciaram o ano com mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus a repressão 
tem usado dos mesmos expedientes contra os manifestantes: gás lacrimogênio, bala de 
borracha e detenções arbitrárias. O carioca Rafael Braga Vieira, que era até então o único 
condenado dos protestos de junho de 2013 continua preso e em Porto Alegre os processos 
voltam a ser movidos, novos nomes são inseridos e agora a primeira sentença é dada, sem 
prova alguma. É a velha justiça burguesa tomando lado em uma luta entre opressores e 
oprimidos que está longe de acabar.

Contudo, a luta e organização dos de baixo não começou hoje e também continuará. 
Mobilizam-se os jovens, os trabalhadores, os sem tetos e as comunidades de periferia. As 
mobilizações de rua de 2013 abriram novas possibilidades na gestação de experiências 
organizativas e de luta que o conjunto da esquerda combativa e anti capitalista precisa 
ajudar a fomentar e impulsionar, descartando as velhas práticas vanguardistas, sectárias e 
impositivas que infelizmente ainda permeiam discursos e práticas de muitas organizações. 
Acreditamos que só assim podemos criar força social que desde baixo vá gestando mecanismos 
de auto-organização e cravando em seu horizonte a necessidade de transformação social do 
conjunto da sociedade. Uma verdadeira frente de oprimidas e oprimidos solidária a todo e 
qualquer companheiro preso, torturado, assassinado e desaparecido.

2015: avançar em organização, cercar ainda mais de solidariedade @s que lutam!

A seletividade do sistema penal também se torna evidente neste caso. Ao longo desse 
processo que começa com mais de uma dezena de acusados pelos danos realizados em uma 
manifestação com mais de mil pessoas, vimos arquivarem um a um todos os suspeitos, 
responsabilizarem o único rapaz negro de ideologia anarquista que estava entre os acusados 
e agora incluírem outro militante negro do Pstu. Sabemos que o motivo central dessa 
condenação é de ordem político-ideológica mas não podemos omitir o fato de que a cor negra 
dos acusados tem um peso importante.

Os últimos processos tiveram como destaque a criminalização contra os coletivos e 
movimentos anarquistas. Em 2013, tivemos os nossos espaços públicos invadidos e nossos 
livros recolhidos, passando por pesados processos de inquéritos onde o que era avaliado 
era nossa posição em relação a temas como autoridade, governo, forças policiais e outros 
assuntos caros à ideologia anarquista. Panfletos, cartazes e literatura foram anexadas nos 
processos, como se fossem provas circunstanciais que mostrassem algum papel de mentor 
intelectual da nossa ideologia nas depredações ou saques realizados nas manifestações de 
2013, que contavam com mais de 50 mil pessoas em Porto Alegre.

O companheiro Vicente, assim como os demais militantes e lutadores de outras organizações, 
coletivos e ideologias, não foi o primeiro e não será o último jovem negro e anarquista a 
ser condenado nesse Brasil racista. São milhares de homens e mulheres negros/as e pobres 
exterminados e condenados diariamente pelas polícias militares e pela justiça burguesa e 
racista. É a elas e eles que nossa solidariedade militante é direcionada e será junto de 
cada trabalhador/a que cerraremos nossos punhos. Não nos intimidaremos e em cada marcha de 
rua, piquete, greve, ocupação estaremos ombro a ombro com todos e todas que lutam!

Solidariedade à todos e todas companheiros e companheiras perseguidos por lutar!

Pelo fim da polícia militar!

Nossa ideologia anarquista não se presta a caricaturas!!!

Federação Anarquista Gaúcha - FAG


http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1077


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