(pt) Federação Anarquista Cabana FACA - CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÊNERO

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Quarta-Feira, 23 de Dezembro de 2015 - 11:18:35 CET


A questão de gênero é um assunto que por muito tempo foi ignorado, negligenciado, 
secundarizado e relegado a debates menores. Porem, a luta da mulher se faz presente 
cotidianamente, ontem, hoje e será no amanhã, resistindo às inúmeras formas de opressão 
socialmente construídas dentro da cultura patriarcalista/machista que somado ao 
capitalismo potencializa sua perversidade se tornando mais uma de suas facetas. Pois as 
situações de violência e humilhação que são colocadas tantas mulheres aqui, ali e acolá ao 
redor do globo, nos colocam em contradição na medida em que nossa luta contra todas as 
formas de dominação e opressão não pode apenas tangenciar tais situações. Cada mulher é 
única (somos únicas) e nossa representação se firmará com o nosso protagonismo. Pois a 
luta delas, também deve ser a luta deles, e assim frear o avanço do conservadorismo e das 
pautas que retrocedem aos direitos conquistados com muita peleia.

Dentre as questões propostas ao longo da histórica para construção do gênero feminino 
(pelo conservadorismo machista), surge de maneira muito incisiva e como ponto de discussão 
o que é feminino e masculino? A mulher tem seu universo restringido por convenções 
machistas impostas a ela, enquanto o homem desfruta das mais variadas situações e 
privilégios. Portanto, fazer hoje, no agora, construção de cultura pela igualdade de 
gênero e pela liberdade das/dos indivíduos, pelo protagonismo feminino somando forças na 
luta de nosso povo oprimido contra as investidas do opressor que é machista e capitalista.

Assim nossa pratica deve refletir bem isso e funcionar, sobretudo, como instrumento de 
mudança do atual sistema machista e capitalista para a sociedade almejada por nós, que 
lutamos pelo apoio mútuo, pela autonomia, onde a igualdade e o respeito existiriam para 
além dos limites da mediocridade capitalista, e do discurso individualista que coopta, 
banaliza e sexualiza a essência do feminino.
A padronização do corpo feminino, com regras estéticas que enquadra no tipo imposto pela 
mídia, também se torna responsável pela limitação de nossa liberdade, já que o meio social 
e também midiático é responsável por exercer um certo tipo de corpo para uniformizar os 
gostos e com isso normatizar a beleza, que até um certo ponto, deixa de ser relativa. 
Somos cotidianamente pressionadas a assumirmos posturas consideradas femininas, sob uma 
performance do que é mostrar ser feminina e o corpo acaba sendo alvo de destaque que assim 
sobrepõe, nossa própria identidade, tal padronização responsável por dar um sentido à 
noção de beleza da mulher, também constrói a noção de pertencimento, infere à mesma uma 
noção de valor a partir da comparação do seu corpo com os corpos ao seu redor.

A lógica de mercado capitalista aplicada na produção de objetos, aplica-se na maneira de 
pensar e agir, a exemplo da expressão: “vou me produzir”. Há uma produção, de um objeto, 
para um mercado. Objeto este que precisa ser sempre renovado, produzido e re-produzido 
para que se torne sempre visível, chamativo e fetichizado, seguindo sempre a ditadura dos 
padrões estéticos machista que são bombardeados pela mídia.
A mulher não pode ser vista enquanto “mercadoria”, porque diferente dos objetos, nós 
mulheres possuímos autonomia pra ser quem quiser, agir como quiser e trabalhar onde 
quiser. Nosso corpo obedece às nossas regras e nossos limites. Não podemos ser 
coisificadas, a ideologia de consumo e do comportamento serve para nos aprisionar e 
paralisar diante das diversas injustiças que temos que enfrentar diariamente por conta 
dessa logica.

Se as assimetrias das relações de gênero nunca deixaram de existir, sobretudo pela 
imposição cultural e histórica da dominação masculina, por outro lado há de se criar uma 
outra cultura orientada pela igualdade entre mulheres e homens, alicerçada no socialismo e 
impulsionada pela liberdade.

PELA LUTA POR UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA, SEM CLASSES, NEM DESIGUALDADE DE GÊNERO!

E NÃO À SEXUALIZAÇÃO DOS NOSSOS CORPOS!


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