(pt) anarkismo.net: Reflexão após o horroroso espetáculo do processo de impeachment e sua judicialização by BrunoL

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Segunda-Feira, 14 de Dezembro de 2015 - 15:18:14 CET


Começo citando o sempre lúcido Gustavo Gindre: ---- "É claro que o atual processo de 
impeachment desrespeita o rito a ser seguido. Por exemplo, esse processo jamais poderia 
ser presidido por alguém que está sendo investigado e que pode, ele próprio, ser objeto de 
afastamento. Mas, se vamos falar de golpe é preciso discutir o verdadeiro estelionato 
eleitoral praticado por esse governo. Ou essa também não foi uma forma de jogar no lixo a 
vontade popular?" ---- Sempre caracterizei este governo como de centro-direita, e caso 
Dilma sobreviva, vamos ter pela frente mais três anos de chicanas e paralisia decisória, a 
não ser que a maré vire de baixo para cima. ---- E por aí gostaria de desenvolver o 
raciocínio. Este seria o momento correto de algum grupo de dirigentes de movimento popular 
incorporar alguma grandeza política e condicionarem a luta contra o golpe paraguaio com a 
mudança imediata na política econômica e na defesa dos direitos sociais. O ex-líder do 
PMDB na Câmara, o chargista Leonardo Picciani, fez campanha e votou em Aécio, por exemplo. 
Isto demonstra a fragilidade deste governo, sua falta de convicção e a perda de confiança 
para o eleitorado. Sempre caracterizei este governo como de centro-direita, e caso Dilma 
sobreviva, vamos ter pela frente mais três anos de chicanas e paralisia decisória, a não 
ser que a maré vire de baixo para cima. Para tanto, ou convoca-se uma espécie de congresso 
de base, congresso do povo, ou se constrói uma pauta comum, ou então cada força 
político-social vai fazer sua luta imediata e sendo atropelada pela pauta do impeachment e 
a defesa do governo.

Tivemos uma eleição plebiscitária em segundo turno e o governo que inicia ainda em 
novembro rasgou a vontade popular. Desde fevereiro os ataques aos direitos adquiridos são 
semanais, sendo que algumas peças horrorosas, como a lei "anti-terrorismo", foram 
empurradas goela abaixo com a ajuda do Planalto. Caracterizar o momento é tão importante 
como analisar as possibilidades e tomar posição.

1) Entendo que este governo é indefensável e o projeto do pacto de classes, como perdido. 
Mesmo para quem nunca aderiu, a caracterização é fim de ciclo em todos os sentidos;

2) A democracia indireta demonstra explicitamente sua limitação em fazer valer minimamente 
a vontade popular; ou radicalizamos a democracia de forma direta ou os espetáculos 
horrorosos como os de ontem vão se repetir;

3) É preciso remontar o conjunto da esquerda, incluindo a esquerda radicalizada e não 
eleitoral; o fim de ciclo atinge também a hegemonia da esquerda social e estamos todos a 
reboque do poder de convocatória permanente de quem tem estrutura. Quando a direita ataca, 
como foi o caso de Alckmin e a reestruturação da educação em São Paulo, ou no Levante de 
2013, aí há chance de massificar;

4) Barrar o golpe paraguaio é importante para não deixar a autonomização da esfera 
política correr em paralelo às pressões sociais; a nova direita na rua não é brincadeira e 
sua base conservadora popular deve ser levada em conta;

5) Seria importante alguma medida de médio prazo, como uma lei de iniciativa popular de 
reforma política para radicalizar a democracia; caso contrário, vamos assistir a 
democracia do andar de cima ser debatida nas reuniões do STF;

6) Por fim, é necessário superar a histeria coletiva e não se posicionar automaticamente e 
menos ainda fingir que a política macro não tem relação com as bases sociais; tem sim e a 
defesa dos direitos é o mais importante, embora todas as agendas hoje estejam a reboque do 
processo de impeachment e sua judicialização.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais

Site: www.estrategiaeanalise.com.br
Email: strategicanalysis  riseup.net
Facebook: blimarocha  gmail.com

http://www.anarkismo.net/article/28862


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