(pt) Brazil, União Popular Anarquista (UNIPA) - Rompimento das barragens da Vale: mais mortes e impactos socioambientais na conta da gerência petista

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Quarta-Feira, 2 de Dezembro de 2015 - 09:13:51 CET


No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento das barragens de rejeitos de minério da VALE em 
Mariana (MG), se apresentou como mais uma expressão dos efeitos devastadores da lógica 
neodesenvolvimentista empreendida pelos governos do PT. ---- A mineração e os interesses 
da burguesia ---- No Brasil, os projetos extrativistas para a exploração de minérios, 
petróleo e gás estão entre as atividades que mais geram lucro para a burguesia, 
intermediados pelo Estado e pelo capital internacional. O PAC 1 (2007- 2010) e o Plano 
IIRSA, conduzidos pelo PT, visam criar corredores de exportação de minério, energia e 
produtos agrícolas por toda América Latina, e não por acaso, são esses os setores da 
economia que mais empregam e matam trabalhadores terceirizados, produzem impactos 
sócio-ambientais irreversíveis, dizimam camponeses, indígenas e quilombolas e aniquilam as 
comunidades onde se estabelecem empresas e obras extrativistas.

A revisão do Código de Mineração garantindo privilégios de grandes empresas e ocorrendo em 
sintonia com a paralisação de reconhecimento de direitos territoriais de comunidades 
tradicionais (PEC 215 e outros), aponta mais uma vez como Estado e capital orquestram 
interesses contra o povo.

Os culpados pela matança dos trabalhadores e da biodiversidade

Morador da comunidade de São Tarcísio, em Governador Valadares (MG) mostra peixe morto em 
meio à lama.

O rompimento das barragens de rejeitos de Mariana (MG) é uma das maiores tragédias 
socioambientais do país, com assoreamento e contaminação de rios, morte do ecossistema e 
dispersão de produtos químicos tóxicos. Além de desabrigados, foram contabilizados 
oficialmente pelo menos 16 mortos, 45 desaparecidos e inúmeros soterrados (e há indícios 
de que essa conta é bem maior). A mídia burguesa tenta naturalizar o desastre, no entanto, 
trata-se de uma tragédia induzida pelo Estado, empresas nacionais e internacionais de 
mineração com o aval do PT.

Mas quem está por trás da empresa Samarco? 50% da Samarco pertence à Vale. A outra metade 
pertence à anglo-australiana BHP Billiton, uma fusão da australiana Broken Hill 
Proprietary Company com a inglesa Billiton, instalada no Chile, Colômbia e Peru, no 
Canadá, Reino Unido, nos EUA, na Argélia, no Paquistão e em Trinidad & Tobago. É acusada 
de diversos outros casos de contaminação e desastres socioambientais. Por sua vez, a Vale 
é controlada pela Valepar, com 53,9% do capital votante (1/3 do capital total). Com 5,3% 
para o governo federal, 5,3% para o BNDESpar, 14,8% para investidores brasileiros, 16,9% 
na Bovespa e 46,2% de investidores estrangeiros. E por trás da Valepar encontra-se fundos 
de investimentos da Previ (49% das ações), o Brasdesco (17,4%), a multinacional Mitsui 
(conglomerado que vai de bancos à petroquímica, com tentáculos na Sony, Yamaha, Toyota, 
com 15%), e o BNDESpar (9,5%).

Na comissão instituída para acompanhar os impactos causados pelo rompimento das barragens, 
estão deputados que receberam doações na última campanha eleitoral da Vale e da BHP 
Billinton (empresas que controlam a Samarco, responsável pelas barragens). O relator do 
Código Mineral, Leonardo Quintão (PMDB), é também financiado por mineradoras. Além disso, 
logo após o rompimento das barragens, ao invés de uma atitude para punir as empresas 
públicas e privadas responsáveis, o governo Dilma alterou o decreto nº 5.113, incluindo 
como desastre natural o “rompimento ou colapso de barragens”. Isso aponta mais uma vez o 
papel que a farsa eleitoral cumpre como legitimadora das misérias que assolam o povo.

Propaganda da exploração mineral do governo.

Os interesses dos projetos neodesenvolvimentistas do PT são os mesmos do capitalismo 
internacional: garantir lucro a custo de extinção de comunidades, exploração de 
trabalhadores, impactos socioambientais. O Governo de Minas Gerais (Fernando Pimentel/PT) 
é também responsável pela flexibilização do licenciamento ambiental para o funcionamento 
das barragens, assim como lucra com o gerenciamento dessas empresas, através da 
arrecadação do Fundo de Pensão e articulações do BNDES.

Organizar a autodefesa, a solidariedade e a greve geral contra os assassinos do povo!

Para mudar isso, são necessárias a auto-organização e resistência dos povos e comunidades 
atingidas pelos projetos extrativistas/neodesenvolvimentistas e o rompimento com a via 
eleitoreira e reformista! Para barrar os assassinatos no campo e na cidade, para impedir o 
avanço da política burguesa (Agenda Brasil, Novo Código da Mineração, Olimpíadas, Lei 
Antiterrorista, lei da terceirização, etc.) é necessário a união pela base e pela luta dos 
movimentos indígenas, estudantis, sindicais, comunitários, camponeses. Vivemos um momento 
decisivo de ataques profundos aos direitos do povo. Por outro lado se torna um momento 
fundamental para reorganizar a luta classista e combativa e retirar as massas da 
influência dos partidos oportunistas e governistas.

Lutar pela garantia de terra e moradia livres da mineração!

Não esqueceremos, nem perdoaremos os culpados pelo rompimento das barragens de Mariana-MG!

Índios ocuparam trecho da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM). Enquanto os movimentos 
sociais e sindicais governistas permanecem com ações insuficientes e/ou coniventes, os 
indígenas vem dando uma grande mostra de solidariedade e capacidade de luta contra os 
projetos neodesenvolvimentistas da burguesia nacional e internacional.


https://uniaoanarquista.wordpress.com/2015/11/30/rompimento-das-barragens-da-vale-mais-mortes-e-impactos-socioambientais-na-conta-da-gerencia-petista/


More information about the A-infos-pt mailing list