(pt) rusgalibertaria: SACCO E VANZETTI, PRESENTES!

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Domingo, 30 de Agosto de 2015 - 13:35:40 CEST


No dia 23 de agosto de 1927, Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram executados pelo 
Estado opressor e assassino dos Estados Unidos da América. A execução ocorrera sete anos 
após a prisão, sete anos de torturas e injustiças. Imigrantes italianos, os dois se 
conheceram nos círculos anarquistas ítalo-americanos, dedicando-se à luta por melhores 
salários e condições dignas de trabalho. Sacco e Vanzetti atuavam com afinco, participando 
de greves, manifestações, comícios; razão pela qual logo tiveram seus nomes inseridos nas 
fichas policiais. Em 20 de maio de 1920, os dois são presos pouco antes de um comício 
anarquista; a acusação era de que teriam assaltado uma empresa na região de Boston, bem 
como assassinado dois homens da mesma empresa. O Estado montou, então, um processo 
criminal absurdo e sem provas, mantendo a acusação mesmo quando um outro preso confessara 
a autoria dos assassinatos. Os sete anos de prisão também foram marcados por uma intensa 
campanha em defesa da libertação de Sacco e Vanzetti. Contudo, o Estado foi implacável e 
usou a condenação como punição e "exemplo" para os demais trabalhadores do país. Um 
processo tão frágil juridicamente apenas mostrou o real motivo da perseguição, como o 
próprio Vanzetti declarou em carta ao filho de Sacco: se nos executarmos será "porque 
éramos pelos pobres e contra a exploração e opressão do homem", por ser Anarquista.

O assassinato de Sacco e Vanzetti nos remete a um outro processo forjado para liquidar 
anarquistas no Estados Unidos, a execução dos mártires de Chicago. Como apontava Lucy 
Parsons, o Estado, ""a imprensa capitalista", o "púlpito", a polícia, um júri lotado, e 
"juízes preconceituosos" agiram conjuntamente para executar líderes anarquistas de 
Chicago" (citado em Quem é Lucy Parsons, de Casey Willams). Também nesse caso, foi montado 
todo um processo sem provas concretas para culminar em assassinato judicial. Assim como 
esses exemplos, muitos outros marcaram a história de diversos anarquistas pelo mundo. O 
Estado sempre criou esses casos como formas de aniquilar nossa ideologia e instaurar o 
medo, tratando anarquistas como terroristas, impondo uma visão que serve para a manutenção 
do estado de exploração e desigualdades.

Para além da história de luta e coragem, rememorar Sacco e Vanzetti, nesse 23 de agosto de 
2015, 88 anos depois, nos leva a uma reflexão sobre nosso próprio tempo. Ainda vivenciamos 
uma série de perseguições e caça a anarquistas. São inúmeras as prisões e perseguições a 
anarquistas pelo mundo; pela estrutura judiciária do Estado, esses presos nunca serão 
compreendidos como presos políticos, cabendo a nós mostrarmos e defendermos essa 
perspectiva. Ainda hoje, enfrentamos uma forte criminalização do anarquismo, 
criminalização que se dá por parte do Estado, da direita e, inclusive, por certa parcela 
da própria esquerda.

No Brasil, desde 2013, o anarquismo voltou a ser posto em foco. A caça e a criminalização 
dos Black Bloc passaram pela avaliação de serem vistos como anarquistas. As jornadas de 
junho / julho, as mobilizações durante a Copa, as diversas greves mais combativas e as 
movimentações nas favelas, reabriram uma velha ferida silenciada e escondida pelo Estado; 
a de que o Estado tem por princípio a caça, a perseguição e a repressão de qualquer 
embrião de levante ou ameaça à sua estrutura. Não foram à toa as invasões às sedes 
anarquistas, a criminalização pela mídia, as prisões. A reformulação do Plano de Segurança 
Nacional, apontando manifestantes como terroristas, e o projeto de lei que busca proibir o 
fechamento de vias públicas por protestos marcam, mais uma vez, a posição do Estado como 
opressão e repressão. Representam um sério risco para o travamento da luta, além maiores 
dificuldades de organização e mobilização. Não temos dúvidas de que tais leis abrirão 
brechas para, novamente, prenderem e acusarem anarquistas como terroristas.

Se somos taxados de sonhadores, românticos, utópicos, pessoas que acreditam em algo que 
não pode ser colocado em prática, por que nos caçam tanto? Por que tantas perseguições, 
tanto alarde por conta de qualquer movimento dos anarquistas? Para nós, só podemos 
responder que o Estado compreende que questionamos e ameaçamos sua estrutura, que queremos 
a destruição do Estado e do sistema que explora. Mais do que isso, compreendem que 
sobrevivemos ao tempo, mesmo sendo perseguidos, presos, assassinados; compreendem que nos 
organizamos e veem que temos força para a luta e que nossa luta é, realmente, com os de baixo.

Sacco e Vanzetti representam a força e a coragem anarquistas; e sua história mostra como o 
Estado age, significando uma aprendizagem para nós anarquistas ainda hoje. Que essa 
história esteja sempre viva e seja as sementes de nossa coragem e garra para a luta!

Nicola Sacco e Bartomeo Vanzetti, Presentes Presentes Presentes!

Se siente, se escucha, arriba los que luchan!

https://rusgalibertaria.wordpress.com/2015/08/24/sacco-e-vanzetti-presentes/


More information about the A-infos-pt mailing list