(pt) União Popular Anarquista - UNIPA - EM MEMÓRIA AOS 88 ANOS DO ASSASSINATO DE SACCO E VAZETTI PELO ESTADO NORTE AMERICANO

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Quinta-Feira, 27 de Agosto de 2015 - 09:44:33 CEST


No dia 23 de agosto de 1927, à 88 anos atrás, os anarquistas italianos Nicolás Sacco e 
Bartolomeu Vanzetti foram assassinados, sentenciados a pena de morte na cadeira elétrica 
pela justiça do Estado norte-americano. Naquele dia, o proletariado do mundo inteiro 
derramou lágrimas de sangue e de ódio aos exploradores do povo, sabendo terem perdido 
gloriosos camaradas da luta revolucionária. Os dois anarquistas foram alvos do maior 
escândalo jurídico norte-americano, sentenciados sem qualquer prova concreta, com diversas 
testemunhas falsas (algumas desmascaradas no meio do processo), sob uma forte atmosfera de 
revanchismo político reacionário e racista. ---- Tal como outros tantos trabalhadores de 
sua época, Vanzetti e Sacco começaram o envolvimento com a militância através da 
solidariedade natural pelo sofrimento dos explorados. O jovem Sacco, filho de camponeses 
pobres italianos, emigrou para a "América" em 1908, aos 17 anos. Viveu períodos de grandes 
dificuldades (chegando a passar fome, desemprego e muita miséria), trabalhou em diversas 
fábricas, sendo que em uma fábrica de sapatos conheceu sua companheira, com quem teve seus 
dois filhos. Sacco chegou a participar da Federação Socialista Italiana, mas logo se 
envolveu com a prática sindicalista revolucionária e anarquista.

Bartolomeu Vanzetti, por sua vez, teve um envolvimento quando jovem com ideias religiosas 
e humanistas, gostava muito de estudar, e logo se desligou de qualquer instituição 
religiosa. Emigrou para os Estados Unidos aos 20 anos, fato que levou a uma profunda 
transformação em sua vida. Segundo Vanzetti, na América viu "todas as brutalidades da 
vida, todas as injustiças e as depravações em que se debate tragicamente a humanidade". E 
decidiu dedicar-se física e intelectualmente, chegando a estudar importantes teóricos de 
sua época como Bakunin, Marx, Kropotkin, Gorki, Mazzini, Tolstoi, Leopardi, Darwin, dentre 
outros. Leu grande parte destas obras nas madrugadas, após longas jornadas de trabalho na 
fábrica, debruçado sobre um livro à luz de velas. Vanzetti se tornou um convicto 
anarquista e importante liderança no movimento operário.

A conjuntura dos Estado Unidos nesse período era de forte repressão aos imigrantes e 
movimentos reivindicativos. O contexto internacional de disputas com a União Soviética 
fortaleciam a política de combate com mãos de ferro contra qualquer tentativa mais ousada 
do movimento operário. O imperialismo externo era completado com uma forte tirania 
interna. A atmosfera saturada de ódio era também fomentada e explorada pelo próprio 
Ministro da Justiça, A. Mitchell Palmer, e estava entranhada nas instituições oficiais. 
Antes de Sacco e Vanzetti outras lideranças haviam sido assassinadas pela polícia. No dia 
4 de maio de 1920 (um dia antes da prisão de Sacco e Vanzetti), um editor do jornal 
anarquista "Il Domani", Adrés Salsedo, após ter passado por torturas e interrogatórios, 
foi jogado pela janela do edifício do Departamento de Justiça de Nova Iorque.

O movimento operário norte-americano tampouco era um antro de burocratas e pelegos que 
estamos acostumados na atual conjuntura de crise de organização do proletariado. As duas 
primeiras décadas do século XX foram um momento de auge do sindicalismo revolucionário em 
diversos países da América e Europa. Vanzetti e Sacco participaram de greves, motins, 
passeatas e sabotagens em defesa dos direitos do povo. Viviam um período importante de 
influência da teoria e ideologia anarquista no movimento de massas, onde a ação direta, a 
expropriação, a autodefesa popular e a estratégia revolucionária eram combinados com um 
grande número de jornais, forte agitação e propaganda e centros culturais.

No noite de 5 de maio de 1920, Nicolás Sacco e Bartolomeu Vanzetti foram presos no bairro 
operário de Brockton em uma batida policial que buscava prender outra pessoa. De início 
não foram acusados de nada, passaram apenas por um interrogatório político. A acusação 
veio logo após. Vanzetti e Sacco foram acusados de assassinato seguido de roubo. A grande 
imprensa imediatamente passou a divulgar a prisão dos "bandidos italianos" e a sua 
filiação anarquista como prova moral de propensão à criminalidade e delinquência. Passaram 
por um longo processo jurídico, com procedimentos abertamente viciados, manipulados e sem 
precedentes nos anais judiciais. Muitos estudos jurídico foram feitos posteriormente, e os 
escritos de Sacco e Vanzetti são também uma denúncia contundente ao processo armado.

A campanha de ódio dos juízes e da imprensa reacionária foi contraposta pela ocupação de 
praças no mundo inteiro por milhões de pessoas pela liberdade dos anarquistas italianos. 
Uma das maiores campanhas de solidariedade já vista foi feita: manifestações, motins, 
atentados à embaixadas norte-americanas, dentre outras formas de pressão sobre os governos 
e carrascos. Apesar de toda a pressão internacional, Sacco e Vanzetti foram assassinados 
friamente sob os olhos do mundo. Apenas em 23 de agosto de 1977, há 50 anos de seus 
assassinatos, o governo de Massachusetts promulgou, cinicamente, um documento os absolvendo.

Na condição de trabalhadores, imigrantes e anarquistas Sacco e Vanzetti tiveram de 
enfrentar não apenas o ódio dos capitalistas e do Estado, como também a xenofobia presente 
na sociedade americana. No entanto, encontraram solo fértil de ação e solidariedade na 
ideologia anarquista e no sindicalismo revolucionário, defensores do classismo e do 
internacionalismo. O amor pela liberdade, pelo livre desenvolvimento das potencialidade 
humanas, pela igualdade e o fim das classes sociais, alimentaram as convicções destes dois 
grandes homens.

Os textos dos dois anarquistas são uma prova das virtudes e potência ideológica, que mesmo 
após receberem a sentença de morte, não cederam um milímetro em suas convicções, se 
mantiveram firmes nas fileiras do anarquismo revolucionário até o último segundo de suas 
vidas, não se arrependeram nem se intimidaram frente aos carrascos do Estado. Em tempos de 
forte repressão que estamos vivendo, e que anunciam se aprofundar, o exemplo de Sacco e 
Vanzetti é uma importante mensagem de convicção ideológica que ultrapassa o tempo e as 
fronteiras, é um alimento para a luta revolucionária e para os corações e mentes de cada 
filho do povo.

Sacco e Vanzetti Vivem e Vencerão!

TEXTO RETIRADO NO SITE DA UNIPA: 
https://uniaoanarquista.wordpress.com/.../liberdade-ou-morte.../

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2014/08/22/liberdade-ou-morte-o-grito-de-sacco-e-vanzetti-ao-proletariado-internacional/


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