(pt) Federação Anarquista Gaúcha - AVANÇAR A GREVE ESTADUAL DOS SERVIDORES DO RS SEM ARREGO! UNIDADE DOS TRABALHADORES PELA BASE E SEM REPRESSORES!

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Terça-Feira, 25 de Agosto de 2015 - 13:59:00 CEST


Só a luta pela base dos trabalhadores, dos setores populares e estudantis pode fazer 
resistência ao ajuste que vem da tesoura do governo, da fraude e do privilégio dos 
patrões. Cortes fundos nos direitos, empregos e serviços públicos vem do planalto em 
Brasília, pelo arranjo governista com a direita tramposa do PMDB, com o sistema 
financeiro, o agronegócio e os industriais. ---- O estado do RS e os municípios se valem 
das mesmas receitas amargas. Castigam os pobres para salvar os ganhos dos ricos e os 
interesses burocráticos da máquina. E o fazem cortando na carne dos trabalhadores do 
serviço público, congelando salários, achacando a saúde, a educação, a moradia, o 
transporte coletivo, etc.. Já os agiotas parasitas da dívida pública são pagos 
religiosamente e as empresas sonegadoras e privilegiadas por isenções de impostos ficam de 
lombo liso.

Essa é a crise financeira do estado que o governo Sartori/PMDB tem no colo. Faltam 
recursos porque os capitalistas reservam os privilégios e os lucros para suas propriedades 
e estouram as contas públicas nas costas do povo. Todo um sistema de pilhagem que funciona 
pelo mecanismo da dívida pública, que espreme o patrimônio construído pelos trabalhadores, 
que desmonta e privatiza bens públicos e produz um discurso econômico liberalóide de 
déficit e responsabilidade fiscal. Os partidos de governo se sucedem sempre dentro desta 
ordem: uma camisa de forças do sistema que todos vestem. O PT subscreveu os contratos com 
o Banco Mundial durante o governo Yeda Crusius que ampliou o poder do sistema financeiro 
sobre o controle dos gastos públicos. Na sua vez no Piratini, Tarso Genro teve que amargar 
a pena de devedor do Piso Nacional do magistério.

A dívida que tem que ser paga e que as estruturas do poder caloteiam é a dívida com os 
trabalhadores e com o povo. Dívida social com o piso, com os direitos, com a qualidade dos 
serviços públicos, de moradia, de terra para os pobres do campo. Já a segurança é outra 
história.

Ao lado do ajuste que saca dinheiro dos hospitais e postos de saúde, das escolas, 
programas sociais, da ampliação do espaço comum e da rede de serviços públicos que 
aumentam bem estar e condições de vida do povo, é martelada diariamente, sobretudo pela 
voz do grupo RBS, a bandeira da segurança. O grupo de comunicação que é bom pagador de 
propina pra sonegação fiscal, dono de um patrimônio que figura na lista seleta das elites 
gaúchas, avaliza o ajuste e faz campanha de terror e medo pra reclamar mais segurança. Aí 
está! Segurança é um discurso que dá sentido e faz funcionar um poder de controle e 
vigilância que institui a paz para a vida normal do sistema e dos bem nascidos e que 
instala a guerra que pune e criminaliza a pobreza. A segurança que ecoa fundo nas 
preocupações das elites e da classe média é a que sempre reforça a violência policial 
sobre as "classes perigosas".

O congelamento salarial da LDO votada na assembléia legislativa e o parcelamento dos 
vencimentos mexeram forte com a paciência dos servidores estaduais. A assembléia geral do 
Cpers da terça-feira dia 18 de agosto deu a temperatura da indignação dos trabalhadores em 
educação do estado. Conseguiu convocar uma participação de base que há muito não se via. 
Teve adesão de setores e escolas que não estão sindicalizados e que, lamentavelmente, 
foram constrangidos pelos dirigentes sindicais a ficar de fora da assembléia do gigantinho.

Da parte das outras categorias do funcionalismo público cresce a mobilização. Foram 
estimados mais de 50 mil participando do movimento da última terça. As soluções 
privatistas do governo Sartori e o alvo na extinção de órgãos públicos como a Fundação 
Zoobotânica são provocadoras de uma luta sem arrego que terá duras peleias para fazer 
resistência, não entregar patrimônio e não liquidar a pesquisa ambiental para tapar os 
buracos da crise financeira que empurra a dívida pública e as fraudes patronais.
O movimento dos trabalhadores tem que fazer a greve que não desejam as burocracias 
sindicais. Construir unidade pelas lutas de base. Descartar a fita métrica da polícia como 
medida do alcance das mobilizações. Os repressores do povo não são aliados. A periferia 
urbana está farta do genocídio de pobres e negros que produzem. O protesto social tem 
memória do camburão, das balas, do gás e das cicatrizes que produzem ao serviço do 
aparelho repressivo. A conveniência da hora não muda nossa convicção pelo fim da polícia 
militar.

A paralisação de uns dias, já sabemos, é uma medida envergonhada das burocracias atreladas 
ao aparelho de estado para não aprofundar a crise do governismo em Brasília. Tem ideias 
fortes embutidas nessa concepção, que pagam alto tributo ao pior do reformismo. Para a 
burocracia sindical o excesso de luta desestabiliza e faz a cama para o inimigo deitar. 
Nós pensamos totalmente ao contrário. Que a luta de classes, pela ação direta dos 
trabalhadores e a união dos organismos de democracia de base, é o fator de resistência que 
muda a correlação de forças. A ação de greves, piquetes, ocupações e a solidariedade de 
classe produzem ideologia de um povo forte e peleador que não anda a reboque das saídas 
tramadas por cima pelas classes dominantes. Pra não deixar dúvidas: a falta de luta pelas 
bases e a ausência das táticas de ação direta desarmam nossa classe e consomem nossas 
forças. Ganho do burocratismo ou da corrente conservadora.

A greve da educação se fortalece unida com os servidores estaduais. Mas a força do 
movimento faz trincheira lá onde a burocracia não controla. O palco dos intermediários não 
dobrará o governo pelos artistas da negociação, nem tampouco o verbo radical do 
proselitismo auxiliar. A radicalidade de uma greve só pode achar terreno no piquete 
decisivo que paralisa o funcionamento da máquina e no corte de rua que faz a cidade parar. 
A greve será greve pela mão dos comandos de mobilização regionais, pelas zonas e os 
bairros, onde os trabalhadores do setor público se unam com os moradores da periferia, 
criem organismos de democracia de base nas comunidades para que participem os setores 
populares. Façam espaço solidário pra que a luta seja tomada pelo povo como luta pelas 
demandas populares por educação, saúde e por mais serviços públicos.

Greve unida pela base e sem arrego!

Criar Povo Forte.

Lutar e vencer pela independência de classe.


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