(pt) [BRRN] Nossas perspectivas e tarefas na Revolução de Rojava - Tradução (en) by FARJ

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Domingo, 9 de Agosto de 2015 - 10:19:39 CEST


Traduzimos o texto da organização norte-americana Black Rose Anarchist Federation/ 
Federacion Anarquista Rosa Negra sobre a Revolução de Rojava, onde apontam as perspectivas 
que a organização possui de um ponto de vista anarquista, além de como pretendem se 
envolver com a revolução curda. A Black Rose / Rosa Negra enviou militantes para o local 
com a finalidade de entender melhor a conjuntura e ajudar na reconstrução de Kobane, que 
foi destruída pelo Estado Islâmico. ---- Original: Our Perspectives and Tasks on the 
Revolution in Rojava ---- Enquanto revolucionários na América do Norte, gostaríamos de 
apresentar as bases da nossa perspectiva política e, também, como nós, enquanto 
organização, concordamos em nos relacionar com os recentes acontecimentos e a luta que 
ocorre em Rojava no Oriente Médio.

Nossa Perspectiva

A Revolução de Rojava provavelmente obteve mais avanços rumo ao socialismo libertário do 
que qualquer outra luta de grande escala, pelo menos desde a insurreição Zapatista. Por 
apenas essa razão já é importante participar desta luta para sustentar seus elementos mais 
revolucionários e apoiar como um exemplo internacional do que a auto-organização das 
classes populares pode alcançar.

Ao mesmo tempo que temos muitas questões sobre a ideologia política do Partido dos 
Trabalhadores Curdo (PKK) e do Partido da UniãoDemocrática (PYD) (o que demandaria um 
artigo em separado e mais longo), o projeto especifico de confederalismo democrático (que 
é apenas uma parte da sua visão política de "modernidade democrática" e de reorganização 
da sociedade) tem posto as classes populares do Curdistão em movimento, construindo 
alternativas autônomas ao capitalismo, opressões e ao Estado. Em Rojava, e em alguns casos 
também em Bakur, norte do Curdistão, quando a repressão do Estado não proíbe, cooperativas 
de trabalho estão sendo formadas, terras estão sendo coletivizadas, coletivos de mulheres 
estão se espalhando, assembleias de comunidades estão tomando o poder, justiça 
restauradora está substituindo o sistema de tribunal, uma milícia democrática está 
defendendo a região e outros aspectos de autogestão estão sendo organizados.

Isso nãoé tudo que há nesta luta - parte das terras e capital está planejado a ficar em 
mãos privadas, o PYD criou um novo Estado mínimo em vez de abolir o estado, conscrição 
forçada foi eventualmente implantada, políticos do PYD tem buscado influência em países 
ocidentais, investimentos corporativos estrangeiros estão sendo aspirados etc. Porém, 
apesar de muita coisa permanecer vaga sobre detalhes específicos do que está acontecendo 
no chão (até para muitas pessoas que estiveram em Rojava), é claro que grande parte da 
classe popular no Curdistão está envolvida em um processo revolucionário que nós 
deveríamos apoiar. Também é bastante claro que já que uma revolução democráticaé baseada 
na vontade do povo, será apenas com uma formação política de longo prazo e organizando 
trabalhos entre as classes populares de Rojava que a revolução será generalizada para além 
da atual minoria ativa e continuará a tomar forma. Acreditamos que temos a 
responsabilidade de contribuir com esse processo e aprender com ele.

Black Rose / Rosa Negra vê a Revolução de Rojava como um grande movimento social com 
muitas forças sociais puxando e empurrando umas às outras. Estas forças sociais 
representam interesses de classe e visões politicas contraditórias. Enquanto a visão 
política de Abdullah Ocalan (líder do PKK) é a ideologia dominante dentro do movimento, 
essa visãoé por vezes muito vaga e aberta a diferentes interpretações por diferentes 
forças sociais. Por exemplo, ativistas queer dentro do movimento levantaram a questão que 
a ideologia essencialmente feminista vinda das guerrilhas do PKK excluíam identidades 
queer e trans e isso deverá ser superado para o progresso da revolução. Outra contradição 
é que o programa econômico do socialismo democrático enfatizado por alguns no movimento 
irá inevitavelmente entrar em conflito com os interesses da elite conservadora dentro do 
movimento. Ao mesmo tempo que esperamos que o movimento tenha as ferramentas necessárias 
para continuar a receber críticas internas e fortalecer sua luta contra a opressão, 
veremos como conflitos sobre exploração de classes irão se desenvolver já que estão entre 
grupos com interesses materiais muito distintos. Em todos esses debates entre diferentes 
forças, os revolucionários terão que tomar partido, com objetivo de fortalecer nossas 
próprias políticas e as forças dos companheiros no Curdistão.

Nós apoiamos este movimento em Rojava e no resto do Curdistão como um dos mais fortes em 
relação ao feminismo, socialismo libertário e uma sociedade com democracia direta que o 
mundo viu nas últimas décadas. Para continuar avançando em direção a esses objetivos, as 
forças dentro do movimento que estão mais próximas destes objetivos políticos precisam se 
fortalecer e serem apoiadas pela esquerda internacional. Senão o movimento encarará a 
morte nas mãos dos seus inimigos militares ou a reintegração pelo capitalismo (no melhor 
dos casos capitalismo socialdemocrata). Os mesmos resultados virão a não ser que nós não 
aproveitemos a oportunidade de trazer para os nossos locais a luta revolucionaria para 
atacar as bases do imperialismo norte-americano e do capitalismo global.

A esquerda, e os anarquistas especificamente, encaram muitas questões de como podemos 
fazer isso. Pelas nossas reuniões e observações no Curdistão, temos visto muitos modelos 
diferentes de como revolucionários - curdos, turcos e estrangeiros - estão se envolvendo 
na luta. Temos visto que a luta em Rojava e Bakur, apesar de sua natureza ampla, não pode 
ser separada da sua estrutura organizacional oficial do movimento - as diferentes 
interconexões políticas estruturais que juntas implementam a ideologia deÖcalan, como o 
PKK, HDP (Partido Democrático do Povo), PYD, DTK (Congresso Democrático da Sociedade), KCK 
(União das Comunidades Curdas) etc. Até onde sabemos, todo grupo de esquerda que se 
integrou seriamente ao movimento de libertação curdo - de stalinistas a anarquistas 
inssurrecionalistas a Apocu (seguidores do Öcalan) - o fizeram se aliando às estruturas 
oficiais de algum jeito. Porém, há alguns que fizeram essas alianças se dissolvendo por 
completo dentro delas, enquanto outros fizeram a aliança e mantiveram diferentes níveis de 
autonomia organizacional e política. Estes diferentes modelos apresentam um leque bastante 
complexo de opções de até onde revolucionários podem se envolver com as diferentes 
forçaspolíticas e sociais dentro do movimento trabalhando com os companheiros do 
Curdistão. Tais opções devem ser avaliadas com cuidado baseado tanto na situação do 
Curdistão quanto na nossa situação, capacidade e objetivos políticos.

Apesar do grande apoio e interesse que a revoluçãode Rojava tem tido na esquerda dos EUA e 
Canadá, há pouco apoio organizado, apesar das últimas semanas terem visto um maior alcance 
de organização. Ha grupos de solidariedade a Rojava em duas grandes cidades e um disperso 
suporte online. Nós vemos as razões para isso como, primeiramente, a natureza 
desorganizada e fragmentada da esquerda nos EUA e Canadá, em especial a esquerda 
libertária. Segundo, outro importante fator é a falta de uma grande comunidade curda nos 
EUA e a falta de conexão entre a América do Norte e a esquerda curda ou da região em 
volta. Acreditamos ser nossa responsabilidade ajudar a mudar essa situação e mobilizar a 
esquerda e movimentos sociais rumo ao envolvimento com a Revolução de Rojava, enquanto 
aprendemos com a nossa história de solidariedade com os Zapatistas e Palestinos.

Nossas Tarefas

Black Rose / Rosa Negra define como seus objetivos organizacionais o seguinte:

- Criar uma comissão interna para coordenar os esforços da organização e trabalhar com 
outros grupos de solidariedade para construir uma rede continental de suporte a Rojava. 
Uma rede maior pode ajudar a organizar protestos coordenados nos consulados Turcos pedindo 
o embargo para ser suspenso, coletar material de apoio para sessões legais do movimento de 
libertação curdo, construir relações diretas com o movimento, fazer formaçãopolíticasobre 
Rojava e a política de autonomia e forçar o governo dos EUA a tirar o PKK da lista de 
organizações terroristas.

- Desenvolver um conjunto claro de princípiospolíticos a partir dos quais basear nosso 
trabalho e a partir deles, desenvolver nossos contatos no Curdistão e começaresforçospara 
levantar fundos e material, para organização específica anarquista no Curdistão e para 
grupos mais amplos.

- Priorizar o intercâmbio de militantes entre os EUA e Curdistão, organizando turnês de 
palestras nos EUA e enviando companheiros/as para participar da reconstrução de Kobane.

- Promover a luta revolucionária de Rojava e fazer formação sobre, compartilhando relatos 
frequentes de atividades de solidariedade, noticiais e analises da situação no Curdistão. 
Além de traduzir material do Curdistão e enviar material de propaganda traduzido para 
distribuição aos nossos companheiros no Curdistão.

Tradução: FARJ
FARJ | 05/08/2015 às 23:54 | Categorias: anarquismo no mundo, conjuntura, formação, lutas, 
mulheres, solidariedade | URL: http://wp.me/p1JXNu-Qs	

https://anarquismorj.wordpress.com/2015/08/05/brrn-nossas-perspectivas-e-tarefas-na-revolucao-de-rojava-traducao/


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