(pt) Espanha, Aunar: Nova organização libertária em Aragão - Declaração de intenções

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Domingo, 2 de Agosto de 2015 - 11:11:23 CEST


Esta iniciativa é promovida por um conjunto de militantes e ativistas dos diferentes 
movimentos sociais e sindicais de Aragão. Somos pessoas que participamos a título 
individual em anarcosindicatos, organizações estudantis ou centros sociais assim como em 
outros coletivos e assembleias de base tanto de bairros como setoriais. ---- Entendemos 
que o 15M supôs um ponto de inflexão na forma de compreender a política e vivemos com 
entusiasmo como nas diferentes praças de nossas cidades e povoados criaram-se espaços de 
encontro e debate político que até então não aconteciam. No entanto vemos como a evolução 
do discurso do "não nos representam" desembocou em um giro eleitoralista destes movimentos 
sociais, consequência de não terem sido capazes de articular um discurso por fora das 
instituições, ao falar somente de objetivos tão abstratos como o fim do capitalismo ou a 
abolição do Estado quando há que ser conscientes de que não é isso o que agora mesmo está 
em jogo, senão que nos encontramos em um processo de acumulação de forças e de atender a 
nossas necessidades mais imediatas. É por isso que foram as organizações eleitoralistas as 
que assumiram esse papel, convertendo-se em uma opção atrativa a curto prazo para uma 
parte importante da população cansada de ver como suas condições materiais de vida pioram.

Analisamos que o Estado não é uma ferramenta neutra a serviço de quem queira utilizá-la 
senão que tem umas funções concretas, bem definidas, de manter o statu quo através do 
monopólio da força. Com um capitalismo cada vez mais global, suas instituições não deixam 
de ser ferramentas de gestão da miséria a serviço dos poderes econômicos e financeiros, de 
caráter supraestatal: somos conscientes de que o neoliberalismo não vai acabar com um Real 
Decreto.

Ante esta situação vemos a necessidade de estabelecer uma linha estratégica comum, a longo 
prazo, que implique definir uns objetivos táticos, assim como umas linhas de atuação e, 
com base em uma análise, gerar discurso em temas que nos afetam de forma cotidiana e nos 
que normalmente, como movimento, não nos posicionamos, no qual se traduza em um programa 
libertário. Para realizá-lo consideramos imprescindível a criação de uma organização, que 
longe de querer substituir os movimentos sociais e anarcosindicatos, complemente, reforce 
e enriqueça o trabalho que estes realizam.

Historicamente, nenhuma revolução social foi possível sem uma ação coletiva forte e 
autônoma de massas e é por isso que esta organização servirá para fortalecer e desenvolver 
este tipo de movimentos mediante a coordenação de quem, tendo práticas libertárias, 
atualmente participam neles em nosso contexto territorial. Isto nos faz mais fortes na 
hora de intervir socialmente e de combater as violências estruturais que se exercem sobre 
as pessoas e os corpos, com unidade política na organização ainda que não necessariamente 
plena unidade ideológica.

Para isso, pensamos em ter uma estrutura baseada nas diferentes frentes de luta em que 
participamos e trabalhar material teórico específico de cada frente a partir do qual gerar 
esse discurso graças ao debate coletivo, sem nos perdermos na teoria, para sermos capazes 
de estabelecer um diálogo entre a intervenção social e a reflexão.

Do mesmo modo, fazer questão no compromisso e na responsabilidade militante, acabando com 
a preponderância das liberdades individuais sobre as coletivas dentro do anarquismo - para 
alcançar o equilíbrio entre ambas -, porque cremos que é a única forma de focar os 
esforços coletivos até objetivos comuns. Ademais, observamos como muitas vezes investimos 
esforços a curto prazo em nossos espaços que ao não responder a uma estratégia pré 
definida se perdem e não servem como escala até uns objetivos a médio e longo prazo, o que 
provoca sensação de estancamento entre a militância ao não ser capazes de quantificar a 
evolução do movimento. Devemos avançar até uma mudança na cultura militante.

Também vemos a necessidade de resignificar ou clarificar termos do anarquismo clássico 
como "propaganda pelo feito" ou "ação direta" que são normalmente incompreendidos ou 
intencionadamente tergiversados, assim como romper com as estéticas socialmente impostas 
ao anarquismo para assim sair de nossos espaços de resistência e da subcultura para passar 
à ofensiva política.

Em resumo, queremos construir de forma coletiva uma alternativa real, territorial, forte, 
organizada e por fora das instituições para converter-nos em protagonistas de nossas 
próprias vidas na esfera política, econômica e social.

Zaragoza, junho de 2015.

Contato provisório: aunar.info  gmail.com

aunar.org

Tradução > Sol de Abril

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