(pt) Anarkismo.net: Operação Zelotes, Lava-Jato e as oportunidades perdidas by BrunoL

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Sábado, 4 de Abril de 2015 - 12:31:06 CEST


"[...] o partido de governo se torna cúmplice de oligarcas e neoliberais nas relações 
pouco republicanas com o aparelho de Estado".....02 de abril de 2015, Bruno Lima Rocha 
---- Tem momentos na história de um país em que um conjunto de forças à esquerda tem as 
chances históricas de quebra da hegemonia de pensamento e as coisas passam desapercebidas. 
Entendo que, graças ao triste fato do PT se imiscuir com o pior do Brasil nos últimos 12 
anos, estamos diante de um gigantesco escândalo - evidência com provas - de sonegação 
fiscal com provável corrupção de agentes públicos - do primeiro escalão da Receita - e 
apenas a difusão destes fatos poderia colocar contra a parede o andar de cima inteiro. 
Apenas verificando as listas cruzadas da Lava-Jato com a Zelotes (que deixara um rombo nos 
cofres públicos de R$ 19 bi, o dobro da Lava-Jato), derrubamos mitos de excelência do 
setor privado, capacidade de competência do agente econômico e superação do setor público.

A Operação Zelotes poderia ser a hora da virada na disputa pela legitimidade no Brasil; 
daria continuidade ao que fora deixado para trás quando da CPI do Banestado. Infelizmente 
o povo brasileiro coleciona uma série de históricas oportunidades perdidas.

O problema é o momento e a perda de poder de reação das esquerdas brasileiras neste 
delicado momento em que fica difícil se desmarcar do governo (tanto do reboquismo como do 
pacto lulista) e é urgente desarmar a direita neoliberal de linha chilena. Infelizmente, 
nos últimos 15 anos, a Polícia Federal vem atingindo mais a hegemonia da legitimidade do 
agente econômico e não a luta ideológica.

Ideologicamente, o país caminha no sentido inverso, marchando lado a lado com o pensamento 
cotidiano mais à direita. Segundo o SEBRAE e em escala de pesquisa global, o Brasil é o 
país mais empreendedor do mundo, estando à frente da China (maldição pós-stalinista). Ao 
mesmo tempo, temos o andar de cima atravessado por relações de clientela, patrimonialismo 
e que usam e abusam da conta da viúva (União) para fazer dos recursos públicos seu capital 
de giro e a fundo perdido. Inverter esta derrota ideológica é urgente e não pode ficar 
escorada em jacobinismo ou outros cantos da sereia republicanos.

Dando sequência no argumento e apontando algumas reflexões de fundo

Ainda no tema, imagino que se cruzássemos a participação de agentes econômicos de primeira 
envergadura nos conselhos de administração de grandes empresas, incluindo o da Petrobrás 
quando da famigerada compra da Refinaria de Pasadena no Texas, mais a existência de 
volumosas quantias nas contas do HSBC da Suíça (cuja CPI se arrasta e a difusão midiática 
é ainda mais lenta), com a presença de operadores individuais à frente das empreiteiras e 
demais contratistas da Petrobrás, somando com as suspeitas de criminosas ações de fraude e 
evasão fiscal e podemos, materialmente, comprovar a criminalização do agente econômico e 
dar uma evidência incontestável de economia política como ela é, de forma dura e simples.

De novo eu insisto nas chances perdidas quando da CPI do Banestado e no desenvolvimento 
das Operações Chacal e Satiagraha. Esta seria a chance de ouro para punir e reverter a 
farra das privatizações. Onze anos após e muita lama debaixo da ponte corroída, o partido 
de governo se torna cúmplice de oligarcas e neoliberais nas relações pouco republicanas 
com o aparelho de Estado. Há diferença programática, entre a liquidação dos sistemas e 
cadeias produtivas por FHC e cia (lembremos do "fim da Era Vargas"), para o Bismarckismo 
Tropical e dos consecutivos pacotes de bondades e choques de capitalismo (vide Eike 
Batista e sua difusão midiática). Definitivamente o segundo é menos pior como projeto 
capitalista, mas não alterna nada da hegemonia interna brasileira e menos ainda avança no 
pensamento mais à esquerda.

Entendo que o momento urge este cruzamento de informações, sem comprar a versão do PIG de 
que a Lava-Jato justifica um impeachment e tampouco comprando a versão do PIG2 e vendo 
esta relação de que a injustiça fiscal retroalimenta os sonegadores, especuladores e 
agentes econômicos dominantes no Brasil. Se tivéssemos um movimento sindical de fato 
classista e com autonomia política para o interesse de quem trabalha, e o estouro da 
Operação Zelotes virava a preponderância do discurso conservador dos neoliberais de linha 
chilena (repito, esta gente é realmente perigosa no sentido ideológico). Infelizmente esta 
frente de trabalho e organização social está sob a hegemonia de pelegos ou governistas. 
Articular nas franjas da esquerda social, como foi o acúmulo que fez com que ganhássemos 
as ruas em 2013 e operássemos uma conquista direta, pode ser a esperança para virar este 
ano de 2015, que é a continuidade de 2014, ano que insiste em não terminar.

Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e de relações internacionais.

site: www.estrategiaeanalise.com.br
email: strategicanalysis  riseup.net
Facebook: blimarocha  gmail.com


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