(pt) Brazil, Anarchist Federation Gaucha FAG - 1º de abril de 1964, a data que não podemos esquecer e a ideologia que seguimos combatendo

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Quinta-Feira, 2 de Abril de 2015 - 19:44:02 CEST


Fazer memória ao golpe militar levado a efeito em 1º de abril de 1964 com o amplo apoio 
das elites e do empresariado nacional e internacional é dever de todo campo da esquerda 
que se reivindica combativa e, especialmente, do Anarquismo organizado que desde os 
primórdios tem estampado no alto da sua bandeira a luta contra todas as formas de opressão 
representadas pelo Estado, pelo capital e pelos lacaios de farda que lhes dão sustentação. 
Para além de fazer a denúncia e trazer a tona à memória da barbárie sem escrúpulos 
materializada nos sequestros, desaparecimentos forçados, torturas e assassinatos que se 
tornaram lugar comum durante os longos 21 anos de chumbo é fundamental que se aponte as 
heranças desse período. Heranças essas evidenciadas objetivamente no judiciário e nas 
ações militares das polícias que seguem fazendo da história fato presente através da 
criminalização da pobreza, do protesto, das perseguições às e aos que lutam, das torturas, 
dos assassinatos, dos indiciamentos sem provas, das condenações políticas, entre tantos 
outros fatos que fazem da memória histórica subsídio para pensar e atuar no presente.

Para nós é fundamental fazer memória as e aos que tombaram lutando contra o arbítrio e a 
opressão do Estado ditatorial, não apenas pela necessária lembrança e reconhecimento, mas 
também pela força que o elemento de luta e de resistência carrega em si. Se ontem foram 
eles que através da organização resistiam e lutavam contra a ditadura escancarada, hoje 
segue posto para nós seguir combatendo o Estado e suas heranças ditatoriais que mantém a 
gênese autoritária e opressora muito viva, mesmo escondida sob mal camuflada democracia. O 
Estado continua servindo como aparelho de classe para manutenção dos interesses dos "de 
cima", da mesma elite podre que apoiou a ditadura. Longe de querer comparar o período 
ditatorial e a exceção permanente tornada regra com o cenário que vivemos hoje, é 
fundamental que a memória daqueles tempos tome lugar nos nossos debates e nas nossas lutas 
cotidianas. Essa atitude tem potencial efetivo para garantir acúmulo de forças para a luta 
dos "de baixo" e para que opressão - em todas as suas formas - tenha fim.

É muito difundido entre amplos setores sociais o entendimento sobre o que representa e o 
que representou a ditadura empresarial-militar para a história do Brasil, bem como para a 
história dos países do cone sul. Contudo, muito devido à timidez de parte da esquerda em 
fazer essa denúncia, da dificuldade de criar espaços de difusão das memórias do período 
ditatorial e, principalmente, pela ausência de punição aos agentes da ditadura e aos seus 
cúmplices, que ainda pairam muitas dúvidas e desconhecimentos entre o grosso da população. 
As disputas que atravessam o tema da ditadura bem como as heranças daquele período que 
seguem presentes nos dias de hoje estão intimamente ligadas às práticas de esquecimento e 
à ausência do elemento de justiça na tríade composta por memória e verdade.

Se torna ineficiente tocar nesse tema apenas em datas pontuais. Os exemplos dos demais 
países que passaram por ditaduras nos ensinam desde há muito tempo que é a organização 
desde as ruas, sindicatos, escolas, locais de trabalho que impulsiona o debate social e 
que pode garantir a punição aos crimes cometidos pelos agentes e apoiadores da ditadura. 
Que em nossos atos e em nossas lutas se façam sempre presentes àquelas e àqueles que 
lutaram e em muitos casos entregaram suas vidas para que hoje pudéssemos falar, 
distribuir, ler e opinar sobre a covardia que é uma ditadura.

Ontem e hoje, seguir organizando, resistindo e lutando com os "de baixo"!

Arriba todas e todos os que lutaram e todas e todos que seguem lutando!

Pelo socialismo e pela liberdade!

Federação Anarquista Gaúcha - Integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)


http://www.federacaoanarquistagaucha.org/?p=1093


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