(pt) Anarkismo.net: Brazil, Os flancos abertos de Marina Silva são alvos móveis para as baterias do lulismo original Bruno Lima Rocha

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Sexta-Feira, 19 de Setembro de 2014 - 20:06:00 CEST


Na reta final do 1º turno, faltando menos de vinte dias para o pleito, parece que 
finalmente houve um ajuste da estratégia de campanha do partido de governo (PT) e da 
defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. Como havíamos dito anteriormente, o pior 
dos mundos para a situação seria uma versão do lulismo mais palatável para os operadores 
midiáticos e com livre trânsito nos agentes com poder de veto. Tal produto de marketing 
político é a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. E, sua maior virtude publicitária, 
termina por tornar-se o alvo visível e concreto dos ex-correligionários petistas. ---- 
Dilma Rousseff então ministra da Casa Civil, o criador do lulismo e sua versão amazônica 
genérica, a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva. À época, Marina tentava ser 
ungida pelo padrinho político

Não se pode fazer análise séria levando em conta os índices de campanha eleitoral; mas, 
como os staffs dos candidatos assim o fazem, somos obrigados a reconhecer esta variável. O 
PT começou a bater em sua desafeta expondo suas contradições e duplo discurso. Este mesmo 
partido, ungido por Lula à época sob a direção política de José Dirceu e José Genoino, 
operara alianças heterodoxas para formação de maioria no Congresso e assegurar a tal da 
governabilidade por dentro e por fora. Se Marina também não tivesse alianças heterodoxas 
em sua projeção de imagem pública, poderia explorar tal fato na coligação liderada por 
Dilma e Michel Temer (PMDB), mas não o faz. Ao afirmar que "vai governar com os melhores" 
e "não tem lados", apenas o "bem comum de todos os brasileiros" independente de suas 
posições na pirâmide social, Marina executa um discurso vazio, com forte apelo 
publicitário, mas com possibilidade de vôo limitado.

Bastou que seus aliados nas clivagens específicas fossem a campo, como o Pastor Silas 
Malafaia, para Marina aumentar a rejeição e a insegurança no eleitorado. O 
tele-evangelista, liderança nacional da Assembléia de Deus e porta-voz de um capitalismo 
de tipo neoliberal e com pregações micropolíticas conservadoras, pode ser facilmente 
taxado de incitar o ódio homofóbico e assim, reforçar a violência contra toda a população 
LGBT. Estas pregações vão de encontro à estrutura midiática apoiadora de Marina, como por 
exemplo, é notado nos enredos de tele-novelas da Rede Globo de Televisão. Ainda que de 
forma caricata, a presença de relações homoafetivas é constante nas tramas da Globo e 
formam um lugar comum na emissora líder.

Outro flanco aberto por Marina é na exposição de Neca Setúbal e uma suposta possibilidade 
de acerto fiscal de R$ 15 bilhões a ser realizado através de recursos judiciais do Grupo 
Itaú, o qual ela é herdeira de parcela majoritária. A ex-senadora pelo Acre, através da 
porteira de suas relações econômicas, não se difere da política dos campeões nacionais do 
BNDES de Lula e Dilma e a relação umbilical com os grandes capitais aqui presentes. A 
diferença é no tipo de relação, pois os seguidos pacotes de bondades de Lula e Dilma 
asseguram o emprego direto como fator de estabilidade no capitalismo brasileiro. Já as 
opções da equipe econômica de Marina, liderada por Eduardo Gianetti da Fonseca, flertam 
com o fantasma da Era FHC e suas terríveis conseqüências para a sociedade brasileira 
concreta. O tema do Pré-Sal, dentre outros, caracteriza este flanco aberto.

Assim, permitindo-nos a uma comparação forçosa, apesar de não termos candidaturas 
reformistas (de esquerda eleitoral autêntica) com chances de vitória, o PT vê-se obrigado 
a se posicionar publicitariamente mais à esquerda para diferenciar-se de sua cisão que 
ruma ao centro e centro-direita do espectro. Tal cisão, antes comandada pelo finado 
Eduardo Campos (PSB), abre uma aliança com o capital financeiro, já assinalada com a 
infeliz ideia de assegurar "independência" para o Banco Central. Isto na prática implica 
entregar 100% da autoridade monetária nas mãos de banqueiros, especuladores e 
economistas-consultores vinculados ao setor financeiro. Entre obscuras "regras técnicas" 
que oscilam entre medições econométricas e delírios de filosofia econômica liberal, a 
pouca soberania restante do Estado sobre o poder dos rentistas iria pelo ralo. Ao propagar 
tamanho absurdo na campanha, Marina, Beto Albuquerque e a trupe de filiados históricos e 
novos arrivistas, abrem um flanco para bater e a dúvida não é porque o PT bate, mas como 
demorou e porque bate tampouco.

Se há ainda uma chance de vitória eleitoral do lulismo, esta se materializa com a presença 
do próprio Lula em campanha. Desautorizando Marina e reivindicando sua criatura política 
(Dilma, a ex-Primeira Ministra, titular da Casa Civil empossada em meio ao pandemômio da 
crise do Mensalão), o Lech Walesa brasileiro pode virar o jogo publicitário. A "mãe do 
PAC" conta com de novo com o "pai dos pobres" para derrotar aos dois projetos neoliberais 
em nome de um desenvolvimento policlassista. O lulismo, traduzido em bismarckismo tropical 
com arroubos de keynesianismo tardio, convive bem com a estrutura de classes e alguma 
desigualdade. Se a direita política brasileira não fosse tão louca em termos ideológicos e 
exclusão pós-colonial, seguiria os passos dos agentes econômicos líderes e apoiaria Lula, 
Dilma e cia.

A eleição brasileira é um jogo disputado em dois turnos e que, em sua primeira rodada, 
levará à vitória parcial para o time que atacar mais os flancos abertos de adversários. O 
PT assumiu o paradigma de Adhemar, e está fazendo. Os demais precisam derrubar este prisma 
e afirmar que vão distribuir renda e assegurar os ganhos de acumulação dos capitais aqui 
presentes geradores de emprego direto. Do contrário, as chances de vitória são menores.


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