(pt) Operação Lava Jato e mais do mesmo no padrão da política brasileira by BrunoL (en)

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Quinta-Feira, 11 de Setembro de 2014 - 12:27:39 CEST


Costumo perseguir os padrões de permanência do fazer político, especificamente do Jogo 
Real, que é o conjunto de regras concretas (legais ou não), moralmente defensáveis ou não, 
formando partes constitutivas das disputas eleitorais e da gestão do Estado capitalista. 
Infelizmente, parece que é a sina da esquerda eleitoral tornar-se a força renovadora da 
política tradicional. Assim os discursos vão lavando e de programa mínimo em programa 
mínimo, de pragmatismo em praticidade. ---- O doleiro Alberto Youssef e operador de dentro 
da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, alvos da Operação Lava Jato. A cada ação da PF, temos 
as figuras-chave dos operadores de dentro do aparelho de Estado e os elementos de ligação 
com empresas contratadas e po ---- A última bomba da política brasileira fala através da 
delação premiada - ou combinada, segundo o candidato a vice-presidente pelo PSB, o 
deputado federal gaúcho Beto Albuquerque. De acordo com matéria da Folha de São Paulo, o 
ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria afirmado que o caixa dois de obras 
superfaturadas e contratos engordados da estatal de petróleo e derivados vinham 
alimentando de verbas desviadas a 12 senadores, 49 deputados federais e ao menos um 
governador.

Este governador (ex-governador ou ex-governadora, ou ambos) poderia ter sido o falecido 
Eduardo Campos, cujo avião caiu em desastre aéreo na cidade paulista de Santos, em 13 de 
agosto de 2014. No esquema revelado pela Polícia Federal através da Operação Lava Jato, 
entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa garantia um percentual a políticos com cargos e 
influência durante os governos de Lula e Dilma. Estes, operadores do PMDB, PP e PT, 
ficariam com 3% do valor dos contratos da Petrobras no período em que o informante foi 
diretor da estatal, entre os anos de 2004 e 2012. Vale lembrar que o ex-diretor foi 
indicado ao cargo através de cota do PP, mais tarde recebendo respaldo das legendas da 
presidente (PT) e do vice (Temer).

Se formos comparar os resultados da investigação da PF, não há diferença substantiva entre 
o que foi apurado nas operações Lava Jato, Monte Carlo, Castelo de Areia, Satiagraha, 
Gautama e Chacal, dentre dezenas de outras de menor envergadura. Também não há diferença 
substantiva entre estas operações e o cartel do Metrô de São Paulo. Noutra ponta da mesma 
corda apodrecida, a formação de maioria parlamentar através de remuneração regular sem 
rubrica ou emendas é a unidade tática observada nos Mensalões do PSDB (MG), PT (federal) e 
DEM (DF). Assim, entendo que temos as seguintes caracterizações.

Seria leviano afirmar que as candidaturas de Dilma Rousseff (PT-PMDB-PP-PC do B), Aécio 
Neves (PSDB-DEM) e Marina Silva (PSB-PPS) são absolutamente idênticas. Na última década, 
ainda que com tímida distribuição de renda, implicando um ponto da Taxa Selic ao 
equivalente a todo um ano de Bolsa Família, tivemos consideráveis melhorias nas condições 
materiais de vida. O ano de 2013 demonstrou que a política de acomodação social já não 
basta para segurar uma nova geração, sem experiência política prévia e rejeitando 
frontalmente o governo de coalizão.

Assim como é absurdo comparar a Era FHC com os efeitos societários do Lulismo, também 
seria irresponsável com qualquer postura mais à esquerda posicionar qualquer uma destas 
propostas como sendo de "esquerda". O modus operandi da tal da governabilidade aproxima o 
então maior partido de massas e reformista da América Latina (PT) de seus antigos 
adversários, tanto apoiadores da ditadura (ARENA) como fisiológicos da oposição consentida 
(PMDB). A maior vitória da direita política no Brasil e dos grandes capitais aqui operando 
foi ter se acomodado ao choque de capitalismo promovido por Lula, seus aliados e 
correligionários.

Não quero com isso dizer que o fato singular é sem importância. Caso o fizesse, abriria 
mão da análise de conjuntura, restando apenas a predição estrutural, o que em termos 
práticos implica tudo ou nada o tempo todo. O singular importa e assim como o desastre 
aéreo gerou a ocasião para catapultar Marina Silva, as denúncias de Paulo Roberto Costa 
podem garantir alguma folga para um segundo turno que se avizinha entre o lulismo e sua 
defecção. Marina é sim, um fruto amargo da herança política de Lula. Já sua equipe 
econômica uma filha não tão bastarda do pior do tucanato e do poderio do capital 
financeiro. Se ficar evidente algum envolvimento da figura hoje imaculada de Eduardo 
Campos, ou demonstrado em palatável e acessível linguagem publicitária que o avião que 
caíra era financiado através de empresas fantasmas, o que evidencia caixa dois, aí o jogo 
pode virar a favor de Dilma ainda em setembro.

Nesta reta final de campanha, o descolamento do processo eleitoral para a dimensão 
política - e sua aliança tão nefasta como subordinada para com as estruturas de dominação 
- abrem a cancha para qualquer possibilidade. Os três possíveis mandatários da 7ª economia 
do mundo e a 79ª sociedade em ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU dependem, 
e muito, do talento de seus publicitários para transformarem um fato policial e de crime 
de Estado, em fato político e factóide (tipo teaser) eleitoral. É mais que preferível o 
barulho e a desobediências das ruas em 2013, do que este tipo de jogo viciado em 2014.


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