(pt) Quebrando Muros - (RP-AL) Uma nova constituinte não responde a nossas urgências. (en)

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Quinta-Feira, 4 de Setembro de 2014 - 11:27:07 CEST


  O PROBLEMA DO ATUAL PLEBISCITO ---- Desde as grandes mobilizações populares de junho de 
2013, passando pelas greves de 2014, algo de novo, no passado recente do Brasil, nos foi 
colocado: a grande insatisfação da maioria da população contra as instituições que 
controlam nossas vidas e as diversas maneiras de lutar contra o estado de coisas que nos 
aprisiona, seja no nosso trabalho, no nosso estudo, no bairro que moramos, etc. De fato, a 
maior parcela da população atem-se às formas mais imediatas de demonstrar essa indignação, 
mas tivemos greves históricas com ganhos reais ou parciais  conduzida, em boa parte das 
vezes, pelos trabalhadores, à revelia das direções sindicais. Isso mostra que fazer 
movimento sindical também é possível, mesmo com sindicatos aparelhados por grupos 
políticos que os fazem girar em torno de seus próprios interesses e/ou atrelados a patrões.

Como dissemos, foram colocadas em cheque as formas antigas de se fazer política, 
principalmente as políticas institucionais. O desinteresse dos brasileiros pelas eleições 
para cargo legislativo e executivo é grande. Transformar a revolta em ação de mudança, na 
luta pela defesa e ampliação de direitos, bem como na construção do poder popular, não é 
fácil. A maioria não passou da situação de conforto da crítica, mas não foram poucos os 
que fizeram greves, como as dos Garis e Rodoviários.

Acreditamos que as mudanças tão sonhadas, aquelas balizadas pela igualdade e liberdade, 
virão na medida em que o conjunto dos oprimidos se fizer protagonista, e, organizado, 
lutar com ação direta e na construção do Poder Popular.

Uma parcela dos movimentos sociais atualmente está organizando um plebiscito nacional por 
uma nova constituinte. No nosso passado recente, vários foram os plebiscitos puxados por 
movimentos sociais, como o contra a ALCA, pelo não pagamento da Dívida Externa, entre 
outros. Esses foram importantes instrumentos, pelo menos em potencial, de pressão, 
propaganda e possibilidade de ampliação de diálogo com o restante da população. Não foram 
plebiscitos oficiais, por isso, seus resultados não foram oficialmente aceitos, mas 
promoveram importantes debates.

Um plebiscito oficial, sendo apenas consultivo, não garante poder de mudança nenhum na mão 
do povo. Um plebiscito oficial, com capacidade direta de decisão da população, pode trazer 
decisões importantes, mas mesmo assim não seriam decisões centrais. O Estado tem uma 
estrutura forjada para garantir que as estruturas de domínio continuem privilegiando uma 
minoria opressora. Mudanças que colocassem em cheque essa situação não poderiam ser 
promovidas pelo próprio Estado.

O problema do atual plebiscito proposto por vários movimentos sociais não é seu formato, 
que já foi utilizado outras vezes, como falamos. O problema desse plebiscito está na forma 
como ele propôs o diálogo com a população que se revoltou em junho de 2013. Se a revolta 
da população é contra as instituições (governos, parlamentares de maneira em geral, 
judiciário, polícias, grandes empresas, etc.), não acreditamos que chamando essa população 
para uma nova constituinte se resolveria o problema. Depois de tanto esperar para vermos 
um espírito de revolta nascer em grandes parcelas da população, não dá para queremos 
conduzir esse espírito de revolta para uma saída institucional.

Querer uma constituinte é apostar numa saída que pode adestrar parte da população para o 
diálogo com seus algozes: governos e patrões. Vemos as greves espontâneas deste ano como o 
tipo de saída que apostamos. Educar o povo na revolta, construir protagonistas na ação 
direta é o que precisamos. Parar a luta para fazer uma constituinte nos conduz a velhas 
fórmulas que não apontaram saídas para o povo oprimido. Se temos direitos garantidos em 
lei, foi devido a muita luta de gerações anteriores. Se quisermos acumular mais vitórias e 
construir o Poder Popular necessário para transformação social almejada, continuemos na luta.

Retirado de: 
http://resistenciapopular-al.blogspot.com.br/2014/09/uma-nova-constituinte-nao-responde.html


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