(pt) Coletivo Quebrando Muros - A Fagulha Ano 4 #8 - A Outra Campanha -- Política para além das eleições!

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Domingo, 26 de Outubro de 2014 - 10:34:53 CET


Mais um ano de eleições! Cavaletes estão armados pelas ruas, placas e faixas a postos, 
santinhos e adesivos espalhados... as caras e os números dos candidatos estão de volta. É 
a hora da velha história de renovação na política, de ouvir sobre "o que foi feito" e 
sobre as grandiosas promessas de mudanças para o futuro. Nas eleições, o povo costuma se 
posicionar de duas maneiras diferentes: ou acredita nas propostas de um representante, 
confia seu voto nele e até mesmo faz campanha, ou se afasta de qualquer assunto 
relacionado à política, deixando de se manifestar por consi-derá-la uma atividade corrupta 
e ineficiente. ---- As eleições são um momento de efervescência política e precisamos 
olhá-las para além das aparências. A postura de rejeição e ódio à política é favorável aos 
poderosos, pois se você deixa de se posicionar sobre os temas da vida pública, alguém 
cheio de interesses se posicionará no seu lugar, tomando decisões em seu nome.

Por outro lado, confirmar
o voto na urna não garante que
o representante defenderá os in-
teresses de seus eleitores. E por
que isso, afinal? Porque a políti-
ca e o poder não são exercidos
somente pelas figuras que são
eleitas pelo voto.

O voto popular não é nem de
longe a principal fonte do poder
na democracia representativa. As
eleições já são "decididas" antes
mesmo do povo votar. Pode pare-
cer estranha tal afirmação, mas
se vermos quem são os grandes
apoiadores de candidaturas po-
deremos perceber quem manda
mesmo nesse tipo de política:
são as grandes empresas, donos
de latifúndios e os poderosos que
financiam as campanhas eleitorais
e seus partidos!

Historicamente, a ocupação dos
cargos políticos busca apenas a
obtenção de novos privilégios
para velhos privilegiados grandes
empresas, grandes proprietários
de terras, meios de comunicação,
bancos, caciques políticos, grupos
organizados de gente poderosa e
farta de grana que patrocinam os
políticos profissionais para repre-
sentarem os interesses deles! Ven-
cer uma eleição custa caro, o que faz
dela um grande balcão de negócios.
Assim os representantes eleitos, ao
longo dos mandatos, têm o com-
promisso prioritário com aqueles
que os bancam nas eleições e não
com os trabalhadores que deposi-
tam seu voto e que acabam acre-
itando em suas propostas.


Alguns partidos e candidatos bus-
cam representar o povo através
dos movimentos sociais, que são
segmentos do povo organizados
em torno de suas necessidades,
sejam elas transporte, terra,
moradia, educação, saúde, em-
prego digno ou outros. É o caso
do PT, que surgiu da união de vári-
os movimentos sociais. Ao longo
dos anos, para conseguir ganhar
eleições e ocupar o Estado, o par-
tido se aliou a gente casca grossa
do poder e fez muitas negociações,
dando muito mais assistência para
os ricos do que para os pobres.

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"Pelo contrário, elas [as eleições]tendem a
manter o sistema como ele é.
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Os movimentos populares, de-
pois que o PT chegou ao poder
se burocratizaram, passaram a
servir aos interesses dos repre-
sentantes ao invés de fazerem
luta de classes. Os sindicatos, as-
sociações de moradores e o MST
elegeram muitos representantes,
especialmente Dilma e Lula, mas
os salários, reforma agrária e ur-
bana e os serviços públicos não
aconteceram como o povo que-
ria. Os ricos ficaram ainda mais
ricos nos 12 anos de PT, mas as
políticas sociais foram paliativas
e as reformas estruturais que os
movimentos demandavam não
foram realizadas. Ou se está do
lado do povo, da classe trabalha-
dora e oprimida, ou se está do lado
dos empresários e latifundiários,
classe burguesa.

Se houve alguma melhora foi
porque existiu muita luta e não pela
vontade individual deste ou aquele
político. E as possíveis melhoras
não deixam de vir acompanhadas de
muitos ataques como a venda de re-
cursos naturais, privatizações, piora
dos serviços públicos, uso do din-
heiro público para financiar grandes
negócios e uma série de medidas
que agradam os mesmos de sempre.
O povo só resiste a esses ataques
quando têm a democracia em mãos.
A verdadeira democracia não se faz
nas urnas, mas na luta constante
dos movimentos populares por seus
direitos. Essa é democracia direta,
onde não há a necessidade de rep-
resentantes ou líderes soberanos,
que de seus gabinetes irão escolher
os destinos do povo. A ação política
direta é a arma da população para
transformar a realidade imposta.

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"'A Outra campanha'
baseia-se na consulta e
no diálogo direto com a
população, na descen-
tralização da prática
política e no estímulo
a formas autônomas de
organização e cooper-
ação.
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Uma das grandes experiências
de poder popular vem das comu-
nidades Zapatistas, no México.
Desde 2006, os zapatistas desen-
volvem "A Outra Campanha", uma
alternativa às eleições represen-
tativas. Partindo de uma linha
claramente de esquerda e anti-
capitalista, "A Outra campanha"
baseia-se na consulta e no diálo-
go direto com a população, na de-
scentralização da prática política
e no estímulo a formas autôno-
mas de organização e cooperação.
Políticos profissionais e pequenos
grupos de líderes são vistos como
desnecessários: é de baixo - ou seja,
do povo organizado - que vem as
reivindicações, propostas e ações.
Um modo horizontal e autoges-
tionário de se fazer política. Tal
prática sedimentou-se não apenas
nas comunidades zapatistas, onde
o legado é visível na criação de es-
paços autônomos (como escolas
e hospitais) geridos pela própria
população, sem intermediários.
Ela espalhou-se pelos mais diversos
cantos do mundo, onde se conso-
lidou como uma alternativa crítica
à grande farsa das eleições e da de-
mocracia representativa.

Seja com candidatos "progressis-
tas" ou com os velhos coronéis,
as eleições foram, ao longo da
história, ineficazes para resolver
os problemas do povo e realizarem
mudanças verdadeiras e profun-
das na sociedade. Pelo contrário,
elas tendem a manter o sistema
como ele é. Que em tempos de
promessas, santinhos e discursos
falsos e vazios, possamos tomar o
exemplo dos companheiros zapa-
tistas e pensarmos em uma Outra
Campanha, em uma outra forma
de se pensar e fazer política: uma
forma de organizar, lutar e criar o
Poder Popular, abaixo e à esquer-
da!


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