(pt) Organização Anarquista Terra e Liberdade OATL - COMPANHEIRA INDÍGENA E PROFESSORA É DEMITIDA POR QUESTÕES POLÍTICAS DA DIRETORIA ESPECIAL DE UNIDADES ESCOLARES PRISIONAIS E SOCIOEDUCATIVAS

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Quarta-Feira, 15 de Outubro de 2014 - 15:56:20 CEST


Até alguns dias atrás, a professora de biologia e indígena da etnia Manauara, do tronco 
Arawak, Mônica Brandão, lecionava para presos nos pavilhões do presídio de Gericinó, em 
Bangú, zona norte do Rio. O programa é uma das atividades promovidas pela DIESP -- 
Diretoria Especial de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas. Mônica é conhecida 
por sua luta em defesa da Aldeia Maracanã e foi vítima de violência policial inúmeras 
vezes, inclusive nas duas ocasiões em que indígenas foram covardemente despejados do 
edifício do antigo Museu do Índio. Além disso, Mônica é presença certa nos protestos que 
têm agitado a cidade desde junho de 2013 e, como educadora, apoia com unhas e dentes o 
movimento em defesa da educação, que já prepara uma nova greve.
Em setembro, a SEAP entrou com processo administrativo contra a professora solicitando seu 
afastamento da DIESP, que prontamente acatou a decisão e afastou Mônica de suas 
atividades. Há dias, Mônica tenta copiar o processo para entender o motivo da sentença, 
imputada antes mesmo de atestada a legalidade do mérito. No entanto, todos os pedidos 
foram negados, pois segundo a SEAP e DIESP o processo é "sigiloso".
-- Alegam que o processo é sigiloso e me negam a cópia. É perseguição política, é assédio 
moral, é crime de ilegalidade! Mas não me envergarei sequer e a justiça naquilo que faço, 
o fruto do meu trabalho e ações, falarão por si e mais alto. Não temo processos, é uma 
honra incomodar, é a melhor avaliação do meu papel de educadora e de cumprimento de missão 
em forjar as mudanças justas desta sociedade. Realmente, talvez não estejamos do mesmo 
lado e veremos quem sairá mais desgastado! As ruas já estão falando. Será que pretendem 
colocar todos na prisão e nos presídios urbanos? -- questiona Mônica.
Procuradas por email para explicar o afastamento da educadora, a Secretaria de 
Administração Penitenciária e a Secretaria Estadual de Educação disseram que Mônica 
"colocou em risco, por atos e procedimentos, o sistema de segurança da Unidade Prisional", 
mas não disseram especificamente como.
Além de lecionar Biologia Política e Biologia do Conhecimento no Complexo Penitenciário de 
Gericinó em Bangu (Regional VIII da rede estadual de ensino), Mônica também é professora 
do GEPUM (Grupo de Educação Popular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro / 
Comunidade Metrô Mangueira), dá aulas na Universidade Intercultural Indígena Aldeia 
Maracanã e é pesquisadora do Hospital Universitário Pedro Ernesto (FCM-HUPE-UERJ).
Texto de PATRICK GRANJA


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