(pt) AIT - 150° Aniversário da Fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores

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Sábado, 11 de Outubro de 2014 - 17:42:46 CEST


A Primeira Internacional foi fundada em 28 de Setembro de 1864, em Londres. Reuniu vários 
grupos socialistas, anarquistas e comunistas que procuravam continuar a luta de classes 
através de uma organização internacional. ---- Desde o início houve debates e conflitos em 
relação à orientação da Internacional porque a mesma foi formada por organizações e 
pessoas com uma ampla gama de filosofias. ---- Os anarquistas, especialmente os 
mutualistas, encontravam-se em oposição perante os comunistas e, em geral, perante o 
estadismo. Mais tarde, a entrada dos anarquistas colectivistas dividiu permanentemente a 
Internacional em dois campos evidentes: os que apoiavam a existência de alguma forma de 
estado e aqueles que se opuseram. ---- Os anarquistas favoreciam a luta directa dos 
trabalhadores, argumentando que as ideias marxistas eram autoritárias e que, se um partido 
de tipo marxista chegasse ao poder, seria igualmente nocivo tal como os governantes contra 
os quais os trabalhadores lutavam.

A este respeito, os anarquistas demonstraram terem razão.

Organização Anarquista Terra e Liberdade

A Internacional dividiu-se em 1872 em duas correntes: a anarquista e a marxista, sendo que 
os marxistas expulsaram anarquistas proeminentes. Os anarquistas realizaram separadamente 
o seu próprio congresso, declarando as suas próprias ideias.

A Internacional não sobreviveu, mas os anarquistas tentaram reanimá-la várias vezes. 
Finalmente, no final do ano de 1922, a Associação Internacional dos Trabalhadores, a 
actual AIT, foi reavivada.

Contrariamente à primeira tentativa de criar uma internacional revolucionária, desta vez a 
AIT tomou uma posição clara desde o início contra as políticas vanguardistas. Rejeitando o 
papel do partido na libertação da classe trabalhadora, a AIT recusou as ideias do Partido 
Comunista, que procurava unir todas as organizações revolucionárias de trabalhadores sob a 
sua direcção e de acordo com os seus objectivos.

O primeiro princípio do sindicalismo revolucionário, que se encontra nos estatutos da AIT 
é que:
"O sindicalismo revolucionário, baseado na luta de classes, visa unir todos os 
trabalhadores em organizações económicas combativas, que lutem para se libertar do duplo 
jugo do capital e do Estado. O seu objectivo é a reorganização da vida social, com base no 
comunismo libertário, através da acção revolucionária da classe trabalhadora. Uma vez que 
apenas as organizações do proletariado são capazes de alcançar este objectivo, o 
sindicalismo revolucionário dirige-se aos trabalhadores na sua qualidade de produtores, 
criadores de riqueza social, para que estes possam criar raízes e desenvolverem-se entre 
eles, ao contrário dos sindicatos modernos de trabalhadores, que consideram que os 
trabalhadores são incapazes de reorganizar economicamente a sociedade."

Alguns consideram que o legado da AIT remonta à fundação da Primeira Internacional , mas 
na realidade, a Primeira Internacional foi um falso início. Os objectivos daqueles que 
querem alcançar a mudança através do Estado ou de partidos vanguardistas revolucionários 
simplesmente não são os objectivos dos anarquistas, que entraram para a Internacional com 
optimismo, apenas para perceber no fim que existe um abismo imenso entre as duas ideias.

Hoje em dia, devido à relativamente fraca organização da classe trabalhadora em 
organizações revolucionárias, alguns acreditam que a solução encontra-se em unir os vários 
elementos da classe trabalhadora, ignorando a questão do Estado. Mas esta é a questão 
eterna que só pode virar-se contra nós de novo se não tivermos cuidado. O poder real de 
alguns partidos pode variar, mas a natureza do poder e da autoridade é essencialmente a mesma.

Por ocasião deste aniversário, dizemos : "Viva a AIT! A nossa AIT!"


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