(pt) Não vote!, atividade da Frente Livre Estudantil (FLE) por Piotr (en)

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Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2014 - 17:20:15 CEST


No dia 25 de Setembro aconteceu a primeira edição do ato artístico "Não Vote, Faça Arte!". 
Nós produzimos cartazes, nos divertimos bastante, panfletamos e conversamos com as pessoas 
que passavam sobre a importância do boicote às eleições, e tivemos grande aceitação, 
principalmente quando as pessoas descobriam que a nossa campanha era pelo boicote e não 
pela manutenção desse sistema eleitoral falho. ---- Vimos também o desespero dos 
partidários, que a todo momento tentavam nos atrapalhar, colocando placas na nossa frente, 
falando que deveríamos sair de lá, que deveríamos respeitar a ideologia deles, mas, mais 
uma vez, a resistência foi a nossa arte. Após isso tudo, já no final, um militante 
partidário tentou menosprezar a nossa luta, falando que a juventude dele vai para a rua, e 
nós eramos apenas "modinha". Ao perguntarmos para ele sobre o porquê da repressão aos atos 
que, segundo ele, eram "modinha", nos respondeu dizendo que a repressão era necessária, 
pois assim a violência não seria praticada, pois não respeitamos as determinações do 
Batalhão de Choque, que somos terroristas, entre outras barbaridades. Ao questionarmos 
sobre as ações da presidente Dilma na ditadura, onde a mesma chegou até a assaltar bancos 
e sequestrar pessoas em busca de seu ideal, percebemos o total despreparo dele quando a 
sua resposta foi "AQUELES ERAM OUTROS TEMPOS, HOJE VOCÊS TEM PRÁTICAS TERRORISTAS!"

Fora estes momentos cômicos, a nossa intervenção ocorreu perfeitamente, e já deixamos tudo 
pronto para que na quinta que vem possamos repetir a dose. Dia 02/10, às 14h, dê um pulo 
no Largo da Carioca, e não se esqueça... Não vote, faça arte, LUTE!

Texto: Frente Livre Estudantil (FLE)
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Documento de Fundação

  Abaixo segue um trecho deste documento:

Palavra acesa (Nosso tempo)

Dezembro, 2011. Após o terceiro despejo sofrido pelo coletivo de moradores da Ocupação 
sem-teto Guerreiro urbano, no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, militantes 
anarquistas começaram a se reunir e debater a construção de uma organização política 
especificamente anarquista que reunisse companheiras e companheiros ativos no movimento 
popular, estudantil e sindical. Batizados à ferro e noite, conhecendo, nos últimos anos, 
prisões, remoções, repressão e covardia, decidimos nos organizar. Não é uma vida medida à 
morte que queremos. Também não calamos ao som das pancadas, dos tiros na porta das casas, 
dos nossos mortos de fome, bala, polícia. Não paramos nunca. Terão que deitar nossas mãos, 
apagar nosso olho. Toda companheira morta, todo companheiro preso, toda casa demolida, 
toda greve reprimida, são as forças e o fogo que armamos noite e dia. Estamos acesos: 
corações cheios de pedras e vida.

Com a certeza de que uma nova sociedade nasce a cada luta, a cada confronto de rua, tomada 
de terra, e que toda batalha vitoriosa nasce sempre radical e livre, como uma flor 
crescendo da terra, não podíamos mais lançar mão da nossa união e fazer do necessário 
confronto uma derrota individual. Já haviam percebido os primeiros anarquistas que 
enquanto não estivermos organizados em um coletivo forte, com plena clareza do que 
queremos, unidos em um programa e uma estratégia pensados junto as lutas, buscando 
impulsioná-las, fortalecê-las num sentido libertário, ficaremos sempre enfraquecidos e à 
reboque dos que se organizam. E assim estávamos, correndo de um posto a outro como quem 
perdeu a hora. Vivendo das violências imediatas, como se o massacre do Estado regesse toda 
a nossa agenda, nosso grito.

Construir e defender uma organização à nível nacional e internacional, reunindo a 
militância anarquista presente nos vários fronts da classe trabalhadora, é uma necessidade 
para nós que defendemos uma revolução socialista construída na ação direta e na 
organização popular autônoma. Sem essa organização, somos incapazes de resistir ao Estado, 
de defender nossas idéias, de fazer o anarquismo se espalhar, como se espalha a vida 
quando a água molha as folhas. Elaborada como a plataforma de uma organização anarquista 
lançada para os militantes revolucionários que estão atuando no movimento social, buscamos 
apresentar um pouco da nossa concepção de anarquismo, de organização anarquista, porque 
acreditamos que ela é imprescindível, e como pretendemos torná-la uma máquina de guerra 
capaz de fortalecer e fomentar as lutas contra o capitalismo, o Estado e toda forma de 
opressão.


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