(pt) Anarkismo.net: EUA x ISIS, "outra guerra estúpida" onde a esperança da humanidade está nas forças curdas by BrunoL (en)

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Sábado, 22 de Novembro de 2014 - 10:38:41 CET


No início de setembro, enquanto a OTAN realizava o seu encontro anual, com o secretário da 
aliança passando o chapéu para apertar as receitas dos países membros, constatava-se uma 
corrida do horror. Alimentados pelos aliados dos EUA na região, a Al-Qaeda força a 
fronteira da Síria com Israel e, ao mesmo tempo, anuncia a formação de seu braço na Índia. 
No Levante, enfrentam-se criador (Al-Qaeda, através de seu braço, Frente Al Nusra) e 
criatura (ISIS, racha da Al-Qaeda no Iraque). A superpotência assistia "quase inerte", 
para não se envolver demais e criar um novo despertar sunita. Por fim, a grande questão é: 
- Como é possível uma força móvel, o ISIS, ser financiada por um califado pirata que vive 
vendendo petróleo? Óleo cru não é tão simples de transportar e menos ainda de realizar 
compensações bancárias correto?
?
Mapa do cerco a Kobane, onde as bandeiras negras são as forças do ISIS e a bandeira 
amarela representa o contra-ataque curdo.

A pressão da opinião pública e o foco no Iraque - ao invés da Faixa de Gaza - levaram a 
Casa Branca a deixar a inércia e dar sequência a "Outra guerra estúpida!" Esta frase, era 
a definição do senador democrata pelo estado de Illinois, Barack Hussein Obama, ao 
criticar a escalada de guerra de Bush Jr no Iraque. Agora, sua administração enfia as 
patas no lamaçal anti-ISIS sem fazer o menor esforço para secar a fonte de recursos do 
proto-Califado. Vai jogar os EUA no olho do furacão novamente e atiçar a reação dos 
aliados do Golfo, justamente as monarquias wahabbitas aliadas da superpotência e 
fornecedoras de bens e suprimentos da Al Qaeda e do ISIS.

A superpotência mantém o padrão, reproduzindo os mesmos erros da Guerra ao Terror (GWOT). 
Estes agora serão repetidos em nova (re) intervenção na Síria e no Iraque. Qualquer 
conhecedor do Mundo Árabe e Islâmico deve se perguntar como é possível reproduzir o mesmo 
critério duvidoso de apoiar um "jihadismo do bem", controlado pelos sauditas, contra outro 
"jihadismo do mal", apoiado conforme conveniência dos mesmos sauditas e outras monarquias 
e emirados petrolíferos?! Como a paz com o Irã e a revalorização dos xiitas está fora de 
cogitação, a Casa Branca vai se afundar ainda mais no pântano cavado pelo Departamento de 
Defesa (DoD) no início do governo Bush Jr e vergonhosamente continuado por Barack Obama.

A confusão só aumenta. O governo Obama aponta críticas diplomáticas para o regime de 
Assad, na Síria e diz que quer preparar uma ofensiva contra o ISIS. Para tanto, conta com 
a oposição "moderada" do Exército Livre da Síria (satélite da Turquia) cujos fundos estão 
minguando! Mais fácil seria uma trégua na Síria. Simplesmente sem a triangulação com o 
eixo de aliados Assad-Hizballah-Irã e a presença de xiitas no Iraque esse combate não se 
dará. Ao invés de cortar a fonte, John Kerry passeia entre sheikhs e a adula o monarca dos 
sauditas e sua corte parasitária.

O problema está justamente nos aliados da superpotência na região. E, alguém pode explicar 
como se negocia Usd 1 milhão de dólares dia em óleo cru (através de oleodutos e refinarias 
controladas), partindo a produção de um califado não reconhecido internacionalmente?

Se há uma boa notícia é a presença cada vez maior da esquerda curda na região do Curdistão 
pertencente ao combalido Estado sírio. As forças agrupadas nas Unidades de Proteção do 
Povo Curdo (YPG é a sigla a partir da original em árabe) agregam milicianos de múltiplas 
confissões e organiza a resistência em Kobani. O YPG faz parte de um conjunto de cantões 
no Curdistão sírio totalizando 5 municípios (cantões), 5 cidades e cerca de 100 vilarejos. 
Na resistência ao ISIS e sua guerra de aniquilamento e extermínio, as possibilidades de 
novas relações sociais dependem cada vez mais das milícias curdas e, infelizmente, estas 
terminam sendo também dependentes dos bombardeios contra as posições integristas do Estado 
Islâmico no cerco a Kobane.

Na política internacional nada é tão simples quanto parece.


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