(pt) União Popular Anarquista (UNIPA) - [MÉXICO] Frente aos assassinatos, desaparições e detenções... Organizar a luta rebelde e combativa! (en)

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Sexta-Feira, 7 de Novembro de 2014 - 18:08:22 CET


Protesto de professores de Guerrero/México pela aparição dos estudantes. ---- Por 
SOLIDARIDAD PROLETARIA, jornal anarquista revolucionário ---- Uma nova onda repressiva se 
espalhou pelo país nos últimos meses contra aquelas e aqueles que se opõem parcial ou 
totalmente às medidas dos governos nacionais e municipais. ---- A chegada em 2012 de Peña 
Nieto ao poder deu continuidade a política de militarização e despojo que os últimos 
governos haviam mantido. A aplicação das chamadas Reformas Estruturais atacaram econômica 
e socialmente milhões de trabalhadores, camponeses, estudantes, indígenas, etc. ---- O 
saque se generaliza e se estende pelo país. A chamada Reforma Energética legalizou e 
aprofundou as práticas de despojo e rapina que já realizam as empresas mineradoras, 
extrativistas, etc. Derivado disso, dezenas de comunidades indígenas e camponesas são 
alvos dos ataques vorazes de capitalistas estrangeiros e nacionais. Velhos projetos são 
desengavetados para ser agora aplicados pela força, como em Atenco.

Com a desculpa da "guerra contra o narcotráfico" as cidades e campos se militarizaram. 
Nunca na história do país existiu tantos "agentes de segurança" e ao mesmo tempo a 
violência indiscriminada persiste no país e sob ela se encobre o ataque as/os opositores 
ao regime.

O caso Ayotzinapa

Em 26 de setembro agentes municipais da cidade de Iguala, estado de Guerrero, abriram fogo 
em reiteradas ocasiões contra ônibus de estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa 
"Raul Isidro Burgos" matando estudantes, transeuntes e inclusive membros de uma equipe 
esportiva que viajava em outro ônibus.

Depois do ardiloso ataque, os policiais detiveram e sumiram com 43 jovens normalistas. Até 
o momento da redação deste periódico, encontraram diversas valas comuns na região, mas não 
se confirmaram a identidade dos cadáveres nem o paradeiro dos desaparecidos.

Por declarações de estudantes que puderam escapar, se sabe que os normalistas foram 
levados a instalações da polícia municipal e desde estão desaparecidos. Quer dizer, a 
autoria do governo municipal está fora de qualquer dúvida.

O conhecimento do fato por parte de militares e policias estatais, apesar de não ter se 
comprovado, é um segredo falado nas proximidades de instalações militares aos lugares das 
primeiras emboscadas e a presença de retenções estatais também nas imediações da zona.

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Manifestantes queimam retrato do governador de Guerrero, Ángel Aguirrer Rivero.

O narcotráfico, os partidos políticos e o Estado

A partir da data deste terrível fato, os porta-vozes do governo através dos meios de 
comunicação de massas tem insistido que os fatos foram perpetrados por sicários de cartéis 
de drogas, e tem tentado desvincular o estado, em seus três níveis de governo, da 
responsabilidade neste fato.

No momento de demonstrar à luz do dia a completa participação da polícia municipal, tanto 
o governo estatal como a federação apontaram todas as forças acusando o prefeito.

Agora, como já dissemos, o conhecimento - ao menos - do governo estatal e federal são mais 
que provável, já que esta não é a primeira vez que se atenta contra lutadores sociais e 
organizações populares em Guerrero sob este governo, nem tampouco por parte do governo de 
Peña Nieto.

A insistência dos meios de comunicação em separar o narcotráfico do governo é uma falácia. 
Todos nós no México sabemos há muitos anos que é impossível separar estas duas estruturas, 
pois formam uma só. Os cartéis tiram e põem funcionários, e os governantes recebem 
dinheiro e protegem um cartel em detrimento de outros. Por isso, em outros números 
anteriores deste jornal nós indicamos "não há uma guerra contra o narco, há uma guerra 
ENTRE narcos".

O PRD: reformista e assassino

Não é casual que a maior repressão de dezenas de anos tenha se dado em um estado governado 
pela "esquerda". Esta esquerda domesticada, gandalla, para-priísta (para-governista) se 
desenvolveu de 1988 até a data atual em uma caricatura grotesca do priísmo clássico.

Desde a repressão a greve do CGH na UNAM, dos homicídios sem resolução de Digna e Pavel, 
passando pelas prisões anti-anarquistas em México-DF, uma após a outra as administrações 
perredistas demonstraram seu sadismo, sua corrupção e seu caráter antipopular.

Há em Guerrero nos últimos anos uma escalada violenta contra o povo e suas organizações, 
escalada que alertamos nestas páginas, onde camponeses, ecologistas, professores, 
normalistas, indígenas, guerrilheiros, etc. caíram pelas balas do governo "progressista" 
do PRD.

Hoje o PRD nas pessoas do governador e do prefeito de Iguala conseguiram enfim sua meta: 
escrever na história uma página sádica igual a dos seus progenitores e mestres priístas. 
Que não haja engano, o PRD é um dos responsáveis nesse ato.

A guerra aberta contra o povo e suas organizações

Este brutal golpe não conhece precedentes no país, já que um desaparecimento forçado e 
coletivo e de uma só vez. O caso mais parecido na história recente do país são os 
massacres de 02 de outubro de 1968 e a matança de Acteal em 1997, quer dizer, em números 
macabros é "maior" - quantitativamente falando, já que todas são igualmente condenáveis - 
a outras atrocidades cometidas pelo Estado mexicano como a matança do bosque, del charco, 
de aguas blancas, etc.

Existe hoje no país uma clara guerra aberta entre aqueles que estão impondo um sistema 
elitista e saqueador, e aqueles, que contra estas medidas estão opondo-se desde suas 
comunidades, bairros, escolas e locais de trabalho. E Ayotzinapa é uma demonstração disso, 
uma demonstração que nos salta a vista e que nos convoca a tomar nosso lado nesse conflito.

A matança de Iguala mostra até onde estão dispostos a chegar os governantes e empresários 
para aprofundar a imposição de seu modelo de despojo e superexploração.

A oposição não pode ficar restringida a pronunciamentos e marchas. É urgente desenvolver a 
mais ampla solidariedade entre os setores em luta e empreender ações que ultrapassem os 
protestos rotineiros. O bloqueio, as barricadas, a autodefesa, a sabotagem, a ocupação de 
órgãos e meios de comunicação, etc. é a única via para enfrentar os golpes dos de cima. 
Temos que impulsionar um movimento nacional combativo e classista, que agrupe as distintas 
forças em luta e que radicalize as lutas a nível nacional.

Basta de dar a outra face!

Pela aparição dos desaparecidos!

A justiça será conquistada nas ruas!

Por nossos mortos, por nossos presos!

Devolver golpe por golpe ao governo e aos ricos!

***

Este texto foi retirado do jornal SOLIDARIDAD PROLETARIA nº 15. Para ler na íntegra CLIQUE 
AQUI. https://uniaoanarquista.files.wordpress.com/2014/10/soli15ok.pdf

http://solidaridadproletaria.wordpress.com/


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