(pt) COLETIVO QUEBRANDO MUROS - Repressão na UEM: Lutar não é crime! (en)

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Terça-Feira, 27 de Maio de 2014 - 20:10:52 CEST


A Reitoria da Universidade Estadual de Maringá, em conjunto com a Prefeitura de Maringá e 
a PM, vem desencadeando um processo intensificado de repressão aos estudantes da UEM e em 
específico a seu movimento estudantil. Este ciclo de repressão tem uma história longa, se 
iniciando em 2008 quando a Prefeitura Municipal, à serviço dos empresários que lucram com 
a especulação imobiliária, proibiu a venda de bebidas alcoólicas no entorno da UEM durante 
os vestibulares da universidade. A Prefeitura de Maringá incluiu essa medida para todos os 
dias do ano, em um raio de 150m da universidade as pessoas não podem consumir bebida 
alcoólica dentro dos bares. Pouco a pouco, a maioria dos bares em torno da universidade 
foi fechada. Logo a PM passou a reprimir as festas organizadas nas repúblicas do Jardim 
Universitário, multando os estudantes e se utilizando da violência contra estes com 
freqüência. Sem ter mais um lugar seguro para confraternizar, o movimento estudantil da 
UEM começou a organizar saraus dentro do campus, onde não só os estudantes, mas também os 
moradores das periferias de Maringá encontraram o único lugar na cidade onde tinham acesso 
às atividades culturais gratuitas.

Foram realizados diversos saraus dentro do campus no período de 2008 a 2013, e estes 
serviram de palco para que artistas locais pudessem expor sua arte para um público sem o 
poder aquisitivo para freqüentar os bares e baladas elitizados de Maringá. Em 2011 a 
Reitoria da UEM foi ocupada durante oito dias pelo movimento estudantil da universidade, 
que no momento reivindicava, entre várias pautas, melhorias no Restaurante Universitário, 
a construção da Casa do Estudante e de uma concha acústica dentro do campus para a 
realização de atividades culturais. Estas reivindicações foram todas prometidas pela 
Reitoria e pelo Governo Estadual, porém nenhuma delas foi cumprida. Logo depois da 
ocupação da Reitoria, o Reitor da UEM, Júlio Santiago Prates Jr., como represália, iniciou 
um processo ainda mais acentuado de repressão ao movimento estudantil. Entre os estudantes 
que ocuparam a Reitoria, oito tiveram que responder para a Polícia Federal, e vários 
bolsistas perderam suas bolsas. Em 2012 testemunhamos o aumento da presença da PM dentro 
do campus de Maringá, e no ano seguinte esta repressão chegou ao seu auge, derramando o 
sangue de estudantes da universidade.

Em 2013 a PM passou a entrar no campus para reprimir todos aqueles que organizaram e 
freqüentaram os saraus. Simultânea à ação da PM, os vigias da UEM, à mando da Reitoria, 
começaram à ameaçar e intimidar os estudantes. Ouve até o absurdo, não visto desde a época 
da ditadura, de um vigia ameaçar alunos com um pedaço de madeira em que estava escrito 
"direitos humanos". Frente a este aumento da repressão da PM e da Reitoria, na noite de 
cinco de setembro de 2013 o movimento estudantil realizou uma reunião na frente do DCE 
para discutir o aumento da repressão e o direito a realizar atividades culturais dentro do 
campus.  Os estudantes foram surpreendidos por um grupo de vários vigias da UEM - grande 
parte deles sem a identificação obrigatória - e quando se negaram a sair do campus, foram 
violentamente agredidos pelos vigias. Entre vários alunos agredidos, um aluno teve seu 
nariz quebrado e uma aluna foi atingida brutalmente com uma pedra no rosto, tendo que 
levar vários pontos na face. Segue um vídeo produzido pelos alunos que expressa essa noite 
trágica: http://www.youtube.com/watch?v=x4bh44A28_k

A atual gestão da reitoria da Universidade Estadual de Maringá é mais do que conivente com 
essa ação contra os estudantes. A Reitoria é responsável por essa violência.

Seis dos alunos que apanharam dos vigilantes estão sendo submetidos a um processo de 
sindicância e processados pela universidade por desacato, desobediência e resistência. 
Esses alunos estão impedidos de colar grau até o final do processo administrativo e correm 
o risco de expulsão da universidade! É absurdo que os próprios estudantes que foram 
vítimas da violência cometida pelos vigilantes da UEM agora estejam sendo perseguidos 
administrativamente pela universidade.

O direito ao campus está profundamente ligado a proposta da universidade em ser composta 
por ensino, pesquisa e extensão. A universidade pública não deve servir apenas àqueles que 
tiveram condições de passar pelo funil do vestibular, ela deve servir a toda a sociedade e 
cumprir um papel de inclusão social. Numa cidade elitista e excludente como Maringá, onde 
a maioria da população não tem acesso à cultura, as atividades culturais organizadas pelo 
movimento estudantil dentro do campus da UEM, hoje proibidas pela reitoria, cumpriam um 
papel de inclusão social e promoviam o contato do movimento estudantil com a comunidade 
externa à universidade.

Pedimos o fim da proibição de atividades culturais dentro do campus, o fim da repressão ao 
movimento estudantil da UEM, o cancelamento dos processos contra os estudantes que foram 
agredidos e a punição dos agressores.
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CARTA DE PRINCÍPIOS DO COLETIVO QUEBRANDO MUROS
NO QUE ACREDITAMOS
O Coletivo Quebrando Muros identifica que a base organizativa dos movimentos
sociais deve se realizar a partir dos seguintes princípios:
AUTOGESTÃO - forma de organização que tem como fim a participação e execução das
atividades por aqueles que são os diretamente interessados; objetiva destruir a
alienação a qual nos submete a sociedade capitalista em todos os níveis (político,
econômico e social). Tal forma é adotada por nosso coletivo por acreditarmos que para
a superação desta sociedade baseada na exploração e dominação se faz necessária à
criação de formas de organização que possibilitem a reconstituição das relações de
poder presentes no capitalismo;
AÇÃO DIRETA - esta é uma forma de ação política na qual o movimento age por si
mesmo, não confiando suas ações políticas a burocratas, representantes políticos,
parlamentares, partidos e etc.;
FEDERALISMO - forma de organização, descentralizada do movimento, permitindo a
cada base específica analisar e compreender suas questões, com autonomia para suas tomadas de
decisão e luta. Não podemos deixar de esquecer, que sim, os libertários
acreditam que as lutas têm caráter nacional e mesmo global, e devem ser articuladas
nacionalmente, regionalmente (Latino-América) e mundialmente de forma federativa.
Na qual, cada base tira sua posição de forma descentralizada e articula as lutas
conjuntamente de forma a criar uma centralidade. Assim redimensionando as relações
de poder e possibilitando a participação direta da base tendo como meio de decisão a
DEMOCRACIA DIRETA.
A HORIZONTALIDADE opera contra a lógica burocrática de organização onde
aparecem dirigentes e dirigidos, esta sustenta a essência da prática libertária; onde as
representações delegadas reportam-se ao coletivo, do mesmo modo como declamam
nossos companheiros Zapatistas: "Mandar obedecendo".
CLASSISMO, SOLIDARIEDADE DE CLASSE E INTERNACIONALISMO
Como parte das classes exploradas que somos, lutamos lado a lado com os/as de
"baixo", ou seja, todos/as os/as explorados/as, nas busca por uma sociedade socialista
e libertária. Nesse sentido nossa solidariedade é de classe, para a classe que
escolhemos e mais esta não "respeita" as fronteiras nacionais.


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