(pt) Anarchist Federation of Rio de Janeiro FARJ - Libera #161 pág 4-5 - ANARQUISMO - Um debate histórico e ideológico +

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Terça-Feira, 20 de Maio de 2014 - 10:56:25 CEST


O anarquismo vai além da palavra anarquia. Seu surgimento está ligado às lutas da classe 
trabalhadora.na segunda metade do século XIX. É absurdo separar a raiz e o tronco 
socialista e classista do anarquismo. Ele não surge da cabeça de nenhum pensador, tampouco 
é uma filosofia "individual". É fruto de uma experiência coletiva. Não é coincidência que 
já, na sua gênese, onde há anarquismo no final do século XIX, há seções da Associação 
Internacional dos Trabalhadores, há perspectivas de formação do sindicalismo 
revolucionário nos centros urbanos do mundo. Desde então, o anarquismo é uma ferramenta de 
luta dos trabalhadores. ---- Se não fosse assim, sua extensão e impacto históricos não 
teriam sido tão amplos, com presença registrada nos cinco continentes. O anarquismo como 
ideologia realiza a crítica das relações capitalistas de produção e distribuição de riquezas.

Os anarquistas têm ideias bem definidas a respeito da economia
ou da sociedade. Essas ideias foram postas em prática na Espanha
e em outros processos revolucionários, como na Comuna de Pa-
ris, Revolução Ucraniana e Russa, Revolução Mexicana, a Comu-
na da Manchúria, entre tantos. Não é sinônimo de individualismo,
anti-estatismo ou antítese do marxismo. Ele constitui um tipo de
socialismo caracterizado por um conjunto de princípios político-
ideológicos, que inclui a oposição ao Estado, mas que não se resu-
me a ela. Sempre reconheceu a importância de conciliar o socia-
lismo com a liberdade individual e coletiva e pretende superar o
sistema de dominação e a estrutura de classes da nossa sociedade.
A superação do capitalismo pela revolução social está na proposta
econômica anarquista.

O anarquismo baseia-se em análises racionais, métodos e teorias
que não são idealistas (explicações metafísicas/teológicas). Essas
análises são feitas para tentarmos compreender "onde estamos"
e "onde queremos chegar". Para isso, defendemos que os anar-
quistas estejam organizados, no nível político, como um grupo
coeso, com discussão política e ideológica avançada, com critérios
de ingresso, uma estratégia bem definida e um estilo militante de
trabalho nos movimentos sociais. O anarquismo que defendemos


(e o que foi hegemônico na sua história) não nega a organi-
zação e as lutas de curto prazo (saúde, educação, tarifa zero,
moradia, reforma agrária etc.) como um caminho para atingir
a revolução. Nesse sentido, acreditamos que para se abolir o
Estado é preciso potencializar as lutas dos movimentos popu-
lares, sindicatos e movimentos camponeses. Não aceitamos a
ação parlamentar porque não há nenhum exemplo na história
em que esta via trouxesse uma significativa transformação so-
cial, ou mudança nas estruturas de poder vigentes. Além disso,
acreditamos que a construção de nosso projeto e do sujeito de
transformação se dá com a participação ativa no cotidiano das
lutas, e não entregando o poder na mão de representantes.

Defendemos a organização política não num sentido vanguardis-
ta, mas enquanto minoria ativa que luta sempre ombro a ombro
com os movimentos sociais e respeita o seu tempo. Lutamos por
um sistema de autogestão generalizada e de estratégias capazes
de promover a transformação social de um sistema para outro
(poder popular, autogoverno). O poder para os anarquistas está
na tomada das fábricas, dos bairros, dos meios de produção, das
minas, das ruas e finalmente no que os zapatistas chamam de
"povo em armas".

Os debates fundamentais dentro do anarquismo se dão em
torno dos seguintes temas: organização, lutas de curto prazo
e o papel da violência. As divergências estão nos debates es-
tratégicos, que dão origem às diferentes correntes anarquistas.
Por isso é equivocado dizer que há "dezenas de anarquismos"
ou que há "tantos anarquismos quanto anarquistas" no mun-
do. Apesar das diferentes estratégias, seu tronco histórico tem
princípios políticos muito bem definidos e que demonstram a
existência de uma coerência interna. Não temos a ilusão de que
nossa vitória, a dos oprimidos, será feita de uma só tacada. Uma
luta contra a burguesia e o Estado envolve a busca permanente
de força social em direção ao poder popular. Este se constrói
fortalecendo cada vez mais os movimentos populares.

Não podemos esperar uma revolução que nunca chega, deve-
mos desde já agir de acordo com os fins que queremos
atingir, conquistando as necessidades populares a partir da or-
ganização, da luta, da ação direta. Não podemos ser ingênuos
esperando uma solução "pacífica" nem ter fetiche pelas táticas
que iremos utilizar. O Estado e a burguesia nos violentam to-
dos os dias e nunca houve uma revolução sem resistência e
violência dos(as) oprimidos(as). Bakunin já falava que o Estado
não é "neutro" mas uma forma específica de organização das
classes dominantes. Assim, os trabalhadores não podem utilizar
o Estado como meio para atingir uma sociedade socialista e
libertária, pois isso só transformará um restrito setor dos tra-
balhadores numa nova classe dominante.

Por isso afirmamos que anarquismo não é negação da política, do
poder. Defendemos uma concepção de política e de poder (po-
pular). O que condenamos é um determinado tipo instituído de
relação de poder, que é a dominação (econômica, política, social,
ideológica), cujo pilar não é apenas o sistema de produção capita-
lista, mas também o Estado, a religião institucionalizada, a educa-
ção dominante, o imperialismo, a dominação de gênero e de etnia.
Além disso, a luta popular e a auto-organização dos trabalhadores
mostram que vale a pena lutar e caminhar com o anarquismo e é
para isso que ele existe.

Anarquismo é luta!
(Leia o texto na íntegra em www.farj.org)

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BLACK POEMA

Meu poema tem som de bombas
levanta quem senta
exala cheiro de spray de pimenta.

Nasci da cor de Zumbi
nas ideias e suores
do Ocupa Palmares.
Do "baderneiro" Frei Tito
prego o evangelho da cumplicidade.
Do "vândalo" Chico Mendes,
alimentador do green block,
carrego a relação
entre todas "as coisas" da mãe natureza.

Por que o senhor atirou em mim?
Porque eu quis!

Balas de borracha
apagam a palavra singeleza
no "quadro negro" da avenida Brasil.
Este poema
vandaliza predicados e adjetivos
preso
nas escadarias
das rimas ricas
se liberta aliviado
como quem sai do presídio.
Meu poema está vivo.
Mas por sorte
de não ter inalado
o gás azul da morte...

Julinho Terra


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