(pt) [FAG] OPINIÃO DA FAG SOBRE A CONJUNTURA DAS LUTAS DO MOVIMENTO SINDICAL E POPULAR

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Sábado, 17 de Maio de 2014 - 17:58:56 CEST


Mobilização nacional contra a Copa do mundo no Brasil preocupa os governos e coloca os de 
Baixo na ofensiva. ---- Desde 2013 o Brasil vive um cenário adverso com gigantescas 
mobilizações que pela força das ruas questionaram a ordem do sistema imposto pelos 
governos e seus aliados a nível nacional e internacional. ---- O país esta passando por um 
clima propício à organização dos oprimidos, gerando um sentimento de esperança para o 
movimento popular. Em 2013, os sindicatos saíram timidamente às ruas, muito por conta do 
sentimento de rechaço das massas, que não se viam representadas por estas estruturas de 
organizações dos trabalhadores, já que durante os últimos períodos, boa parte destas foram 
cooptadas pelos governos e seus dirigentes se converteram em burocratas de plantão, 
prontos para puxar freio das bases revoltadas por tanta conciliação de classe; sem falar 
da fragmentação do mundo do trabalho como elemento que caracteriza este período. Contudo, 
também é preciso dizer, que muitos resistiriam e seguiram combativos.

Porém, este ano, as lutas de uma série de categorias mobilizadas desde a base vem 
mostrando uma outra forma de fazer luta sindical. O protagonismo dos próprios 
trabalhadores, que tomam decisões à revelia dos dirigentes sindicais; assembleias massivas 
em que as decisões são referendadas longe dos gabinetes e das negociatas feitas de 
antemão. É a retomada de uma experiência própria do sindicalismo revolucionário 
desabrochando no seio dos setores dos oprimidos, em que o movimento popular toma a 
ferramenta da greve como ação direta contra os patrões e governos. Ferramenta histórica é 
verdade, mas que agora é tomada com outra intencionalidade, indo além de pautas meramente 
corporativas e ganhando expressões políticas. A maioria dessas greves têm questionado não 
só as condições de trabalho, mas de um modo geral, os rumos do país, tanto econômica 
quanto politicamente. Uma boa parcela das classes oprimidas demonstra que não está mais 
por aceitar decisões de cima para baixo, apesar das medidas de controle que os governos 
tenham em mãos. Há um amadurecimento precoce, porém vivo entre os setores dos de Baixo.

Já são diversas as cidades que se erguem em greves e manifestações que questionam o 
megaevento que está prestes a acontecer no país. Grandes ocupações urbanas, dezenas de 
categorias em greve e protesto por todos os lados saem às ruas para dizer que não querem 
mais opressão e repressão por conta de um evento que beneficia os grupos 
político-econômicos envolvidos neste mundial.

A força das ruas em 2013, contexto de grandes mobilizações com uma imensa variedade de 
pautas, muitas vezes dispersas, mostraram também as debilidades de um movimento sem 
organização de base. Se por um lado as jornadas de junho nos colocaram com força na cena 
política, também nos colocaram cara a cara com as insuficiências do movimento popular. A 
maioria das pessoas que participaram dos protestos em 2013 não estavam referenciadas por 
sindicatos ou movimentos populares, o que ajudou no esvaziamento das marchas e 
mobilizações. Depois do turbilhão, as massas sem referências políticas ou de organização 
de base saem das ruas; mas os efeitos dos grandes protestos seguem vivos e dão caldo para 
este ano, que pode, sem sombra de dúvidas, serem mais propícios a resultados de fundo. 
Essa nova configuração das lutas colocadas novamente nas ruas no país, que partem de 
sindicatos e movimentos populares, tem criado um cenário mais fecundo para que as demandas 
pautadas sejam projetadas pelo movimento dos de Baixo no marco de uma perspectiva de 
acumulação de forças e de construção do poder popular.

É notório o desespero dos governos em relação a uma possibilidade de descontrole durante 
os jogos da Copa. O que está em jogo é manter a ordem ou sucumbir a possibilidades de uma 
convergência do movimento sindical para um chamado de greve geral, o que pode sim colocar 
em risco a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso não quer dizer que os jogos não vão 
ocorrer, mas, como vai estar o clima para isso é a grande questão! Já é sabido que não 
existe apelo da população para o mundial, o apelo, ao contrário é para repudiar os gastos 
com jogos e estruturas que não beneficiam a população. Politicamente já se pode afirmar 
que a Copa no Brasil é um fracasso, no entanto as medidas do governo em conluio com a FIFA 
é conter, custe o que custar, os protestos e para isso, vão usar de força bruta para calar 
a voz de todos que estão se erguendo em luta. Já existe uma onda de criminalização forte 
desencadeada aos militantes políticos que estão organizados nas manifestações, assim como 
a forte criminalização da pobreza que segue firme no país e encontra neste momento um 
caminho aberto para colocar em prática seu plano de limpeza social.

É preciso fomentar a denúncia a nível internacional, as leis e portarias que estão 
entrando em vigor, todas elas para cercear a liberdade de expressão e manifestação, como é 
o caso da lei que esta para ser votada no Congresso Nacional que tipifica protesto como 
ato terrorista. Neste momento já temos cidades no país que estão sendo sitiadas pela Força 
de Segurança Nacional (FSN) como é o caso da cidade de Recife. O exército já está 
instalado nas cidades sedes da Copa e hoje, dia 15 de maio, é o dia que está autorizado 
sua intervenção, caso julguem necessário. Em algumas cidades o fato de trancar ruas já é 
proibido e sabemos que as greves que estão em vigor vão ser duramente atacadas para que 
voltem ao trabalho e a ordem estabelecida pelos mesmos sanguessugas de sempre (patrões e 
governos).

Se é momento de tensão para os de Cima é porque os de Baixo estão em ofensiva.

Precisamos articular cada vez mais uma unidade para os setores combativos do movimento 
popular e sindical, porque sabemos que ainda é grande a base aliada do governo dentro 
destes espaços, sempre pronta para blindar o avanço do movimento dos trabalhadores contra 
o governo em vigor, ainda mais em um ano eleitoral. Mas, é fundamental ir alavancando uma 
política independente de governos e patrões, com democracia direta, rompendo o 
centralismo, a burocracia, colocando em prática valores vitais para um movimento de cunho 
classista e combativo, com a ampla solidariedade de classe e autonomia, buscando sempre o 
trabalho de base como forma de organização, com formação política para preparar novos 
sujeitos capazes de serem protagonistas de suas demandas, ser agressivo na propaganda dos 
de baixo, seja para expor nossas ideias ou para contrapor as ideias das elites e governos.

Só há um caminho para a conquista dos oprimidos que é a luta sem trégua contra os nossos 
opressores, com ação direta e popular, sem recuar diante das inúmeras ofensivas que iremos 
sofrer, mantendo o vínculo direto com inserção social, buscando fortalecer organizações do 
campo social, traçando caminhos para avançar níveis de lutas no qual a conjuntura possa 
nos oferecer, sempre atentos e organizados.

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta e a organização dos de Baixo!

Avançar nas lutas e greves!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta,
independência de classe e governos!

Pela força das ruas e organizações de base!

Federação Anarquista Gaúcha - FAG

Retirado de: https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha


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