(pt) Anarchist Federation of Rio de Janeiro FARJ - Libera #161 - A Revolta Laranja - A greve dos garis e sua conquista histórica

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Domingo, 11 de Maio de 2014 - 11:55:28 CEST


Foram oito dias de greve, oito dias históricos resistindo às burocracias estatais e ao 
peleguismo da direção do Sindicato dos Empregados e das Empresas de Asseio e Conservação, 
que aceitava as imposições da Prefeitura sem o consentimento dos garis. A mídia tentou dar 
o seu velho golpe mentindo sobre tudo o que acontecia na greve, buscando jogar o povo 
contra os(as) trabalhadores(as) e o Estado criminalizava cada ação dos(as) grevistas. O 
sindicato, domina do pela burocracia e comple tamente vendido à Prefeitura, reforçava isso 
ao dizer que era apenas uma "minoria" que estava em greve. Nos oito dias de manifestações, 
os(as) garis fecharam avenidas do Centro do Rio de Janeiro e fizeram as sembleias nas 
praças públicas, dando um banho de organização, de resistência e de fé.

  Não eram só 300 como as mí-
  dias corporativas e o prefei-
  to Eduardo Paes insistiam em
  afirmar; eram mais de 3 mil
  nas ruas. Certo é que muitos
  outros(as) que estavam nas
  ruas lutando por não seus direitos,
  é porque foram assediados(as)
  e intimidados(as) com de-
  missões aprovadas pela
  Justiça. Outros(as) foram
  obrigados(as) a voltar aos seus
  trabalhos "escoltados(as)" por
  policiais militares e por segu-
  ranças privados contratados,
  com dinheiro público, pela
  Prefeitura do Rio para opri-
  mir os(as) trabalhadores(as).

  O que demonstra mais uma
  vez a falsa democracia em
  que vivemos, pois nem o di-
  reito à liberdade de expres-
  são, de protestar, de colocar o
  seu grito de revolta para fora
  os(as) trabalhadores(as) têm.
  Ficou mais uma vez provado
  que cobrar qualquer direito é
  considerado um crime, ainda
  mais quando se trata de pobre,
  negro(a) e favelado(a).

"Sou manifestante, tenho di-
reito de estar na rua. Nós não
  somos marginais como o Pre-
  feito vem falando na televisão.
  Se um for demitido, seremos
  todos demitidos. Não durmo
  direito há uma semana, mas es-
tou de pé e vou até o fim por-
que eu não quero que meus
filhos passem fome. Moro na
favela, minha família está toda
lá torcendo e esperando uma
boa resposta", disse um dos
garis.

  No sábado, dia 08 de março,
  depois de mais de três horas
de negociação, eles consegui-
ram o que tanto lutaram para
  ter. Emocionados fecharam
  mais uma vez a rua em frente à
  Justiça do Trabalho. A primeira
proposta não foi aceita - a Pre-
feitura ofereceu R$1.050-, mas
eles voltaram e disseram que
  queriam fechar em R$ 1.100 e
20 reais de vale-refeição. De-
pois dessa conquista a come-
moração foi completa.

Esta greve dos garis, que ga-
nhou repercussão nacional,
traz ânimo à luta e deixa valio-
sas lições sobre a importância
do protagonismo dos traba-
lhadores nos rumos da greve.
E como nesse processo se de-
senrola uma luta sem burocra-
  tização e com ação direta nas
decisões dos rumos da greve,
ele vai gerar acúmulos para a
categoria e pode estimular a
outros setores oprimidos a se
organizarem também. Ou seja,
a força, a organização e a re-
sistência do povo conseguem
  derrubar, sim, as mentiras das
  mídias mais poderosas do país,
  e os próprios governantes, que
  só reconhecem as reivindica-
  ções com pressão popular.

  A greve como ferramenta de solidariedade e luta

Diante da sinistra conjuntura
de criminalização social em
que vivemos, o direito à greve
e a todas as formas de manifes-
tação e protesto devem ser de-
fendidos. É preciso lutar contra
o avanço de leis de exceção e
  políticas do Estado. Estas ser-
  vem apenas para reprimir e
  controlar o povo, garantindo
  cada vez mais poder aos capi-
  talistas e seus mega-eventos.
  Por isso precisamos gritar: Fa-
  zer greve não é ilegal, e protestar
  não é crime!

  Bakunin também nos traz algu-
  mas contribuições importan-
  tes a respeito das greves. Ele
  as via como um instrumento
de combate e que "já indicam
uma certa força coletiva, um
certo entendimento entre os
operários". Também defendia a
greve geral, dotada de ideias de
libertação, que "só pode resul-
tar em um grande cataclismo
que provocaria uma mudança
radical na sociedade". Como
prática da luta reivindicativa
e experiência coletiva, a gre-
ve deve ser encarada também
como importante ferramenta
de solidariedade entre os se-
tores da classe oprimida, pois
"as necessidades da luta levam
os trabalhadores a apoiarem-
se, de um país a outro, de uma
profissão a outra".

Nesse sentido é fundamental
dotar estas ferramentas de
métodos e princípios que ga-
rantam o protagonismo e o
controle pelos trabalhadores
dos caminhos da luta: o debate
permanente nas bases a res-
peito dos problemas sofridos
e suas soluções; a participação
política com democracia direta
e sem intermediários; a assem-
bleia como espaço soberano
de decisão dos trabalhadores,
com pautas socializadas e cons-
truídas pela base; o federalismo
e a articulação entre os locais
e grupos de base. Uma práti-
ca de organização e luta que
garanta a autonomia política e
a independência de classe dos
explorados e oprimidos, jamais
entregando a decisão a respei-
to de nossos interesses a bu-
rocratas, técnicos ou políticos.
Por isso, devemos avançar na
organização e articulação das
lutas. É importante exercitar o
apoio mútuo entre as diversas
categorias de trabalhadores
explorados e os demais seto-
res oprimidos do povo, para
não sermos prejudicados pelo
oportunismo dos partidos e
pelas burocracias pelegas.


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