(pt) Organização Resistência Libertária - ORL - FESTA OU PROTESTO? (en)

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 3 de Maio de 2014 - 11:16:15 CEST


História do Anarquismo - Primeiro de Maio ---- Reproduzimos abaixo um texto exemplar para 
pensar a data do Primeiro de Maio e sua importância para as lutas sociais. Os créditos da 
transcrição do texto são dxs companheirxs do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, que 
vem realizando a importante tarefa de estudo, tradução e difusão do pensamento anarquista. 
Para mais informações sobre o GEAPI ver http://anarquistas-pi.blogspot.com.br
FESTA OU PROTESTO? ---- O texto disponibilizado é uma matéria do jornal A Voz do 
Trabalhador - Órgão da Confederação Operária Brasileira - Ano I, n° 10, dia 1° de maio de 
1909. ---- Como deve ser compreendido o 1° de maio por todos aqueles que trabalham, por 
todos que através dos tempos tem passado uma vida infame e cheia de miséria? ---- Sim! 
Todos os que passaram longos anos executando um trabalho extenuante, sem nunca terem 
alcançado um pouco de bem estar servindo toda a sua vida à classe capitalista, como devem 
eles comemorar o 1° de maio?

Creio que todos os trabalhadores nesse dia devem protestar energicamente contra esta ordem 
de coisas, demonstrando a toda essa gente a hipócrita tirania, que não estão dispostos a 
aceitar a fome, a miséria, em paga do seu esforço, feito em benefício de meia dúzia de 
bandidos sanguessugas da humanidade, mas sim a lutar energicamente em prol de uma vida 
mais livre, onde o seu esforço represente unicamente a sua própria vontade; e do qual 
possam obter o necessário para a completa satisfação das suas necessidades; compartilhando 
assim do progresso humano para o qual a completa satisfação das suas necessidades; 
compartilhando assim do progresso humano para o qual concorrem na medida das suas forças.

Esse dia, deve ser de revolta, e não de festa; digo de revolta, porque creio ser 
necessário revoltarem-se todos os seres que mourejam diariamente dentro das oficinas, das 
fábricas, nas minas e nos campos, contra essa sociedade nefanda, que procura 
artimanhosamente escravizar-nos, negando-nos o direito que nos assiste de gozar de todas 
as riquezas que a natureza possui, e das quais nós tratamos! Digo que não deve ser de 
festa, porque festejar o trabalho na atual sociedade seria o mesmo que festejar a nossa 
escravidão, a miséria que nos avassala, equivaleria a dizer que estamos contentes com esta 
corrente tirânica que nos oprime e satisfeitos com o jugo aniquilador que nos faz curvar 
sob o seu peso.

É preciso que todos os oprimidos se rebelem contra a organização atual, é necessário que 
demonstrem francamente o que seu descontentamento por toda essa miséria que invade os 
lares daqueles que duto produzem e nada gozam; que todos os proletários com palavras 
vibrantes ponham bem visível o seu ódio a todos esses cancros sociais.

Quando toda essa legião de seres humanos assalariados pelo capital, se unam para acabar 
com todas essas infâmias praticadas por essa classe escravocrata que se apoia na 
inconsciência das criaturas incultas, faltas de experiência própria, para poderem 
compreender os direitos que lhes assistem na terra.

Todos os operários conscientes devem por em relevo perante os que menos compreendem, que 
acima de tudo devemos considerar a liberdade sobre a terra, pela qual temos que lutar; 
lutar sem tréguas, até adquirirmos tudo o que por direito nos pertence, e que até hoje nos 
tem sido extorquido pela infame e degenerada sociedade burguesa.

O homem só será feliz quando for "livre sobre a terra livre"; assim escreveu não sei quem, 
não me lembro agora, mas aceito esse pensamento como lógico e verdadeiro, por que nele se 
encerra toda a felicidade da vida.

Eurípedes Floreal


More information about the A-infos-pt mailing list