(pt) União Popular Anarquista (UNIPA) - Mulheres que não tiveram tempo de ter medo: Homenagem à revolucionária anarquista Fanya Anisimova Barón (en)

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Domingo, 30 de Março de 2014 - 06:52:28 CEST


A luta revolucionária exige responsabilidade, disciplina e convicção do socialismo como 
único caminho para emancipação da humanidade. Essas três qualidades não faltavam à Fanya 
Baron, que também era conhecida por sua generosidade e coragem. Ela foi capaz de não só 
transgredir o papel imposto às mulheres de sua época como também enfrentar firmemente a 
violência estatista da polícia norte americana, da policia tzarista e da policia política 
bolchevique, sem ceder um minuto. ---- Fanya nasceu em 1887 na Lituânia. Ainda na 
juventude migrou para os Estados Unidos onde conheceu, em 1912, o padeiro e anarquista 
Aron Baron. Fanya passa a frequentar os círculos anarquistas e então conhece grandes nomes 
do anarquismo como Lucy Parsons e Jane Adams. Logo passa a atuar na Industrial Workers of 
the World (IWW). É atuando nesta organização que pela primeira vez enfrenta a repressão 
policial, sendo espancada brutalmente e presa junto a Lucy Parsons e outros nove 
companheiros, no dia17 janeiro de 1915,quando organizavam um evento pra arrecadar fundos 
de greve.

Em 1917 Fanya, Aron e Boris Yelensky voltam para Rússia com objetivo de lutar pela 
revolução. Vão pra Moscou onde atuam até a segunda metade de 1918 quando decidem ir para 
Ucrânia. Com a dominação bolchevique, o movimento anarquista se encontrava totalmente 
confuso e fragmentado na Rússia, enquanto no sul da Ucrânia o anarquismo era a força 
política majoritária no movimento camponês, o que garantia naquele período a autonomia dos 
sovietes por lá. Ao chegar a solo ucraniano, Fanya participou como delegada na fundação da 
Confederação Anarquista Ucraniana (NABAT).

Apartir de sua atuação no NABAT, Fanya começa a se aproximar do Exército Negro, liderado 
pelo revolucionário anarquista Nestor Makhno, onde atuou no setor de formação politica e 
cultural, quando boa parte do movimento anarquista da época condenava o Exército Negro e a 
figura de Nestor Makhno. A política makhnovista representava a retomada do anarquismo 
enquanto direção revolucionaria, como era concebido pelos bakuninistas. Ela contrapunha a 
concepção anarco-comunista que concebia o anarquismo como auxiliar da revolução, posição 
personificada na Rússia na figura e obra de Piotr Kropotkin que estava em diálogo 
permanente com os bocheviques. Dentro do NABAT também havia setores hostis aos 
maknovistas, que rejeitavam uma ruptura teórica e prática com o revisionismo 
anarco-comunista. Mas Fanya, Aaron, Voline , Arshinov, Olga Ruvinskaia e outros militantes 
do NABAT sempre se comprometeram e atuaram politicamente em conjunto com Nestor Makhno. 
Devido a essa relação se tornaram alvos principais da polícia política bolchevique, a Checka.

Em 1920 o partido bolchevique começa a caça aos makhnovistas e seus apoiadores, 
classificando os anarquistas em "ideológicos" (os propagandistas e educacionistas, que não 
representavam  perigo) e "falsos anarquistas" ou "bandoleiros" (os revolucionários).  Eram 
frequentes em jornais afirmações como a de León Trotsky:

"Eles eram apenas ladrões e assaltantes que mancharam o nome do anarquismo. O anarquismo é 
uma ideologia, que mesmo sendo utópica deve ser respeitada, porém vandalismo é vandalismo..."

É nesse período que Fanya é presa com outros anarquistas pela Cheka em uma conferência 
realizada em Kharkhov em 25 de Novembro de 1920. Ela foi enviada para o presídio de Ryazan 
até 10 de julho de 1921, de onde consegue escapar fugindo para Moscou, sendo  acolhida por 
uma rede anarquista clandestina. De lá saiu para arquitetar a fuga de Aron Baron e acabou 
sendo recapturada na casa do irmão de Aron, que era membro do partido bolchevique, no dia 
17 de agosto de 1921. Nunca se soube se ele a entregou ou se havia agentes implantados na 
rede anarquista clandestina.

No dia 29 de setembro de 1921 Fanya Barón, o poeta Lev Tcherny e mais nove anarquistas 
foram considerados culpados de serem "cúmplices de atos anti-soviéticos" e fuzilados pela 
policia política bolchevique. Fanya não acatou ordens e resistiu bravamente durante o 
caminho percorrido até execução. O que Fanya deixou para o anarquismo foi um legado de 
resistência, força e coerência, sem ter dado nenhum passo atrás na luta revolucionaria, 
que deve não somente ser lembrado mas, também, ser seguido.

  Não esquecemos e não perdoamos!


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